Os tendões extensores dos dedos são divididos em zonas conforme sua localização. Cada zona tem suas características com relação ao reparo de lesões. Dessa forma,
- o deslocamento radial pela ruptura da banda sagital ocorre na zona V.
- a deficiência pode ser mascarada pelas junções tendíneas, em lesões na zona VI.
- o reparo é feito no III compartimento extensor, na zona VII.
- as lesões da zona VIII têm como característica a miorrafia.
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Conceito-chave
Por que dividir os extensores em zonas? O aparelho extensor muda muito do antebraço até a ponta do dedo: começa como músculos, vira tendões cilíndricos sob o retináculo e se transforma, no dedo, numa lâmina fina com bandas centrais e laterais. Cada região tem anatomia, mecanismo de lesão, técnica de reparo e prognóstico próprios. A classificação de Kleinert e Verdan organiza essas regiões em zonas numeradas da distal para a proximal; as zonas ímpares ficam sobre as articulações.
| Zona | Localização |
|---|---|
| I | Interfalângica distal (dedo em martelo) |
| II | Falange média |
| III | Interfalângica proximal (botoeira) |
| IV | Falange proximal |
| V | Metacarpofalângica (bandas sagitais; mordida em soco) |
| VI | Dorso da mão, sobre os metacarpos |
| VII | Punho, sob o retináculo dos extensores |
| VIII | Antebraço distal, junção musculotendínea |
| IX | Antebraço proximal, ventres musculares |
No polegar, as zonas vão de T-I (interfalângica) a T-V (punho).
O que muda em cada zona.
- Zona V: as bandas sagitais centralizam o tendão extensor sobre a cabeça do metacarpo. A ruptura da banda sagital radial, mais comum no dedo médio, deixa o tendão escorregar para o lado ulnar (luxação do extensor, ou boxer's knuckle). Feridas nessa zona devem ser consideradas mordida humana até prova em contrário.
- Zona VI: o tendão é largo e fácil de suturar, e o prognóstico é bom. Mas as junções tendíneas (juncturae tendinum), faixas que ligam os extensores comuns entre si, podem transmitir força de um tendão vizinho e permitir que o dedo estenda mesmo com o tendão cortado proximal à junção. O exame pode parecer normal; a extensão é fraca e a ferida deve ser explorada.
- Zona VII: os tendões passam pelos seis compartimentos sob o retináculo. O reparo é difícil pelo risco de aderências e pode exigir abertura parcial do retináculo, preservando parte para evitar efeito de corda de arco.
- Zona VIII: junção musculotendínea; os cotos musculares seguram mal a sutura.
- Zona IX: ventres musculares; o reparo é uma miorrafia, geralmente com sutura da fáscia que envolve o músculo, e pode haver lesão de ramos do nervo interósseo posterior.
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