A técnica cirúrgica para neurorrafia de nervo periférico mostrada na imagem a seguir é denominada

- epineural.
- perineural.
- endoneural.
- interfascicular.
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Conceito-chave
A imagem. Mostra os cotos de um nervo cortado, com os fascículos expostos. Os pontos passam pela bainha de cada fascículo (o perineuro), alinhando fascículo com fascículo. Essa é a neurorrafia perineural (fascicular).
A arquitetura do nervo periférico. Um nervo periférico é organizado em camadas de tecido conjuntivo, como um cabo elétrico com vários fios encapados dentro de uma capa comum.
| Camada | O que envolve | Função |
|---|---|---|
| Endoneuro | Cada fibra nervosa (axônio com sua bainha de Schwann) | Tecido frouxo; ambiente da fibra |
| Perineuro | Cada fascículo (um grupo de fibras) | Denso e resistente; barreira hematoneural; resistência à tração |
| Epineuro interno | Preenche o espaço entre os fascículos | Amortecimento; vasos |
| Epineuro externo | Envolve o nervo inteiro | Proteção; sutura epineural |
| Mesoneuro | Liga o nervo às estruturas vizinhas | Permite o deslizamento do nervo |
O perineuro. É formado por várias camadas de células achatadas, unidas por junções firmes. Ele:
- mantém a pressão dentro do fascículo;
- forma a barreira hematoneural, que protege as fibras de substâncias do sangue;
- dá ao nervo grande parte da sua resistência à tração.
Por que isso importa na cirurgia.
- Sutura epineural: pontos no epineuro externo, alinhando o nervo pela posição dos vasos. É a técnica mais usada.
- Sutura perineural (fascicular): pontos no perineuro, alinhando grupos de fascículos. Mais precisa, mas causa mais trauma e cicatriz; útil quando os fascículos motores e sensitivos estão bem separados (por exemplo, no ulnar distal).
- Sutura epiperineural: combina as duas.
A relação com as lesões nervosas (Sunderland).
- 1º grau: neuropraxia (bloqueio de condução, sem lesão do axônio).
- 2º grau: lesão do axônio, com o endoneuro íntegro (axonotmese de bom prognóstico).
- 3º grau: lesão do endoneuro, com o perineuro íntegro.
- 4º grau: lesão do perineuro, só o epineuro íntegro (neuroma em continuidade).
- 5º grau: secção completa (neurotmese).
Quanto mais camadas lesadas, menor a chance de recuperação espontânea. A partir do 4º grau, a cirurgia é necessária.
As técnicas de neurorrafia, comparadas.
| Técnica | Onde passa o ponto | Vantagens e limites |
|---|---|---|
| Epineural | Epineuro externo (bainha do nervo inteiro) | Simples, rápida, menos trauma; o alinhamento é guiado pelos vasos da superfície |
| Perineural (fascicular) | Perineuro de cada fascículo | Alinhamento mais preciso; mais trauma, mais material de sutura e mais cicatriz |
| Epiperineural | Epineuro e perineuro juntos | Combina as duas |
| Por grupos fasciculares | Epineuro interno, entre grupos de fascículos | Para nervos com grupos bem definidos (motor e sensitivo) |
Os estudos não mostraram vantagem clara da perineural sobre a epineural na maioria das lesões. A perineural é útil quando os fascículos motores e sensitivos estão bem separados, como no nervo ulnar distal (ramo motor profundo e ramo sensitivo).
Os princípios de qualquer neurorrafia.
- Cotos limpos, cortados até encontrar fascículos de aspecto normal.
- Sem tensão: se houver falha, usar enxerto de nervo (sural) ou conduto.
- Alinhamento correto dos fascículos.
- Fios finos (8-0 a 10-0) e magnificação (microscópio ou lupa).
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