Orto Questões

Questões de mão e punho comentadas

Mão e punho é o assunto que mais cobra anatomia fina e classificação: zonas de lesão tendínea, túnel do carpo e demais compressões nervosas, fratura do escafoide e a pseudartrose que vem depois, instabilidade escafossemilunar, doença de Dupuytren, Kienböck, fraturas do rádio distal e as deformidades congênitas da mão. É também o tema em que as bancas gostam de nomes próprios — Bayne, Wassel, Blauth, Green — e de detalhes de tratamento que só aparecem em prova.

O acervo tem 2402 questões de mão e punho, e 2262 têm página própria com gabarito e conceito-chave. Abaixo, 25 delas com o comentário completo e, no fim, a lista de todas.

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As questões são transcritas das provas originais, sem reescrita, e o gabarito é o da própria banca. Os comentários se baseiam na bibliografia de referência da especialidade. Quando resta dúvida sobre o gabarito, o comentário registra a dúvida em vez de escondê-la. As questões marcadas como OrtoQuestões Simulados são autorais do site, elaboradas a partir da bibliografia de referência e inspiradas no padrão da prova indicada; não são questões oficiais nem têm vínculo com as instituições organizadoras.

25 questões comentadas

Na lesão completa do nervo periférico, um dos sintomas relacionados ao sistema nervoso autônomo é a:

  1. anidrose em uma área geralmente igual ou maior que o déficit sensitivo
  2. anidrose em uma área geralmente igual ou menor que o déficit sensitivo
  3. hiper-hidrose em uma área geralmente igual ou maior que o déficit sensitivo
  4. hiper-hidrose em uma área geralmente igual ou menor que o déficit sensitivo

Gabarito: A

Conceito-chave

Um nervo periférico, como o mediano ou o ulnar, não leva só fibras de sensibilidade e de movimento. Dentro dele correm também fibras do sistema nervoso autônomo simpático, que controlam as glândulas de suor (fibras sudomotoras), o calibre dos vasos (vasomotoras) e o arrepio dos pelos (pilomotoras).

Quando o nervo é seccionado por completo, todas essas fibras param de funcionar ao mesmo tempo no território dele:

a pele perde a sensibilidade;

as glândulas sudoríparas param: a pele fica seca, o que se chama anidrose;

no início a pele fica quente (os vasos dilatam), e depois fria e pálida;

com o tempo, surgem alterações tróficas: pele lisa e brilhante, unhas alteradas e polpa do dedo atrofiada.

Por que a área seca é igual ou maior que a área sem sensibilidade: a sensibilidade de um nervo tem muita sobreposição com a dos nervos vizinhos, que "invadem" as bordas do território e fazem a área insensível parecer menor. A inervação simpática sobrepõe bem menos. Por isso a área anidrótica fica igual ou maior que o déficit sensitivo.

Utilidade clínica: a falta de suor pode ser testada objetivamente, sem depender da colaboração do paciente (útil em crianças), pelo teste da ninidrina ou pelo teste do enrugamento: a pele de um dedo desnervado não enruga quando fica muito tempo na água.

Na prova: na lesão completa de nervo periférico há anidrose numa área igual ou maior que o déficit sensitivo.

A · anidrose em uma área geralmente igual ou maior que o déficit sensitivo

Sem as fibras simpáticas, a glândula sudorípara para e surge anidrose, numa área igual ou maior que a sensitiva, porque a sobreposição simpática é pequena.

B · anidrose em uma área geralmente igual ou menor que o déficit sensitivo

A extensão está invertida: quem tem grande sobreposição é a sensibilidade, e por isso é a área sensitiva que parece menor, não a área seca.

C · hiper-hidrose em uma área geralmente igual ou maior que o déficit sensitivo

Hiper-hidrose (suor excessivo) indica irritação simpática, como na síndrome de dor regional complexa, e não secção completa do nervo.

D · hiper-hidrose em uma área geralmente igual ou menor que o déficit sensitivo

Erra nos dois pontos: na secção completa não há hiper-hidrose, e a área autonômica não é menor que a sensitiva.

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Na lesão dos tendões flexores da mão, a sutura epitendínea contínua associada à sutura central ou nuclear aumenta a resistência em:

  1. 20%
  2. 50%
  3. 70%
  4. 90%

Gabarito: B

Conceito-chave

Quando um tendão flexor dos dedos é cortado, o reparo precisa ser forte o bastante para permitir movimentar o dedo cedo. A mobilização precoce evita aderências, o tendão grudar nos tecidos em volta e deixar o dedo rígido. A sutura tem duas partes:

Sutura central (nuclear): é passada dentro do tendão, cruzando o local do corte. Ela suporta a maior parte da carga. Sua resistência é proporcional ao número de fios que cruzam o foco: reparos com 4 a 6 fios permitem movimento ativo precoce.

Sutura epitendínea: é uma sutura contínua e fina feita ao redor da borda do tendão, na superfície. Tem duas funções:

regularizar a superfície, para que o tendão deslize suavemente dentro da sua bainha, sem pontas que enganchem;

aumentar a resistência do reparo em cerca de 50%, porque também ajuda a resistir à separação das pontas.

O que mais deixa o reparo forte: fio mais calibroso, pegas de cerca de 1 cm a partir do corte, pontos bloqueantes e uma epitendínea bem feita (técnicas cruzadas são ainda mais fortes que a contínua simples).

Um cuidado importante: o reparo enfraquece entre a primeira e a terceira semana, quando as pontas do tendão amolecem antes de começar a cicatrizar. É a fase de maior risco de ruptura.

Na prova: a sutura epitendínea contínua aumenta a resistência do reparo do flexor em cerca de 50%.

B · 50%

A epitendínea contínua regulariza a superfície do reparo e aumenta sua resistência em cerca de 50%, ajudando a permitir a mobilização precoce.

A · 20%

Vinte por cento subestima a contribuição da epitendínea contínua bem feita, que chega a cerca de 50%.

C · 70%

Setenta por cento superestima o ganho; a faixa descrita para a epitendínea vai até cerca de 50%, conforme a técnica.

D · 90%

Noventa por cento seria quase dobrar a resistência só com a sutura de superfície, o que não é sustentado; a central carrega a maior parte da carga.

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No tratamento da lesão do plexo braquial, a cirurgia de Oberlin é a transferência do:

  1. nervo frênico para o subescapular
  2. nervo acessório para o supraescapular
  3. fascículo do nervo ulnar para o ramo motor do musculocutâneo
  4. fascículo do nervo radial para o ramo motor do musculocutâneo

Gabarito: C

Conceito-chave

O objetivo é recuperar a flexão do cotovelo. A transferência de Oberlin é uma neurotização distal empregada em lesões altas do plexo braquial. Seu cenário clássico é a lesão C5-C6 com paralisia do bíceps e nervo ulnar funcionante. A pergunta cobra o par doador-receptor, não apenas o nome de um nervo usado na reconstrução do plexo.

O doador é um fascículo ulnar, e o receptor é o ramo para o bíceps. Transfere-se parte do nervo ulnar ao ramo motor do musculocutâneo destinado ao bíceps. Não se utiliza todo o ulnar nem se conecta indiscriminadamente ao tronco inteiro do musculocutâneo. A seleção de um doador funcionante procura obter reinervação do alvo sem perda relevante da função original da mão; preservação funcional é objetivo técnico, não garantia universal.

A indicação depende do que permaneceu íntegro. Lesões C5-C6 constituem a indicação clássica, e séries clínicas também descrevem casos C5-C6-C7 selecionados. Examinar a função ulnar e caracterizar a extensão da lesão é essencial antes de escolher o doador. O tempo de desnervação e a viabilidade do músculo receptor influenciam a recuperação, por isso não se deve transformar um prazo isolado em critério absoluto de indicação.

