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Questão de Lesões de nervos periféricos (TARO 2026)

Mão e punhoLesões de nervos periféricosTARO 2026

A técnica cirúrgica para neurorrafia de nervo periférico mostrada na imagem a seguir é denominada

Figura da questão mao-0571
  1. epineural.
  2. perineural.
  3. endoneural.
  4. interfascicular.
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Gabarito: B · perineural.

Conceito-chave

A imagem. Mostra os cotos de um nervo cortado, com os fascículos expostos. Os pontos passam pela bainha de cada fascículo (o perineuro), alinhando fascículo com fascículo. Essa é a neurorrafia perineural (fascicular).

A arquitetura do nervo periférico. Um nervo periférico é organizado em camadas de tecido conjuntivo, como um cabo elétrico com vários fios encapados dentro de uma capa comum.

CamadaO que envolveFunção
EndoneuroCada fibra nervosa (axônio com sua bainha de Schwann)Tecido frouxo; ambiente da fibra
PerineuroCada fascículo (um grupo de fibras)Denso e resistente; barreira hematoneural; resistência à tração
Epineuro internoPreenche o espaço entre os fascículosAmortecimento; vasos
Epineuro externoEnvolve o nervo inteiroProteção; sutura epineural
MesoneuroLiga o nervo às estruturas vizinhasPermite o deslizamento do nervo

O perineuro. É formado por várias camadas de células achatadas, unidas por junções firmes. Ele:

  • mantém a pressão dentro do fascículo;
  • forma a barreira hematoneural, que protege as fibras de substâncias do sangue;
  • dá ao nervo grande parte da sua resistência à tração.

Por que isso importa na cirurgia.

  • Sutura epineural: pontos no epineuro externo, alinhando o nervo pela posição dos vasos. É a técnica mais usada.
  • Sutura perineural (fascicular): pontos no perineuro, alinhando grupos de fascículos. Mais precisa, mas causa mais trauma e cicatriz; útil quando os fascículos motores e sensitivos estão bem separados (por exemplo, no ulnar distal).
  • Sutura epiperineural: combina as duas.

A relação com as lesões nervosas (Sunderland).

  • 1º grau: neuropraxia (bloqueio de condução, sem lesão do axônio).
  • 2º grau: lesão do axônio, com o endoneuro íntegro (axonotmese de bom prognóstico).
  • 3º grau: lesão do endoneuro, com o perineuro íntegro.
  • 4º grau: lesão do perineuro, só o epineuro íntegro (neuroma em continuidade).
  • 5º grau: secção completa (neurotmese).

Quanto mais camadas lesadas, menor a chance de recuperação espontânea. A partir do 4º grau, a cirurgia é necessária.

As técnicas de neurorrafia, comparadas.

TécnicaOnde passa o pontoVantagens e limites
EpineuralEpineuro externo (bainha do nervo inteiro)Simples, rápida, menos trauma; o alinhamento é guiado pelos vasos da superfície
Perineural (fascicular)Perineuro de cada fascículoAlinhamento mais preciso; mais trauma, mais material de sutura e mais cicatriz
EpiperineuralEpineuro e perineuro juntosCombina as duas
Por grupos fascicularesEpineuro interno, entre grupos de fascículosPara nervos com grupos bem definidos (motor e sensitivo)

Os estudos não mostraram vantagem clara da perineural sobre a epineural na maioria das lesões. A perineural é útil quando os fascículos motores e sensitivos estão bem separados, como no nervo ulnar distal (ramo motor profundo e ramo sensitivo).

Os princípios de qualquer neurorrafia.

  • Cotos limpos, cortados até encontrar fascículos de aspecto normal.
  • Sem tensão: se houver falha, usar enxerto de nervo (sural) ou conduto.
  • Alinhamento correto dos fascículos.
  • Fios finos (8-0 a 10-0) e magnificação (microscópio ou lupa).

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