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Questão de Imagem da mão e punho (UFG 2017)

Mão e punhoImagem da mão e punhoUFG 2017

Leia o caso clínico a seguir. Paciente do sexo feminino deu entrada no pronto-socorro, referindo dor intensa no punho direito e aumento de volume, sem deformidade aparente, após trauma banal há 24 horas, com limitação importante do arco de movimento. A radiografia mostra uma lesão lítica expansiva que compromete toda a região metafisária distal, com uma fratura metafisária do rádio distal patológica. A RNMG evidencia invasão de partes moles. Qual é o provável diagnóstico?

  1. Cisto ósseo aneurismático.
  2. Cisto ósseo simples.
  3. Encondroma.
  4. Tumor de células gigantes.
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Gabarito: D · Tumor de células gigantes.

Conceito-chave

Como raciocinar diante de uma lesão lítica no rádio distal? Quatro dados orientam o diagnóstico: idade do paciente, localização no osso (epífise, metáfise ou diáfise; central ou excêntrica), comportamento da lesão (margens, expansão, ruptura da cortical) e relação com partes moles. Neste caso temos uma adulta, uma lesão lítica expansiva que ocupa toda a região distal do rádio, fratura patológica após trauma banal e invasão de partes moles na ressonância. Isso descreve um tumor localmente agressivo.

Tumor de células gigantes (TCG). É benigno, mas localmente agressivo. Acomete adultos jovens, entre 20 e 40 anos, com placa de crescimento fechada, e é um pouco mais comum em mulheres. Localiza-se tipicamente na epífise e se estende para a metáfise, chegando até o osso subcondral; é lítico, excêntrico, sem halo esclerótico e frequentemente expansivo. O rádio distal é o terceiro local mais frequente, depois do fêmur distal e da tíbia proximal. Histologicamente há células estromais neoplásicas que expressam RANKL e atraem numerosas células gigantes semelhantes a osteoclastos, que reabsorvem osso. Esse mecanismo explica o uso do denosumabe, anticorpo anti-RANKL.

Classificação de Campanacci.

GrauRadiografiaComportamento
ILesão bem delimitada, cortical intactaLatente
IICortical afilada e expandida, ainda contínuaAtivo
IIICortical rompida, extensão para partes molesAgressivo

O caso do enunciado, com invasão de partes moles, corresponde a grau III.

Por que o rádio distal merece atenção especial? Nessa localização, o TCG tende a ser mais agressivo, tem maior taxa de recidiva após curetagem e maior chance de metástase pulmonar benigna, que ocorre em poucos por cento dos casos. Por isso se pede tomografia de tórax no estadiamento. O tratamento de lesões contidas é curetagem estendida com adjuvantes (fenol, nitrogênio líquido ou cauterização) e preenchimento com cimento ou enxerto. Em lesões grau III com destruição articular, faz-se ressecção em bloco do rádio distal e reconstrução: enxerto de fíbula proximal, aloenxerto osteoarticular, translocação da ulna ou artrodese do punho. O denosumabe pode reduzir a lesão antes da cirurgia, mas aumenta o risco de recidiva quando se opta pela curetagem.

Diagnóstico diferencial.

LesãoIdade típicaLocalPista
TCG20 a 40 anosEpífise e metáfise, excêntrico, até o subcondralPode romper cortical e invadir partes moles
Cisto ósseo aneurismáticoMenos de 20 anosMetáfise, excêntricoNíveis líquido-líquido; expansão contida por casca periosteal
Cisto ósseo simples5 a 15 anosMetáfise central de úmero ou fêmur proximalSinal do fragmento caído; raro no rádio
EncondromaQualquer idade, adultosFalanges e metacarposCalcificações em anel e arco; não invade partes moles

Vale lembrar que um cisto ósseo aneurismático secundário pode surgir dentro de um TCG, e que a biópsia é obrigatória antes de qualquer ressecção.

Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.

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