Reconstruir o ombro exige outros pares nervosos. A transferência do acessório ao supraescapular busca recuperação da função do ombro. Ramos motores do tríceps, provenientes do radial, podem ser transferidos ao axilar com objetivo semelhante. Essas operações podem integrar o mesmo plano reconstrutivo, mas não correspondem à transferência ulnar-bíceps denominada Oberlin.

Na prova: reconheça doador, receptor e função: fascículo ulnar para ramo do musculocutâneo destinado ao bíceps, visando flexão do cotovelo. Um par nervoso válido para o ombro continua errado quando a pergunta é sobre Oberlin.

C · fascículo do nervo ulnar para o ramo motor do musculocutâneo

Fascículo do ulnar para o ramo motor do musculocutâneo. A alternativa C descreve a técnica clássica; o alvo específico é o ramo para o bíceps, permitindo recuperar a flexão do cotovelo.

A · nervo frênico para o subescapular

Frênico para subescapular não identifica Oberlin. A alternativa troca o doador ulnar e o receptor para o bíceps. A escolha de outro nervo em uma reconstrução do plexo não muda a definição da transferência clássica cobrada.

B · nervo acessório para o supraescapular

Acessório para supraescapular é uma transferência dirigida ao ombro. É um par utilizado na reconstrução do plexo, mas o músculo-alvo e a função recuperada diferem da transferência ulnar-bíceps.

D · fascículo do nervo radial para o ramo motor do musculocutâneo

O receptor é compatível, mas o doador está errado. Na Oberlin clássica utiliza-se um fascículo ulnar. Um exemplo distinto de uso do radial é a transferência de ramo motor do tríceps ao axilar, dirigida à função do ombro.

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Na mão reumatoide, o acometimento osteoarticular inicia-se, preferencialmente, na borda ulnar do punho e em sequência os ossos do carpo deslocam-se em:

  1. pronação, desvio radial e dorsal
  2. pronação, desvio ulnar e palmar
  3. supinação, desvio radial e dorsal
  4. supinação, desvio ulnar e palmar

Gabarito: D

Conceito-chave

Na artrite reumatoide, a sinovite (inflamação da membrana que reveste as articulações e os tendões) destrói ligamentos e cartilagem. No punho, ela começa tipicamente pelo lado ulnar: a articulação radioulnar distal, a estiloide da ulna e a bainha do extensor ulnar do carpo (EUC).

A sequência das deformidades:

os ligamentos da radioulnar distal ficam frouxos, e a cabeça da ulna sobe para o dorso do punho. É o caput ulnae, uma saliência dorsal típica;

o tendão do extensor ulnar do carpo escorrega para a frente (volar) e passa a fletir o punho, em vez de estendê-lo;

sem o apoio do lado ulnar, o carpo roda em supinação e escorrega para o lado ulnar e para a palma (palmar);

os metacarpos inclinam para o lado radial;

para compensar, os dedos desviam para ulnar, formando o padrão em ziguezague típico da mão reumatoide.

Complicações: a cabeça da ulna, saliente e áspera, raspa nos tendões extensores e pode rompê-los, começando pelo extensor do mínimo (síndrome de Vaughan-Jackson). No lado palmar, o escafoide pode romper o flexor longo do polegar (lesão de Mannerfelt).

Na prova: no punho reumatoide, o carpo se desloca em supinação, com desvio ulnar e palmar.

D · supinação, desvio ulnar e palmar

Perdido o apoio ulnar, o carpo roda em supinação e escorrega para ulnar e palmar, enquanto os metacarpos inclinam para radial e os dedos desviam para ulnar.

A · pronação, desvio radial e dorsal

Está tudo invertido: quem sobe para dorsal é a cabeça da ulna, e o carpo vai em supinação, para ulnar e palmar.

B · pronação, desvio ulnar e palmar

O desvio ulnar e palmar está certo, mas o carpo roda em supinação, e não em pronação.

C · supinação, desvio radial e dorsal

A supinação está certa, mas o deslocamento é ulnar e palmar, e não radial e dorsal.

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Na artroscopia do punho, o portal que permite melhor inspeção do complexo da fibrocartilagem triangular é o:

  1. 6R
  2. 6U
  3. 3-4
  4. 4-5

Gabarito: D

Conceito-chave

Na artroscopia do punho, a câmera e os instrumentos entram por pequenos acessos (portais) no dorso do punho. Eles recebem o nome dos compartimentos dos tendões extensores entre os quais passam. Os seis compartimentos dorsais, de radial para ulnar, são: 1º (abdutor longo e extensor curto do polegar), 2º (extensores radiais do carpo), 3º (extensor longo do polegar), 4º (extensores comuns dos dedos), 5º (extensor do mínimo) e 6º (extensor ulnar do carpo).

Os portais principais:

3-4: entre o 3º e o 4º compartimentos. É o portal de visão padrão, por onde a câmera entra primeiro. Mostra bem o lado radial: escafoide, semilunar e o ligamento entre eles;

4-5: entre o 4º e o 5º. É mais ulnar e coloca a câmera de frente para o complexo da fibrocartilagem triangular (CFCT), a estrutura que estabiliza o lado ulnar do punho. É o que dá a melhor inspeção dela;

6R: logo radial ao extensor ulnar do carpo. É o portal de trabalho do CFCT, por onde entram os instrumentos para desbridar ou reparar;

6U: logo ulnar ao extensor ulnar do carpo. Usado para saída de líquido, com risco para o ramo dorsal do nervo ulnar;

1-2: com risco para o ramo superficial do nervo radial e a artéria radial.

Na prova: o portal que dá melhor inspeção da fibrocartilagem triangular é o 4-5; o 6R é o de trabalho.

D · 4-5

O portal 4-5, mais ulnar que o 3-4, coloca a óptica de frente para o complexo da fibrocartilagem triangular, dando a melhor inspeção.

A · 6R

O 6R é usado principalmente como portal de trabalho, para instrumentar e reparar a fibrocartilagem, e não para a melhor inspeção.

B · 6U

O 6U serve sobretudo para saída de líquido e tem risco para o ramo dorsal do nervo ulnar.

C · 3-4

O 3-4 é o portal de visão geral do lado radial; dele, a fibrocartilagem triangular fica oblíqua e distante.

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No desenvolvimento embrionário, falhas na zona de atividade polarizada podem resultar em:

  1. polidactilia
  2. camptodactilia
  3. síndrome unha-patela
  4. deformidades transversas

Gabarito: A

Conceito-chave

O membro superior se forma no embrião a partir de um broto, e seu crescimento é organizado em três eixos. Cada eixo é controlado por um centro sinalizador diferente, e cada falha produz um tipo diferente de malformação:

Eixo proximal-distal (do ombro aos dedos): controlado pela crista ectodérmica apical (AER), uma faixa na ponta do broto, que produz fatores chamados FGF. Se ela falha, o membro para de crescer naquele ponto: são as deficiências transversas (o membro termina "cortado").

Eixo anteroposterior (radial-ulnar, do polegar ao mínimo): controlado pela zona de atividade polarizada (ZPA), um grupo de células na borda posterior (ulnar) do broto, que produz uma molécula chamada Sonic hedgehog (Shh). A concentração de Shh diz a cada dedo "quem ele é". Se há Shh em excesso ou num lugar errado, os raios se duplicam: é a polidactilia, e em casos extremos a mão em espelho (dimelia ulnar).

Eixo dorsoventral (dorso e palma): controlado pelo ectoderma dorsal, com moléculas como Wnt7a e LMX1B. Sua falha causa, por exemplo, a síndrome unha-patela.

