A paralisia obstétrica
- ocorre com maior frequência no parto cesáreo.
- afeta mais comumente o lado direito.
- é mais comum no tipo III de Narakas e Slooff.
- tem indicação de tratamento estabelecida na ENMG, realizada após os três meses de idade.
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Conceito-chave
O que é a paralisia obstétrica do plexo braquial? É a lesão do plexo durante o parto, causada principalmente por tração lateral da cabeça do bebê enquanto o ombro está preso, o que estira as raízes superiores, ou por tração do braço em partos pélvicos. A incidência é de aproximadamente 1 a 3 por 1.000 nascidos vivos. Fatores de risco: macrossomia, distocia de ombro, diabetes materno, parto vaginal instrumental (fórceps ou vácuo), trabalho de parto prolongado, parto pélvico e história de filho anterior afetado. A cesariana reduz muito o risco, embora não o elimine.
Por que o lado direito é mais afetado? A apresentação cefálica mais comum é a occipitoanterior esquerda. Nessa posição, o ombro direito do bebê fica anterior e é ele que pode ficar preso atrás da sínfise púbica durante a distocia. A tração necessária para liberá-lo estira o plexo do lado direito. Lesões bilaterais são raras e mais associadas ao parto pélvico.
Classificação de Narakas. Organiza as lesões conforme as raízes envolvidas e tem valor prognóstico.
| Grupo | Raízes | Quadro | Prognóstico |
|---|---|---|---|
| I | C5-C6 (Erb clássico) | Ombro em adução e rotação interna, cotovelo estendido, punho e dedos funcionando | O mais comum; maioria recupera espontaneamente |
| II | C5-C7 (Erb estendido) | Igual ao I, mais punho e dedos em flexão (gorjeta de garçom) | Recuperação boa, porém menos completa |
| III | C5-T1, sem Horner | Membro flácido, mão sem função | Recuperação espontânea pobre |
| IV | C5-T1, com Horner | Membro flácido mais ptose, miose e enoftalmia | Pior prognóstico; sugere avulsão das raízes inferiores |
Como se decide a cirurgia? A decisão é clínica e baseada na recuperação do bíceps e na evolução motora global. Gilbert e Tassin propuseram explorar quando o bíceps não recupera contra a gravidade até os 3 meses. Clarke e Curtis desenvolveram o escore ativo de movimento de Toronto, que soma flexão do cotovelo e extensão do cotovelo, punho, dedos e polegar; escore abaixo de 3,5 aos 3 meses indica exploração. Aos 9 meses, o teste do biscoito avalia se a criança leva a mão à boca com o braço junto ao corpo. Lesões globais com Horner são operadas mais cedo. A eletroneuromiografia em lactentes tende a superestimar a recuperação, porque detecta poucas unidades motoras que não produzem movimento útil, e não substitui o exame.
Sequelas e tratamento tardio. Mesmo quem recupera pode ter desequilíbrio entre rotadores internos e externos do ombro, com contratura em rotação interna e displasia glenoumeral progressiva (glenoide retrovertida e cabeça subluxada posteriormente). Por isso o acompanhamento inclui exame seriado da rotação externa e, se necessário, liberação, transferências tendíneas para rotação externa (como a de L'Episcopo ou do grande dorsal) ou osteotomia derrotativa do úmero.
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