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Questão de Lesões de nervos periféricos (UFG 2017)

Mão e punhoLesões de nervos periféricosUFG 2017

Na classificação de Sunderland, a lesão do axônio com endoneuro é do grau:

  1. I
  2. II
  3. III
  4. IV
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Gabarito: C · III

Conceito-chave

Como um nervo é construído? Cada axônio é envolto por uma bainha de tecido conjuntivo frouxo, o endoneuro. Os axônios se agrupam em fascículos, cada um envolvido pelo perineuro, uma camada resistente que funciona como barreira e mantém a pressão interna do fascículo. Os fascículos, por sua vez, são reunidos pelo epineuro, que inclui uma camada interna entre fascículos e uma externa ao redor do nervo todo. As classificações de lesão nervosa seguem exatamente essa arquitetura: quanto mais camadas rompidas, pior o prognóstico.

Seddon, de 1943, tem três categorias. Neurapraxia (bloqueio de condução sem perda axonal), axonotmese (axônio rompido com bainhas preservadas) e neurotmese (nervo funcionalmente seccionado). É simples, mas a axonotmese inclui situações de prognósticos muito diferentes.

Sunderland, de 1951, subdividiu a axonotmese. O critério é quais tecidos de sustentação continuam íntegros, porque são eles que guiam o axônio em regeneração. Se o endoneuro está preservado, o axônio volta pelo próprio tubo até o alvo original. Se o endoneuro foi rompido, forma-se cicatriz dentro do fascículo e os axônios podem entrar em tubos errados, causando recuperação incompleta e desorganizada.

SunderlandEstrutura lesadaSeddonTinel e progressãoRecuperaçãoTratamento
IBloqueio de condução, mielina focalNeurapraxiaSem Tinel que avançaCompleta, dias a 12 semanasObservação
IIAxônio; endoneuro íntegroAxonotmeseTinel avança cerca de 1 mm/diaCompleta, lentaObservação
IIIAxônio e endoneuro; perineuro íntegroAxonotmeseTinel avançaVariável, incompletaObservação; neurólise se não houver progresso
IVAxônio, endoneuro e perineuro; só o epineuro íntegroAxonotmese (neuroma em continuidade)Tinel não avançaAusenteRessecção e reparo ou enxerto
VTodas as camadas, secçãoNeurotmeseTinel não avançaAusenteReparo ou enxerto
VI (Mackinnon)Mistura de graus no mesmo nervoMistaVariávelVariávelNeurólise e reparo seletivo

Raciocínio clínico. No exame inicial, graus II a V são indistinguíveis: o músculo está paralisado e a área anestesiada. O que separa os grupos é a evolução. Lesões fechadas, por estiramento ou contusão, costumam ser I a III e merecem observação com eletroneuromiografia de base por volta de 3 semanas e reavaliações seriadas. Se em cerca de 3 a 6 meses não houver sinal clínico ou eletromiográfico de reinervação no músculo mais proximal esperado, suspeita-se de grau IV e indica-se exploração. Lesões abertas por corte limpo são tratadas como grau V e exploradas cedo.

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