Na prova: a zona de atividade polarizada controla o eixo radioulnar por meio do Sonic hedgehog, e sua falha causa polidactilia.

A · polidactilia

A zona de atividade polarizada controla o eixo radioulnar, e alterações no seu sinal, o Sonic hedgehog, duplicam raios e causam polidactilia.

B · camptodactilia

A camptodactilia é uma contratura em flexão da interfalângica proximal, ligada a anomalias de partes moles como o lumbrical ou o flexor superficial, e não à zona de atividade polarizada.

C · síndrome unha-patela

A síndrome unha-patela resulta de falha do eixo dorsoventral, por mutação do gene LMX1B.

D · deformidades transversas

As deficiências transversas vêm de falha da crista ectodérmica apical, que controla o eixo proximal-distal.

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Na macrodactilia do membro superior, o dedo mais frequentemente acometido é o:

  1. anelar
  2. médio
  3. polegar
  4. indicador

Gabarito: D

Conceito-chave

Macrodactilia é o crescimento exagerado de todos os tecidos de um ou mais dedos: osso, gordura, nervo, pele e tendões. O dedo fica gigante em comprimento e espessura.

A causa mais comum: a lipofibromatose do nervo (hamartoma fibrolipomatoso), um crescimento anormal de gordura e tecido fibroso dentro e ao redor de um nervo. Ela segue o território do nervo mediano.

A ordem de acometimento, acompanhando o mediano:

  1. indicador (o mais frequente);
  1. médio;
  1. polegar.

É comum mais de um dedo do mesmo território ser afetado. Geralmente é unilateral e esporádica (não hereditária).

Os dois tipos:

estático: o dedo já nasce grande e cresce na mesma proporção dos outros;

progressivo: o dedo cresce mais rápido que os outros, sobretudo na infância, e a diferença aumenta com o tempo.

Diagnósticos diferenciais: neurofibromatose, síndrome de Proteus, síndrome de Klippel-Trénaunay e malformações vasculares, que também podem aumentar um dedo.

Tratamento: depende da gravidade, e vai de parar o crescimento da placa de crescimento (epifisiodese) e reduzir partes moles até osteotomias ou amputação do raio.

Na prova: o dedo mais acometido na macrodactilia é o indicador, seguindo o território do nervo mediano.

D · indicador

O indicador é o dedo mais acometido, porque a macrodactilia segue o território do nervo mediano; depois vêm o médio e o polegar.

A · anelar

O anelar tem inervação compartilhada entre mediano e ulnar e é pouco acometido.

B · médio

O médio é o segundo mais acometido, depois do indicador.

C · polegar

O polegar também está no território do mediano, mas é o terceiro em frequência, e não o primeiro.

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Na sindactilia, na sua forma simples, normalmente encontra-se:

  1. alterações na epiderme
  2. vaso e nervo digital duplicados
  3. fusão óssea somente na falange distal
  4. inserção anômala do tendão flexor superficial dos dedos

Gabarito: B

Conceito-chave

Sindactilia é a união de dois ou mais dedos vizinhos, porque eles não se separaram durante a formação da mão no embrião. É uma das malformações congênitas mais comuns da mão, mais frequente entre o médio e o anelar.

Como se classifica:

pela extensão: completa, quando os dedos estão unidos até a ponta, muitas vezes com as unhas fundidas; ou incompleta, quando a união não chega à ponta;

pelo tecido envolvido: simples, quando a união é só de pele e tecido subcutâneo; ou complexa, quando também há fusão óssea, geralmente entre as falanges distais;

complicada: quando há anomalias associadas, como ossos extras, tendões anormais ou feixe vascular único, como na síndrome de Apert.

Na sindactilia simples: como a ponte é só de partes moles, cada dedo mantém sua própria artéria e seu próprio nervo digital. Os feixes vasculonervosos estão duplicados e normais. Isso permite separar os dedos sem sacrificar a circulação de nenhum. O cuidado é que a bifurcação da artéria pode ser mais distal que o normal, o que limita o quanto se pode aprofundar o espaço entre os dedos.

Na cirurgia: separa-se um lado de cada dedo por vez, para não comprometer a circulação; a comissura é refeita com um retalho do dorso, e as áreas sem pele recebem enxerto, porque a pele existente é insuficiente para cobrir os dois dedos.

Na prova: na sindactilia simples, a união é só de partes moles, e os vasos e nervos digitais estão duplicados.

B · vaso e nervo digital duplicados

Na forma simples a ponte é só de pele e subcutâneo, e cada dedo mantém sua artéria e seu nervo digital, ou seja, os feixes estão duplicados.

A · alterações na epiderme

A pele da sindactilia simples é normal; o problema é apenas que ela não é suficiente para cobrir os dois dedos depois de separados.

C · fusão óssea somente na falange distal

Qualquer fusão óssea, inclusive só na falange distal, já caracteriza a sindactilia complexa, e não a simples.

D · inserção anômala do tendão flexor superficial dos dedos

Anomalias de tendão aparecem nas formas complicadas e sindrômicas, e não na sindactilia simples.

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No desfiladeiro torácico, a síndrome de Paget-Schroetter é caracterizada pela compressão:

  1. da veia subclávia
  2. da artéria subclávia
  3. do tronco inferior do plexo
  4. do tronco superior do plexo

Gabarito: A

Conceito-chave

Paget-Schroetter é a trombose venosa de esforço. A síndrome corresponde à trombose do segmento axilossubclávio associada ao desfiladeiro torácico venoso. A pergunta usa a compressão como pista anatômica; a estrutura correta é a veia subclávia. Compressão venosa sem trombose e Paget-Schroetter não são termos perfeitamente intercambiáveis.

O conflito mecânico favorece a trombose. A veia pode sofrer compressão no espaço costoclavicular, entre a clavícula e a primeira costela. Atividades repetitivas com o membro superior podem agravar o conflito. O quadro típico inclui aumento de volume unilateral do braço, peso e desconforto, por vezes cianose e circulação colateral. A apresentação venosa precisa ser distinguida de uma queixa predominantemente neurológica ou de isquemia arterial.

Um Doppler negativo não encerra toda investigação. A ultrassonografia duplex é usada na avaliação inicial, mas a visualização da porção central da subclávia pode ser limitada. Uma série de pacientes operados por desfiladeiro venoso documentou exames inicialmente falsos negativos. Persistindo forte suspeita clínica, a equipe deve avaliar investigação complementar, como venografia ou imagem seccional, conforme o contexto.

Tratamento combina trombose e compressão. Anticoagulação integra o manejo; trombólise dirigida por cateter e descompressão do desfiladeiro são consideradas em pacientes selecionados. A decisão depende da duração dos sintomas, extensão da trombose, anatomia e risco hemorrágico. Estudos observacionais comparam essas estratégias, mas não justificam prescrever trombólise e ressecção da primeira costela de forma automática para todos.

Na prova: Paget-Schroetter aponta para veia subclávia e trombose de esforço. As alternativas que mencionam artéria ou troncos do plexo descrevem estruturas de outras formas de comprometimento do desfiladeiro.

A · da veia subclávia

Veia subclávia. O conflito costoclavicular venoso pode culminar em trombose axilossubclávia de esforço, característica da síndrome de Paget-Schroetter. É essa relação anatômica que a banca solicita.

B · da artéria subclávia

Artéria subclávia corresponde ao componente arterial. A alternativa troca um vaso venoso por um arterial. Comprometimento da artéria pode produzir isquemia, mas não define a trombose venosa denominada Paget-Schroetter.

