De acordo com a classificação de Lichtman para doença de kienbock, o colapso do semilunar com migração proximal do capitato caracteriza o tipo:
- II
- III A
- III B
- IV
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Conceito-chave
O que é a doença de Kienböck? É a osteonecrose do semilunar, descrita por Robert Kienböck em 1910. A causa exata não é conhecida, e o modelo aceito combina fatores. Vascularização vulnerável: alguns semilunares recebem vasos por apenas uma das faces, palmar ou dorsal, ou têm pouca anastomose interna. Carga mecânica: o semilunar fica entre o rádio e o capitato e recebe força a cada preensão. Variância ulnar negativa: quando a ulna é mais curta que o rádio, o semilunar apoia mais sobre o rádio e menos sobre o complexo da fibrocartilagem triangular, aumentando o estresse. Há ainda fatores como inclinação do rádio e formato do semilunar. Acomete principalmente adultos jovens, homens, com dor no punho dorsal central e perda de força.
Por que classificar? O semilunar necrosado passa por fases previsíveis: primeiro edema e isquemia, depois esclerose, fragmentação e colapso. Quando ele perde altura, o capitato desce para o espaço que sobrou, a fileira proximal perde seu apoio central e o escafoide gira em flexão. Por fim, a carga anormal produz artrose. A classificação de Lichtman, baseada em radiografia e ressonância, segue essa sequência e é usada para escolher o tratamento.
| Estágio | Achado | Implicação |
|---|---|---|
| I | Radiografia normal ou traço de fratura; ressonância com sinal alterado | Imobilização e redução de carga |
| II | Esclerose do semilunar, forma e altura preservadas | Procedimentos de nivelamento articular ou enxerto vascularizado |
| IIIA | Colapso do semilunar, altura do carpo e alinhamento do escafoide preservados | Ainda candidato a nivelamento ou revascularização |
| IIIB | Colapso com migração proximal do capitato e flexão fixa do escafoide | Instabilidade carpal: artrodeses intercárpicas (escafotrapeziotrapezoide ou escafocapitato) ou carpectomia proximal |
| IIIC | Fratura coronal crônica do semilunar | Semilunar não reconstruível; cirurgias de salvamento |
| IV | Colapso com artrose radiocárpica ou mediocárpica | Carpectomia proximal se o capitato estiver bom, artrodese do punho, denervação |
Como diferenciar IIIA de IIIB na radiografia? O que define IIIB não é o grau de achatamento do semilunar, mas a consequência no carpo. Procure a perda da altura do carpo (índice de Ståhl e de Youm), o capitato ocupando o espaço do semilunar, o sinal do anel do escafoide em flexão e o ângulo radioescafoide aumentado, tradicionalmente acima de 60 graus. Se o escafoide ainda está alinhado e a altura do carpo preservada, é IIIA, mesmo com o semilunar achatado.
Tratamento conforme o estágio. No II e IIIA, com variância ulnar negativa, o encurtamento do rádio descarrega o semilunar; com variância neutra ou positiva, pode-se usar osteotomia em cunha do rádio, descompressão metafisária ou enxerto ósseo vascularizado, como o pedículo das artérias compartimentais extensoras 4 e 5. No IIIB, o problema já é a instabilidade do carpo, e o nivelamento isolado não corrige o escafoide; por isso as opções incluem artrodeses que estabilizam o escafoide ou a carpectomia proximal. Em adolescentes, o prognóstico é melhor e o tratamento costuma ser mais conservador.
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