Qual relação geométrica entre a cabeça da ulna e a incisura sigmoide explica que a articulação radioulnar distal combine rotação com translação dorsopalmar e dependa sobretudo de partes moles para a estabilidade?
- Os raios de curvatura são iguais, formando encaixe congruente; a estabilidade é predominantemente óssea
- A curvatura da incisura sigmoide é mais aberta (raio maior) do que a da cabeça ulnar; a articulação é pouco congruente
- A cabeça da ulna tem raio de curvatura maior que o da incisura; o contato nas bordas trava a translação
- A congruência e a área de contato são máximas em pronação e supinação completas, quando a cabeça se centraliza na incisura
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Conceito-chave
Uma articulação que não encaixa. A radioulnar distal é o pivô distal da pronação e da supinação: o rádio gira em torno da cabeça da ulna, que fica parada. Seria natural imaginar uma bola dentro de uma taça, mas não é assim. O Green mostra os números: em tomografias de 100 antebraços de cadáver, o raio de curvatura da incisura sigmoide foi em média de 18,2 mm, contra apenas 8,2 mm da cabeça da ulna (cap. 14, p. 563). A incisura é uma concavidade rasa e mais aberta; a cabeça é um cilindro mais fechado. A legenda da Fig. 14.2 resume: a incisura "é rasa e seu raio na curvatura é substancialmente maior do que na cabeça ulnar" (p. 564).
A consequência: rolar e deslizar. Como as curvas não coincidem, a cabeça não fica presa num ponto; durante a rotação, ela também translada no sentido dorsopalmar. O Green descreve: "Durante a rotação do antebraço, a translação ocorre entre a cabeça ulnar e a incisura sigmóide, resultando em uma combinação de rolamento e deslizamento", e o rádio desliza para palmar na pronação e para dorsal na supinação (cap. 14, p. 568). E dá o motivo em uma frase: "A translação pode ocorrer porque a incisura sigmóide é rasa e seu raio de curvatura é 50% a 100% maior que a da cabeça ulnar" (p. 568).
Quem segura, então. Se o osso não trava, as partes moles precisam guiar e conter. Na abertura do capítulo, o Green diz exatamente isso: como os raios de curvatura das superfícies do rádio e da ulna são diferentes, "os tecidos moles são críticos para guiar e restringir a articulação" (cap. 14, p. 563). As bordas da incisura e o lábio fibrocartilaginoso palmar ajudam (p. 563), mas os estabilizadores críticos são os ligamentos radioulnares e as suas inserções foveais (p. 567).
O contato muda com a posição. Com o antebraço em posição neutra, o contato é máximo, cerca de 60% da superfície disponível; nos extremos de pronação e supinação, pode cair para 2 mm nas margens da incisura, menos de 10% da área (Green, cap. 14, p. 568).
| Medida | Valor (Green, cap. 14) |
|---|---|
| Raio da incisura sigmoide | 18,2 mm em média (p. 563) |
| Raio da cabeça da ulna | 8,2 mm em média (p. 563) |
| Contato em posição neutra | Máximo, cerca de 60% (p. 568) |
| Contato nos extremos de rotação | Até 2 mm nas margens, menos de 10% (p. 568) |
Por que esta questão foi criada. Inspirada na questão 72 do SIMÃO 2026, que cobrou a relação entre as curvaturas da incisura sigmoide e da cabeça da ulna e a sua consequência para a estabilidade.
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