C · do tronco inferior do plexo

Tronco inferior é uma estrutura neural. Sua compressão pertence à discussão do desfiladeiro neurogênico e não explica a obstrução venosa axilossubclávia cobrada na questão.

D · do tronco superior do plexo

Tronco superior também pertence ao plexo braquial. Um comprometimento neural proximal pode produzir sintomas neurológicos, porém não caracteriza Paget-Schroetter, cujo elemento definidor é a trombose venosa de esforço.

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Na tenossinovite, a síndrome da interseção no antebraço é caracterizada pelo atrito entre os tendões do:

  1. quarto e quinto compartimento dorsal
  2. terceiro e quarto compartimento dorsal
  3. segundo e terceiro compartimento dorsal
  4. primeiro e segundo compartimento dorsal

Gabarito: D

Conceito-chave

A interseção clássica envolve o primeiro e o segundo compartimentos. Na região dorsorradial do antebraço distal, o abdutor longo e o extensor curto do polegar, associados ao primeiro compartimento, cruzam superficialmente os extensores radiais longo e curto do carpo, do segundo. A sobrecarga nesse cruzamento está associada à síndrome da interseção proximal, resposta solicitada pela questão.

Localizar a dor é mais útil que decorar apenas o nome. Dor, edema e crepitação durante movimentos do punho podem aparecer no antebraço dorsorradial, proximalmente ao tubérculo de Lister. A síndrome deve ser diferenciada de De Quervain e de outras causas de dor radial. A ultrassonografia pode mostrar edema peritendíneo e líquido nas bainhas na região do cruzamento, correlacionados com os achados clínicos.

Existe também uma interseção distal. O extensor longo do polegar pertence ao terceiro compartimento e cruza os tendões do segundo após contornar o tubérculo de Lister. Tenossinovite nessa região caracteriza a interseção distal, entidade mais rara. Assim, segundo com terceiro não é uma associação inventada: é uma alternativa plausível que descreve outra localização anatômica.

A abordagem inicial busca reduzir a sobrecarga. Modificação da atividade, medidas analgésicas conforme avaliação clínica e eventual imobilização são opções conservadoras. Uma coorte prospectiva mostrou evolução favorável com medidas não operatórias, embora houvesse perda de seguimento. Casos persistentes exigem reavaliação do diagnóstico e da estratégia; séries pequenas não estabelecem um protocolo cirúrgico universal.

Na prova: primeiro com segundo define a interseção proximal clássica; segundo com terceiro define a distal. A expressão genérica da questão favorece a forma clássica, mas conhecer a variante distal evita descartar a alternativa C como anatomicamente impossível.

D · primeiro e segundo compartimento dorsal

Primeiro e segundo compartimentos dorsais. O cruzamento do abdutor longo e do extensor curto do polegar sobre os extensores radiais longo e curto do carpo corresponde à interseção proximal clássica cobrada pela banca.

A · quarto e quinto compartimento dorsal

Quarto e quinto não descrevem o cruzamento clássico. Ainda que os tendões extensores possam apresentar outras tenossinovites, esse par não corresponde ao encontro do primeiro com o segundo na região dorsorradial do antebraço.

B · terceiro e quarto compartimento dorsal

Terceiro e quarto não identificam a interseção proximal. O terceiro está envolvido na variante distal quando cruza o segundo. Mencionar o terceiro isoladamente não torna correta sua associação com o quarto.

C · segundo e terceiro compartimento dorsal

Segundo e terceiro descrevem a interseção distal. É uma entidade real, relacionada ao cruzamento do extensor longo do polegar sobre os extensores radiais do carpo. A banca cobra a síndrome clássica do antebraço, entre primeiro e segundo.

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Na síndrome do nervo interósseo anterior, o teste realizado para detectar compressão no músculo pronador redondo envolve pronação:

  1. passiva com cotovelo fletido e extensão progressiva
  2. passiva com cotovelo estendido e flexão progressiva
  3. contra resistência com cotovelo fletido e extensão gradativa
  4. contra resistência com cotovelo estendido e flexão progressiva

Gabarito: C

Conceito-chave

O nervo mediano pode ser comprimido no cotovelo e no antebraço proximal, antes de chegar ao punho. Os pontos de compressão e as manobras que os testam:

ligamento de Struthers: uma faixa fibrosa que vai de um pequeno esporão ósseo (processo supracondiliano) do úmero ao epicôndilo medial; avaliado pela radiografia;

lacerto fibroso: uma expansão do tendão do bíceps. Testado com flexão do cotovelo contra resistência, com o antebraço em supinação;

pronador redondo: o nervo passa entre as duas cabeças desse músculo. Testado com pronação contra resistência, começando com o cotovelo fletido e estendendo aos poucos. A contração engrossa o músculo, e a extensão o estira sobre o nervo, apertando-o;

arcada do flexor superficial dos dedos: testada com flexão contra resistência da interfalângica proximal do dedo médio.

As duas síndromes:

síndrome do pronador: dor no antebraço e formigamento no território do mediano, incluindo a palma perto da eminência tenar. Isso ajuda a diferenciar do túnel do carpo, porque o ramo que inerva essa região da palma sai antes do túnel;

síndrome do interósseo anterior: o interósseo anterior é um ramo só motor do mediano. Sua compressão causa fraqueza do flexor longo do polegar, do flexor profundo do indicador e do pronador quadrado, sem perda de sensibilidade. O paciente não consegue fazer um "O" com a ponta do polegar e do indicador: faz uma pinça achatada.

Na prova: o teste do pronador redondo é a pronação contra resistência com o cotovelo fletido, estendendo-o gradualmente.

C · contra resistência com cotovelo fletido e extensão gradativa

Pronação contra resistência engrossa o pronador e aperta o nervo, e estender o cotovelo aos poucos estira o músculo sobre o nervo, reproduzindo os sintomas.

A · passiva com cotovelo fletido e extensão progressiva

Pronação passiva não contrai o pronador redondo, e por isso não comprime o nervo entre suas cabeças.

B · passiva com cotovelo estendido e flexão progressiva

Além de ser passiva, sem contração, a sequência invertida relaxa o músculo em vez de estirá-lo.

D · contra resistência com cotovelo estendido e flexão progressiva

Começar com o cotovelo estendido e ir fletindo relaxa o pronador, que é o oposto do necessário para provocar a compressão.

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Na dissociação entre o escafoide e o semilunar, no mecanismo de trauma, ocorre hiperextensão do punho, desvio:

  1. ulnar e pronação do carpo
  2. ulnar e supinação do carpo
  3. radial e pronação do carpo
  4. radial e supinação do carpo

Gabarito: B

Conceito-chave

A dissociação escafossemilunar começa quando dois ossos vizinhos deixam de transmitir a força como uma unidade. Na hiperextensão com desvio ulnar e supinação intercarpal, a fileira distal força o escafoide a estender, enquanto o semilunar é contido pelos ligamentos palmares que o prendem ao antebraço. Essa diferença de movimento tensiona o ligamento entre eles e pode rompê-lo. É a primeira etapa da instabilidade perilunar progressiva de Mayfield.

A supinação citada é intercarpal: descreve a torção entre partes do carpo. Não basta trocar mentalmente o movimento pela posição do antebraço. No mecanismo invertido, a combinação muda para hiperextensão, desvio radial e pronação, e a lesão começa do lado lunopiramidal.

Com o escafossemilunar rompido, o escafoide tende a fletir, mas a deformidade estática depende também dos estabilizadores secundários. Assim, o mecanismo orienta a suspeita, sem dispensar o estudo da estabilidade. Conteúdo consultado no resumo do Rockwood and Green, 10ª edição, capítulo 44, seções de dissociação escafossemilunar e Mayfield.

