Cinco meses após fixação de fratura do rádio distal com placa volar bloqueada, mulher de 58 anos, sem queixas, tem a fratura consolidada. No perfil, a placa ultrapassa a linha tangente à borda volar e se apoia sobre essa borda, distal à watershed line. Qual a conduta mais adequada?
- Manter a placa, porque a ausência de sintomas afasta o risco e o grau de Soong só importa com parafuso intra-articular
- Discutir a retirada da placa, pois essa posição corresponde ao grau 2 de Soong e predispõe à ruptura do flexor longo do polegar
- Trocar os parafusos distais por parafusos bicorticais mais longos, para afastar a placa dos tendões flexores
- Reinserir o pronador quadrado sobre a placa, medida que neutraliza o risco tendíneo nessa posição
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Conceito-chave
Onde a placa não pode ficar. A placa volar bloqueada é o implante mais usado no rádio distal, e o risco tendíneo dela está na borda distal. O Green dá a referência anatômica: evitar colocar a placa distal à crista radial transversal, a linha divisora de águas (watershed line); "Os implantes posicionados muito distalmente no lábio volar do rádio estão em contato direto com os tendões flexores, com alto risco de irritação e ruptura do tendão" (cap. 15, p. 628).
A classificação de Soong. No perfil, traça-se uma linha paralela à cortical volar do rádio pela ponta da "lágrima" volar. O Green explica: "Uma placa saliente volarmente da linha infere um risco aumentado de ruptura do tendão flexor e deve ser evitada" (cap. 15, p. 638, Fig. 15.39). Na legenda da Fig. 15.38, o livro define o caso da questão: o Soong grau 2 é a placa proeminente acima da linha crítica e a até 2 mm da ponta do rebordo volar, onde, sem a cobertura do pronador quadrado, os flexores ficam em contato direto com o metal e podem romper (p. 637). As posições de grau 1 e 2 se associam a uma taxa mais alta de ruptura (p. 628).
O tendão que rompe e quando. "O FPL é predominantemente acometido", e a ruptura pode aparecer tarde: tempo médio de 9 meses numa revisão sistemática, com relatos até 10 anos depois (Green, cap. 15, p. 660). Por isso a ausência de sintomas não tranquiliza.
A conduta. O Green é direto: "Se uma placa volar for usada cruzando a fronteira, a remoção do hardware deve ser programada após a consolidação da fratura" (cap. 15, p. 628), e, no tópico das complicações, "Se as radiografias demonstrarem posicionamento Soong grau 1 ou 2, a remoção da placa é recomendada para evitar a ruptura se a fratura estiver totalmente cicatrizada" (p. 662).
| Grau de SOONG | Posição da placa no perfil | Conduta após consolidar (Green, cap. 15) |
|---|---|---|
| 0 | Não fica saliente além da linha crítica | Sem indicação de retirada pelo risco tendíneo |
| 1 | Saliente além da linha crítica (p. 628) | Retirada recomendada após consolidar (p. 662) |
| 2 | Saliente e a até 2 mm da ponta do rebordo volar (p. 637) | Retirada recomendada após consolidar (p. 628 e 662) |
Por que esta questão foi criada. Inspirada na questão 48 do SIMÃO 2026, que cobrou a conduta diante de uma placa em Soong grau 2 numa paciente sem queixas.
Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.
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