Na classificação de BURTON, a botoeira crônica que já apresenta deformidade fixa e retração das bandas laterais corresponde a qual estágio?
- Estágio I
- Estágio II
- Estágio III
- Estágio IV
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Conceito-chave
Primeiro, separar deformidade de rigidez. A botoeira combina perda de extensão da interfalângica proximal (IFP) com excesso de extensão da interfalângica distal (IFD). Na forma crônica, não basta olhar a postura: é necessário saber se a articulação ainda aceita correção passiva. O Green distingue as deformidades flexíveis das que adquiriram contraturas fixas da IFP, da IFD ou de ambas (cap. 5, p. 200 e 201). A mesma aparência externa, portanto, pode esconder problemas de gravidade diferente.
O que BURTON está classificando. A progressão vai da deformidade corrigível ao encurtamento das bandas laterais, depois à fibrose articular e, por fim, à artrite. O livro atribui a BURTON os três primeiros estágios e apresenta o IV como acréscimo à classificação (Green, cap. 5, p. 201). O dado decisivo desta pergunta é a associação de contratura fixa com bandas laterais contraídas, sem descrição de fibrose capsuloligamentar ou artrite.
| Estágio | Achado descrito no Green, cap. 5, p. 201 |
|---|---|
| I | Deformidade flexível, corrigível |
| II | Contratura fixa com retração das bandas laterais |
| III | Contratura fixa, fibrose articular e retração de colaterais e placa volar |
| IV | Estágio III acrescido de artrite da IFP |
Por que essa distinção muda a reconstrução. Reequilibrar um tendão não devolve, sozinho, o movimento de uma articulação rígida. O Green recomenda realizar o procedimento tendíneo depois de recuperar toda a mobilidade passiva. Quando a rigidez é importante, pode ser necessário liberar a articulação primeiro e reconstruir o tendão em outro tempo. Às vezes, após a liberação, exercícios e órteses permitem o reequilíbrio e a segunda etapa deixa de ser necessária (cap. 5, p. 201).
O objetivo é preservar função. A tentativa de ganhar extensão não pode sacrificar a flexão e a preensão que o paciente ainda tem. O capítulo lembra que muitos pacientes com botoeira mantêm boa flexão e função. Nos estágios I e II, descreve tratamento com órteses ou gessos seriados para alcançar extensão da IFP, associado a exercícios de flexão da IFD; após alcançar a extensão, ela é mantida com órtese por 6 a 12 semanas (p. 201). Portanto, o número do estágio descreve o problema, mas não equivale automaticamente a uma ordem de operar.
Por que esta questão foi criada. Inspirada na questão 1 da SBCM 2023, que cobrou o estágio de BURTON definido por bandas laterais retraídas e contratura fixa.
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