B · ulnar e supinação do carpo

Correta: B (ulnar e supinação do carpo). Os dois componentes acompanham a hiperextensão no mecanismo clássico. A torção força o escafoide contra a contenção do semilunar, concentrando tensão na ligação escafossemilunar.

A · ulnar e pronação do carpo

O desvio ulnar pertence ao mecanismo clássico, mas a pronação inverte seu componente rotacional. O mecanismo invertido descrito no resumo associa pronação a desvio radial e inicia a ruptura no lunopiramidal; não é a combinação desta alternativa.

C · radial e pronação do carpo

Desvio radial e pronação formam justamente o par da perilunar invertida. Essa sequência começa pela ligação entre semilunar e piramidal, enquanto a dissociação escafossemilunar é o início radial da sequência clássica.

D · radial e supinação do carpo

A supinação intercarpal está de acordo com a sequência clássica, porém o desvio radial substitui indevidamente o ulnar. Os componentes precisam ser considerados em conjunto: manter a rotação correta não torna qualquer direção de desvio equivalente.

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Na rizartrose, a subluxação dorsal do metacarpo ocorre por insuficiência do ligamento:

  1. radiodorsal
  2. oblíquo anterior
  3. intermetacarpal
  4. transverso posterior

Gabarito: B

Conceito-chave

A rizartrose é a artrose da articulação trapeziometacarpiana, na base do polegar, entre o trapézio e o primeiro metacarpo. É muito comum em mulheres após os 50 anos e causa dor ao fazer pinça e girar objetos.

Por que essa articulação desgasta: ela tem a forma de sela, o que dá ao polegar grande mobilidade, mas pouca estabilidade óssea. Quem a estabiliza são os ligamentos. Durante a pinça, a força empurra a base do metacarpo para dorsal e radial, tentando tirá-la do lugar.

O ligamento oblíquo anterior (ou ligamento em bico, *beak ligament*): fica do lado da palma, indo do trapézio até a base do primeiro metacarpo. Na visão clássica, é o principal restritor da subluxação dorsal. Quando ele fica frouxo ou se degenera, a base do metacarpo escorrega para dorsal, a cartilagem passa a carregar de forma irregular e a artrose se instala.

Estudos mais recentes também dão importância ao ligamento dorsorradial, mas a resposta clássica cobrada é o oblíquo anterior.

A deformidade típica: com a base subluxada, o metacarpo fica aduzido (fechado em direção à palma) e a metacarpofalângica compensa em hiperextensão, formando um ziguezague.

Exame: o teste do grind, comprimir o polegar no eixo e girá-lo, reproduz a dor e a crepitação.

Estágios de Eaton-Littler: do I (articulação normal ou alargada, com sinovite) ao IV (artrose também da articulação escafotrapeziotrapezoide).

Na prova: a subluxação dorsal do metacarpo na rizartrose decorre da insuficiência do ligamento oblíquo anterior.

B · oblíquo anterior

O ligamento oblíquo anterior, em bico, segura a base do metacarpo contra a força dorsal da pinça; quando insuficiente, ela subluxa para dorsal.

A · radiodorsal

O ligamento dorsorradial é um restritor dorsal importante em estudos recentes, mas a resposta clássica para a subluxação dorsal é a insuficiência do oblíquo anterior.

C · intermetacarpal

O ligamento intermetacarpal, entre as bases do primeiro e do segundo metacarpos, tem papel secundário e não explica sozinho a subluxação.

D · transverso posterior

O ligamento posterior é coadjuvante e não é o que falha primeiro na rizartrose.

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Na cobertura cutânea da mão, o pedículo do retalho da artéria interóssea posterior é identificado entre os músculos:

  1. extensor dos dedos e supinador
  2. extensor ulnar do carpo e supinador
  3. extensor dos dedos e extensor do quinto dedo
  4. extensor ulnar do carpo e extensor do quinto dedo

Gabarito: D

Conceito-chave

Feridas no dorso da mão, na primeira comissura (o espaço entre polegar e indicador) e no punho muitas vezes expõem tendões ou ossos e precisam de um retalho: um pedaço de pele e tecido levado com sua própria circulação para cobrir a área.

O retalho da artéria interóssea posterior: é um retalho fasciocutâneo (pele com a fáscia por baixo) retirado do dorso do antebraço. A grande vantagem é que ele não sacrifica as artérias principais da mão, a radial e a ulnar.

Como ele recebe sangue: a artéria interóssea posterior corre no dorso do antebraço e, perto do punho, se comunica com a artéria interóssea anterior. Usando essa comunicação, o retalho pode ser girado com o fluxo invertido (o sangue chega de baixo para cima), alcançando a mão.

Onde está o pedículo: a artéria corre no septo entre o extensor ulnar do carpo e o extensor do dedo mínimo. Para marcar na pele, traça-se uma linha do epicôndilo lateral até a cabeça da ulna; os vasos que sobem para a pele (perfurantes) ficam ao longo dessa linha, principalmente no terço médio.

Cuidados:

preservar o ramo motor do nervo interósseo posterior, que corre mais fundo e inerva o extensor ulnar do carpo e o extensor do mínimo;

conferir a comunicação com a interóssea anterior antes de levantar o retalho, porque há variações anatômicas.

Na prova: o pedículo do retalho interósseo posterior fica entre o extensor ulnar do carpo e o extensor do quinto dedo.

D · extensor ulnar do carpo e extensor do quinto dedo

O pedículo corre no septo entre o extensor ulnar do carpo e o extensor do dedo mínimo, no terço médio do antebraço.

A · extensor dos dedos e supinador

O supinador é referência para o nervo interósseo posterior, mais proximal, e não marca o intervalo do pedículo.

B · extensor ulnar do carpo e supinador

O extensor ulnar do carpo é uma das margens, mas a outra é o extensor do dedo mínimo, e não o supinador.

C · extensor dos dedos e extensor do quinto dedo

O intervalo entre o extensor dos dedos e o extensor do mínimo fica radial demais e não contém o pedículo.

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Na lesão do tendão extensor do polegar, a associação com lesão dos tendões do primeiro compartimento dorsal é mais frequente na zona:

  1. III
  2. IV
  3. V
  4. VI

Gabarito: C

Conceito-chave

Os tendões extensores são divididos em zonas para padronizar o diagnóstico e o tratamento das lesões. No polegar, as zonas vão de I a V (às vezes escritas com a letra T):

zona I: articulação interfalângica;

zona II: falange proximal;

zona III: articulação metacarpofalângica;

zona IV: metacarpo;

zona V: punho, na altura da articulação trapeziometacarpiana e do retináculo dos extensores.

Por que a zona V associa lesões: no punho, o extensor longo do polegar (ELP), que vem do 3º compartimento dorsal, passa muito perto do 1º compartimento, onde correm o abdutor longo e o extensor curto do polegar. Os três formam as bordas da tabaqueira anatômica. Um corte transverso no dorso radial do punho atinge os três tendões juntos. Na mesma região, podem ser lesados o ramo superficial do nervo radial e a artéria radial.

Como examinar cada tendão:

ELP: retropulsão, elevar o polegar acima do plano da mão apoiada na mesa;

extensor curto: extensão da metacarpofalângica;

abdutor longo: abdução do polegar para o lado radial.

Na prova: a lesão do extensor do polegar associada à dos tendões do primeiro compartimento é mais frequente na zona V.

C · V

Na zona V, no punho, o extensor longo do polegar passa junto aos tendões do primeiro compartimento, e um mesmo corte atinge os três.

A · III

Na zona III, sobre a metacarpofalângica, os tendões do primeiro compartimento já se inseriram ou se afastaram, então a associação não é típica.

