Na classificação de Sunderland, a lesão do axônio com endoneuro é do grau:
- I
- II
- III
- IV
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Conceito-chave
Como um nervo é construído? Cada axônio é envolto por uma bainha de tecido conjuntivo frouxo, o endoneuro. Os axônios se agrupam em fascículos, cada um envolvido pelo perineuro, uma camada resistente que funciona como barreira e mantém a pressão interna do fascículo. Os fascículos, por sua vez, são reunidos pelo epineuro, que inclui uma camada interna entre fascículos e uma externa ao redor do nervo todo. As classificações de lesão nervosa seguem exatamente essa arquitetura: quanto mais camadas rompidas, pior o prognóstico.
Seddon, de 1943, tem três categorias. Neurapraxia (bloqueio de condução sem perda axonal), axonotmese (axônio rompido com bainhas preservadas) e neurotmese (nervo funcionalmente seccionado). É simples, mas a axonotmese inclui situações de prognósticos muito diferentes.
Sunderland, de 1951, subdividiu a axonotmese. O critério é quais tecidos de sustentação continuam íntegros, porque são eles que guiam o axônio em regeneração. Se o endoneuro está preservado, o axônio volta pelo próprio tubo até o alvo original. Se o endoneuro foi rompido, forma-se cicatriz dentro do fascículo e os axônios podem entrar em tubos errados, causando recuperação incompleta e desorganizada.
| Sunderland | Estrutura lesada | Seddon | Tinel e progressão | Recuperação | Tratamento |
|---|---|---|---|---|---|
| I | Bloqueio de condução, mielina focal | Neurapraxia | Sem Tinel que avança | Completa, dias a 12 semanas | Observação |
| II | Axônio; endoneuro íntegro | Axonotmese | Tinel avança cerca de 1 mm/dia | Completa, lenta | Observação |
| III | Axônio e endoneuro; perineuro íntegro | Axonotmese | Tinel avança | Variável, incompleta | Observação; neurólise se não houver progresso |
| IV | Axônio, endoneuro e perineuro; só o epineuro íntegro | Axonotmese (neuroma em continuidade) | Tinel não avança | Ausente | Ressecção e reparo ou enxerto |
| V | Todas as camadas, secção | Neurotmese | Tinel não avança | Ausente | Reparo ou enxerto |
| VI (Mackinnon) | Mistura de graus no mesmo nervo | Mista | Variável | Variável | Neurólise e reparo seletivo |
Raciocínio clínico. No exame inicial, graus II a V são indistinguíveis: o músculo está paralisado e a área anestesiada. O que separa os grupos é a evolução. Lesões fechadas, por estiramento ou contusão, costumam ser I a III e merecem observação com eletroneuromiografia de base por volta de 3 semanas e reavaliações seriadas. Se em cerca de 3 a 6 meses não houver sinal clínico ou eletromiográfico de reinervação no músculo mais proximal esperado, suspeita-se de grau IV e indica-se exploração. Lesões abertas por corte limpo são tratadas como grau V e exploradas cedo.
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