Homem de 30 anos tem fratura articular do rádio distal após acidente de moto. No perfil, a distância anteroposterior do rádio distal é maior que a do lado oposto e a concavidade da faceta semilunar deixou de acompanhar a superfície proximal do semilunar. O que esse achado indica?
- Impacção isolada da fossa do escafoide, que se corrige elevando o fragmento por uma janela dorsal
- Inclinação dorsal extra-articular do fragmento distal, corrigida apenas pela restauração da inclinação volar
- Translação radial do fragmento distal no plano coronal (coronal shift), vista na incidência posteroanterior
- Separação coronal da faceta semilunar, com fragmento volar que precisa ser fixado diretamente para evitar subluxação volar do carpo
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Conceito-chave
Dois sinais do perfil que denunciam a faceta semilunar. No rádio distal, a faceta do semilunar tem uma borda volar que o Green chama de "lágrima": é o pilar que impede o carpo de escorregar para a palma. Fraturas que partem a faceta semilunar no plano coronal, separando um fragmento volar e um dorsal, são difíceis de ver no perfil, e o Green ensina duas pistas.
A distância anteroposterior. É medida "entre as bordas dorsal distal e volar da faceta semilunar"; a média é de 18 a 20 mm, e o ideal é comparar com o lado não lesionado. "Um alargamento levanta a suspeita de uma divisão da fossa do rádio no plano coronal, que pode ser difícil de ser apreciada na incidência lateral sem tomografia computadorizada" (Green, cap. 15, p. 604). A Fig. 15.10 mostra o normal, cerca de 20 mm no homem e 18 mm na mulher, e um punho lesionado com cerca de 28 mm (p. 610).
A concentricidade. "Em um punho normal, a curvatura da faceta semilunar do rádio e a curvatura do osso semilunar na projeção lateral são praticamente concêntricas" (Green, cap. 15, p. 604). Quando deixam de ser, há divisão coronal da faceta semilunar ou desalinhamento radiocárpico; se não corrigida, a distância AP aumentada se associa a mais artrose radiográfica (p. 605).
Por que fixar o fragmento volar. O Green é enfático: o fragmento volar-ulnar, em forma de lágrima, é a metade volar da faceta semilunar e, pelo ligamento radiossemilunar curto, "constitui a principal restrição à subluxação volar do carpo"; é também estabilizador da radioulnar distal. "A falha em reconhecer ou estabilizar adequadamente esse fragmento pode resultar na dramática subluxação palmar tardia do carpo" (cap. 15, p. 640). A placa volar padrão pode não segurá-lo, e muitas vezes ele precisa de fixação específica (p. 640 e 641).
Por que esta questão foi criada. Inspirada na questão 36 do SIMÃO 2026, que cobrou o significado da distância anteroposterior aumentada e da perda de concentricidade no perfil.
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