B · IV

Na zona IV, sobre o metacarpo, o extensor longo já se afastou dos tendões do primeiro compartimento.

D · VI

A zona VI pertence à classificação dos dedos longos; no polegar, as zonas vão apenas de I a V.

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Na síndrome cubital, a estrutura que causa compressão do nervo ulnar é o músculo:

  1. supinador
  2. pronador redondo
  3. flexor ulnar do carpo
  4. flexor superficial dos dedos

Gabarito: C

Conceito-chave

A síndrome do túnel cubital é a compressão do nervo ulnar no cotovelo. É a segunda neuropatia compressiva mais comum do membro superior, depois do túnel do carpo.

Onde o nervo é comprimido: o ulnar passa atrás do epicôndilo medial e entra no antebraço entre as duas cabeças do músculo flexor ulnar do carpo (uma presa no úmero e outra na ulna). Essas duas cabeças são unidas por uma faixa fibrosa, a aponeurose do flexor ulnar do carpo (arcada de Osborne). Quando o cotovelo dobra, essa faixa se estica sobre o nervo, e a pressão dentro do túnel aumenta. Por isso os sintomas pioram ao dormir com o braço dobrado ou ao falar ao telefone.

Os sinais:

formigamento no anelar e no mínimo;

perda de sensibilidade no dorso ulnar da mão (o ramo dorsal do ulnar sai antes do punho, o que ajuda a diferenciar da compressão no canal de Guyon);

fraqueza e atrofia dos interósseos, especialmente o primeiro, entre polegar e indicador;

sinal de Froment (o paciente dobra a ponta do polegar para segurar um papel, compensando a fraqueza do adutor);

sinal de Wartenberg (o dedo mínimo fica afastado).

Para não confundir: o supinador comprime o nervo interósseo posterior (ramo do radial), e o pronador redondo e o flexor superficial dos dedos comprimem o nervo mediano.

Tratamento cirúrgico: liberação do nervo no lugar, transposição anterior ou epicondilectomia medial.

Na prova: no túnel cubital, o nervo ulnar é comprimido pelo flexor ulnar do carpo, entre suas duas cabeças.

C · flexor ulnar do carpo

O nervo ulnar passa entre as duas cabeças do flexor ulnar do carpo, e a aponeurose que as une se tensiona sobre ele na flexão do cotovelo.

A · supinador

O supinador comprime o nervo interósseo posterior, ramo do radial, na arcada de Frohse, e não o ulnar.

B · pronador redondo

O pronador redondo comprime o nervo mediano no cotovelo, e não o ulnar.

D · flexor superficial dos dedos

A arcada do flexor superficial dos dedos comprime o mediano ou o interósseo anterior, e não o ulnar.

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A fratura-luxação perissemilunar ocorre por hiperextensão do punho, desvio:

  1. ulnar e pronação intercarpal
  2. radial e pronação intercarpal
  3. ulnar e supinação intercarpal
  4. radial e supinação intercarpal

Gabarito: C

Conceito-chave

Na fratura-luxação perissemilunar, a energia percorre o carpo em volta do semilunar. O padrão clássico resulta de hiperextensão, desvio ulnar e supinação intercarpal. O semilunar inicialmente permanece contido pelos ligamentos palmares, enquanto o escafoide e a fileira distal são forçados a se mover. A falha progride do lado radial para o ulnar.

A palavra fratura diferencia o grande arco, em que a trajetória passa por ossos e ligamentos, do pequeno arco, predominantemente ligamentar. Uma fratura do escafoide pode substituir a ruptura escafossemilunar na trajetória da força; por isso, não se deve presumir que toda fratura-luxação rompa obrigatoriamente esse ligamento.

Existe uma sequência invertida, com desvio radial e pronação, que começa pela ligação lunopiramidal. Distinguir os dois sentidos explica as alternativas melhor do que decorar apenas um dos movimentos. Fonte secundária: resumo do Rockwood and Green, 10ª edição, capítulo 44, seção Mayfield e a luxação perilunar.

C · ulnar e supinação intercarpal

Correta: C (ulnar e supinação intercarpal). A combinação acrescenta à hiperextensão os dois componentes do arco perilunar clássico. Na fratura-luxação, a força pode atravessar a cintura do escafoide em vez de se limitar aos ligamentos.

A · ulnar e pronação intercarpal

O desvio ulnar foi mantido, mas a rotação foi trocada por pronação. Isso não corresponde ao mecanismo clássico, no qual a supinação intercarpal integra a força que se propaga do lado radial para o ulnar.

B · radial e pronação intercarpal

Desvio radial com pronação descreve o mecanismo invertido. Ele também pode produzir lesão perilunar, mas inicia a sequência pelo lunopiramidal; o enunciado e o gabarito tratam do padrão clássico, sem qualificação de invertido.

D · radial e supinação intercarpal

A supinação é compatível com o padrão clássico, mas o desvio radial não completa esse mesmo mecanismo. Também não descreve a forma invertida, que associa o desvio radial à pronação, e não à supinação.

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Na lesão fechada do tendão flexor profundo dos dedos, segundo a classificação de LEDDY & PACKER, ocorre ruptura de ambas as vínculas no tipo:

  1. I
  2. II
  3. III
  4. IV

Gabarito: A

Conceito-chave

O flexor profundo dos dedos (FPD) se insere na falange distal e é o único que dobra a ponta do dedo. Sua avulsão fechada acontece quando o dedo está fazendo força para fletir e é estendido à força, como ao agarrar a camisa de um adversário que puxa (daí o nome dedo de jérsei). O dedo mais acometido é o anelar.

As vínculas: são pequenas faixas de tecido que ligam os tendões flexores ao osso e levam vasos sanguíneos até eles. Cada flexor tem um vínculo curto, perto da inserção, e um vínculo longo, mais proximal. Elas também seguram o tendão, impedindo que ele retraia demais se for cortado.

A classificação de Leddy e Packer:

tipo I: o tendão retrai até a palma, porque as duas vínculas rompem. Sem elas, o tendão perde a irrigação e encurta rapidamente. Precisa ser reinserido em 7 a 10 dias;

tipo II: o tendão retrai até a altura da interfalângica proximal, segurado pelo vínculo longo, que continua íntegro. Pode ser reparado mais tarde;

tipo III: há um fragmento ósseo grande arrancado junto, que fica preso na polia A4 e impede a retração. As vínculas estão íntegras. Fixa-se o fragmento;

tipo IV: fratura com fragmento ósseo e, além disso, o tendão também se solta do fragmento e retrai.

Na prova: no tipo I de Leddy e Packer, as duas vínculas rompem, o tendão vai até a palma e o reparo deve ser feito em 7 a 10 dias.

A · I

No tipo I, as duas vínculas rompem, o tendão retrai até a palma e perde a irrigação, exigindo reparo em 7 a 10 dias.

B · II

No tipo II o vínculo longo continua íntegro e segura o tendão na altura da interfalângica proximal.

C · III

No tipo III, um fragmento ósseo grande fica retido na polia A4, e as vínculas estão íntegras.

D · IV

O tipo IV é a lesão dupla, com fratura e o tendão avulsionado também do fragmento ósseo, e não a ruptura das duas vínculas.

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No desenvolvimento embrionário, as malformações por interrupção da organogênese normal da gestação ocorrem durante o:

  1. primeiro mês
  2. segundo mês
  3. terceiro mês
  4. quarto mês

Gabarito: C

Conceito-chave

O membro superior se forma muito cedo na gestação. Conhecer a cronologia ajuda a entender quando uma agressão (um medicamento, uma infecção, uma alteração genética) pode causar uma malformação.

A sequência do desenvolvimento:

por volta da 4ª semana (cerca de 26 dias), surge o broto do membro superior;

na 5ª e 6ª semanas, forma-se a placa da mão;

na 7ª semana, aparecem os raios dos dedos, e as células entre eles começam a morrer de forma programada (apoptose) para separá-los;

por volta da 8ª semana, os dedos estão separados e a organogênese (a formação dos órgãos e estruturas) dos membros termina;

do 3º mês em diante, predominam crescimento, ossificação e maturação.

A diferença entre malformação e deformação:

agressões durante a organogênese causam malformações: a estrutura não se forma ou se forma errada. O exemplo clássico é a talidomida, que causou focomelia (mãos ligadas diretamente ao tronco);

depois desse período, predominam as deformações: uma estrutura que se formou normal é alterada por forças externas, como as bridas amnióticas, que estrangulam os dedos.

Sobre esta questão: o gabarito oficial é o terceiro mês, que corresponde a considerar a organogênese até o fim do primeiro trimestre. Pela embriologia atual, o período crítico dos membros se concentra entre a 4ª e a 8ª semanas, isto é, principalmente no segundo mês.

Na prova: o gabarito aceita o terceiro mês, mas a organogênese dos membros se concentra entre a 4ª e a 8ª semanas.

C · terceiro mês

É o gabarito oficial: a banca considera a organogênese até o fim do primeiro trimestre, embora os eventos críticos dos membros ocorram entre a 4ª e a 8ª semanas.

A · primeiro mês

No primeiro mês o broto do membro está apenas começando a surgir, no fim da quarta semana.

B · segundo mês

O segundo mês concentra o período crítico real dos membros, mas não foi a resposta aceita pelo gabarito.

D · quarto mês

No quarto mês a organogênese já terminou e predominam crescimento e maturação.

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Na paralisia obstétrica, a ausência do movimento de rotação lateral do ombro é decorrente da lesão do nervo:

  1. axilar
  2. torácico longo
  3. supraescapular
  4. dorsal da escápula

Gabarito: C

Conceito-chave

A paralisia obstétrica do plexo braquial é a lesão dos nervos do braço durante o parto, geralmente por tração do pescoço do bebê em partos difíceis (como na distocia de ombro). O plexo braquial é a rede formada pelas raízes de C5 a T1, que dá todos os nervos do membro superior.

Os tipos:

paralisia de Erb (superior), a mais comum: atinge C5 e C6, às vezes C7. O braço fica caído junto ao corpo, em rotação interna, com o cotovelo estendido, o antebraço pronado e o punho fletido, na postura de "garçom pedindo gorjeta";

paralisia total (C5 a T1): o membro inteiro fica flácido;

paralisia de Klumpke (C8 e T1): rara, com mão em garra.

Quem faz a rotação lateral (externa) do ombro:

o infraespinal, principal rotador lateral, inervado pelo nervo supraescapular, que sai do tronco superior do plexo (C5 e C6);

o redondo menor, inervado pelo nervo axilar.

Por que a rotação lateral se perde: na lesão de C5 e C6, o supraescapular deixa de funcionar e o infraespinal para. Os rotadores internos (subescapular, peitoral maior, redondo maior), com inervação mais preservada, puxam o ombro para rotação interna sem oposição.

A consequência: com o tempo, o ombro preso em rotação interna leva a displasia glenoumeral: a glenoide fica retrovertida e a cabeça do úmero subluxa para trás. Por isso, nas reconstruções, uma transferência comum é ligar o nervo acessório ao supraescapular.

Na prova: na paralisia obstétrica, a falta de rotação lateral do ombro decorre da lesão do nervo supraescapular.

C · supraescapular

O infraespinal, principal rotador lateral do ombro, é inervado pelo nervo supraescapular; sem ele, o ombro fica preso em rotação interna.

A · axilar

O axilar inerva o deltoide e o redondo menor; sua perda se nota principalmente na abdução do ombro, e não é a causa principal da falta de rotação lateral.

B · torácico longo

O torácico longo inerva o serrátil anterior, e sua lesão causa escápula alada, não perda da rotação do úmero.

D · dorsal da escápula

O dorsal da escápula inerva os romboides e o levantador da escápula, que movem a escápula, e não o úmero.

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No processo de cicatrização dos tendões flexores da mão, o fechamento das polias favorece:

  1. a formação de aderências
  2. o mecanismo intrínseco de cicatrização
  3. o mecanismo extrínseco de cicatrização
  4. a proliferação de fibroblastos periféricos

Gabarito: A

Conceito-chave

Depois de reparado, um tendão flexor pode cicatrizar por duas vias:

cicatrização intrínseca: as próprias células do tendão (tenócitos) e do epitendão (a camada que o reveste) produzem o colágeno da cicatriz. Elas são nutridas pelo líquido sinovial dentro da bainha. É a cicatrização ideal: o tendão se reconstitui por dentro e continua deslizando livremente;

cicatrização extrínseca: células que vêm de fora, do tecido ao redor do tendão e da bainha, invadem o local do reparo. O tecido cicatricial resultante gruda o tendão às estruturas vizinhas. Essas pontes são as aderências, que impedem o deslizamento e deixam o dedo rígido.

O que favorece cada via:

a via intrínseca é favorecida por reparo fino e delicado, mobilização precoce, bainha que não aperta o tendão e boa nutrição;

a via extrínseca (aderência) é favorecida por reparo volumoso, manipulação traumática, imobilização, perda de irrigação e fechar a polia apertada sobre o reparo.

As polias: são faixas que seguram os flexores junto ao osso. As mais importantes são A2 e A4: perdê-las faz o tendão se afastar do osso como a corda de um arco. Por isso não se retiram, mas muitos cirurgiões abrem parcialmente a polia (ventilação) em vez de fechá-la apertada sobre o reparo, que fica mais grosso.

Na prova: fechar a polia sobre o reparo favorece a formação de aderências.

A · a formação de aderências

É o gabarito oficial: fechar a polia apertada sobre um reparo volumoso aumenta o atrito e estimula a resposta do tecido ao redor, cujo resultado é a aderência.

B · o mecanismo intrínseco de cicatrização

A cicatrização intrínseca é favorecida pelo oposto: reparo fino, bainha folgada e mobilização precoce.

C · o mecanismo extrínseco de cicatrização

Cicatrização extrínseca e aderência são, na prática, o mesmo fenômeno; a banca aceitou apenas a formulação da alternativa A.

D · a proliferação de fibroblastos periféricos

A proliferação de fibroblastos vindos da periferia é o processo por trás da aderência; a banca preferiu a formulação do resultado final.

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Na doença de KIENBOCK, a classificação de LICHTMAN grau IIIB é caracterizado por:

  1. esclerose do semilunar
  2. rotação fixa do escafoide
  3. diminuição da altura carpal
  4. fragmentação do semilunar

Gabarito: B

Conceito-chave

A doença de Kienböck é a necrose avascular do semilunar: o osso perde a irrigação, morre, enfraquece e acaba colapsando. Causa dor e rigidez no punho, geralmente em adultos jovens.

A classificação de Lichtman, baseada na imagem:

estágio I: radiografia normal; só a ressonância mostra a alteração;

estágio II: o semilunar fica esclerótico (mais branco e denso), mas mantém a forma;

estágio IIIA: o semilunar colapsa ou se fragmenta, mas o alinhamento do carpo está preservado;

estágio IIIB: além do colapso, o carpo perde o alinhamento: o escafoide roda e fica fixo em flexão. Na radiografia, aparece o sinal do anel cortical (o escafoide "deitado" visto de ponta), o ângulo entre rádio e escafoide passa de 60° e o capitato migra para cima, para o espaço deixado pelo semilunar;

estágio IIIC: fratura crônica no plano coronal do semilunar;

estágio IV: artrose do punho.

Por que o IIIB muda a conduta: até o IIIA, o objetivo é aliviar a carga sobre o semilunar e tentar revascularizá-lo (encurtar o rádio, enxerto vascularizado). No IIIB, com o carpo desalinhado, passa-se a fazer artrodeses parciais (escafotrapeziotrapezoide ou escafocapitato) ou a ressecção da fileira proximal.

Na prova: Lichtman IIIB é o colapso do semilunar com rotação fixa do escafoide em flexão.

B · rotação fixa do escafoide

No estágio IIIB, além do colapso do semilunar, o escafoide fica fixo em flexão e o carpo perde o alinhamento.

A · esclerose do semilunar

A esclerose do semilunar, sem colapso, caracteriza o estágio II.

C · diminuição da altura carpal

A diminuição da altura carpal é consequência do colapso e também aparece no estágio IV; não é o critério que define o IIIB.

D · fragmentação do semilunar

A fragmentação do semilunar ocorre tanto no IIIA quanto no IIIB; o que separa o IIIB é a rotação fixa do escafoide.

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Na sinostose radioulnar proximal, a complicação mais frequente após osteotomia derrotatória de 90 graus é a:

  1. pseudoartrose
  2. recidiva da sinostose
  3. lesão do nervo radial
  4. síndrome compartimental

Gabarito: D

Conceito-chave

A sinostose radioulnar congênita é a fusão entre o rádio e a ulna na parte proximal do antebraço, porque eles não se separaram durante a formação do embrião. É bilateral em cerca de 60% dos casos.

A consequência: sem a articulação entre os dois ossos, o antebraço não gira. Fica fixo numa posição, muitas vezes em pronação (palma para baixo). A criança compensa girando o ombro e o punho.

Quando operar: quando a pronação fixa é grande (acima de cerca de 60°) e atrapalha a função, como levar a mão à boca ou receber objetos com a palma para cima. Faz-se uma osteotomia derrotativa: corta-se o osso fundido e gira-se o antebraço para uma posição mais útil, geralmente perto da posição neutra.

A complicação mais frequente: quando a rotação é grande e feita de uma vez, por exemplo 90°, os músculos, a fáscia e os vasos do antebraço são torcidos. Isso pode dificultar o retorno do sangue e aumentar a pressão dentro dos compartimentos musculares: é a síndrome compartimental.

Como prevenir:

limitar a correção aguda a cerca de 60° a 85°;

fazer a osteotomia em dois níveis ou a correção gradual com fixador externo;

considerar a fasciotomia profilática;

vigiar a circulação e a dor desproporcional no pós-operatório.

Na prova: a complicação mais frequente da derrotação de 90° na sinostose radioulnar é a síndrome compartimental.

D · síndrome compartimental

Girar 90° de uma vez torce músculos, fáscia e vasos do antebraço, e a síndrome compartimental é a complicação mais frequente.

A · pseudoartrose

A pseudartrose é incomum, porque as crianças consolidam bem as osteotomias.

B · recidiva da sinostose

A recidiva é problema da tentativa de separar os ossos com interposição; a osteotomia derrotativa não separa os ossos, apenas muda a posição.

C · lesão do nervo radial

A lesão do nervo radial ou do interósseo posterior é possível, mas menos frequente que a complicação vascular.

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Na deficiência longitudinal do rádio e da ulna, os tipos mais comuns, segundo a classificação de BAYNE, são respectivamente:

  1. I e II
  2. I e III
  3. IV e I
  4. IV e III

Gabarito: C

Conceito-chave

As deficiências longitudinais são malformações em que um osso do antebraço falta total ou parcialmente, ao longo de todo o eixo do membro.

Deficiência longitudinal radial (mão torta radial), classificação de Bayne e Klug:

tipo 0: rádio normal, com hipoplasia do carpo ou do polegar;

tipo I: rádio distal curto;

tipo II: rádio em miniatura, hipoplásico;

tipo III: ausência parcial, geralmente da parte distal;

tipo IV: ausência completa do rádio, o mais comum.

Sem o rádio para apoiar, a mão se desvia para o lado radial, e o polegar costuma ser pequeno ou ausente. Ela se associa a doenças de outros órgãos: VACTERL, Holt-Oram (cardiopatia), TAR (plaquetas baixas) e anemia de Fanconi.

Deficiência longitudinal ulnar, classificação de Bayne:

tipo I: ulna hipoplásica (curta, mas com as epífises presentes), o mais comum;

tipo II: ausência parcial;

tipo III: ausência total;

tipo IV: fusão entre rádio e úmero.

A deficiência ulnar é menos frequente que a radial e se associa mais a anomalias do próprio esqueleto do que de outros órgãos.

Na prova: o tipo mais comum na deficiência radial é o IV (ausência completa), e na ulnar é o I (hipoplasia).

C · IV e I

Na deficiência radial predomina o tipo IV, com ausência completa do rádio, e na ulnar predomina o tipo I, com hipoplasia da ulna.

A · I e II

O tipo I radial, com rádio apenas curto, não é o mais comum; predomina a ausência completa.

B · I e III

Erra os dois: nem o tipo I radial nem o tipo III ulnar são os mais frequentes.

D · IV e III

O tipo IV radial está certo, mas na deficiência ulnar o mais comum é o tipo I, e não o III.

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A contratura de DUPUYTREN é mais frequente nos pacientes do gênero:

  1. masculino e de padrão simétrico
  2. masculino e de padrão assimétrico
  3. feminino e de padrão simétrico
  4. feminino e de padrão assimétrico

Gabarito: B

Conceito-chave

A contratura de Dupuytren é uma doença da fáscia palmar, a camada fibrosa que fica logo abaixo da pele da palma. Células chamadas miofibroblastos (fibroblastos que se contraem como músculo) formam nódulos e depois cordas que puxam os dedos para dentro da palma, impedindo que se estendam.

Quem tem:

predomina muito nos homens, várias vezes mais que nas mulheres;

acima dos 40 anos;

mais em pessoas de ascendência do norte da Europa;

os dedos mais acometidos são o anelar e o mínimo.

O padrão: é frequentemente bilateral, mas assimétrico: uma mão costuma estar bem mais avançada que a outra. Por exemplo, uma mão já com corda e dedo dobrado e a outra apenas com um nódulo.

A diátese de Dupuytren é a forma mais agressiva, com maior risco de recidiva após o tratamento. Sinais: história familiar, início antes dos 50 anos, doença bilateral, espessamento no dorso dos dedos (almofadas de Garrod), lesão parecida na planta do pé (Ledderhose) e no pênis (Peyronie).

Fatores associados: diabetes, tabagismo, álcool, epilepsia e trabalho com vibração.

Uma corda importante: a corda espiral pode deslocar o feixe de nervo e artéria do dedo para o centro e para a superfície, o que aumenta o risco de lesá-lo na cirurgia.

Na prova: Dupuytren é mais frequente em homens e tem padrão assimétrico, mesmo quando bilateral.

B · masculino e de padrão assimétrico

A doença predomina nos homens e, embora muitas vezes bilateral, é assimétrica, com uma mão bem mais avançada.

A · masculino e de padrão simétrico

O sexo está certo, mas bilateral não significa simétrico: o comum é uma mão bem mais acometida que a outra.

C · feminino e de padrão simétrico

O sexo está invertido: a doença é bem menos frequente em mulheres, e o padrão não é simétrico.

D · feminino e de padrão assimétrico

O padrão assimétrico está certo, mas a doença predomina nos homens, e não nas mulheres.

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