Na transferência nervosa descrita por Oberlin, o fascículo nervoso escolhido para transferência geralmente se localiza na seguinte região do nervo doador:
- posterolateral.
- anterolateral.
- posteromedial.
- anteromedial.
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Conceito-chave
O que é a transferência de Oberlin? Em 1994, Christophe Oberlin descreveu a transferência de um ou dois fascículos do nervo ulnar para o ramo motor do bíceps do nervo musculocutâneo, no braço, para recuperar a flexão do cotovelo na lesão alta do plexo braquial (C5-C6, às vezes C7). O ulnar vem de C8 e T1, que estão preservados nessas lesões. Como a coaptação é feita a poucos centímetros da entrada do nervo no bíceps, a reinervação chega rápido, geralmente em 3 a 6 meses, e a maioria dos pacientes recupera força M3 ou M4 na flexão do cotovelo.
Por que se pode tirar um fascículo do ulnar sem causar déficit? O nervo periférico é organizado em fascículos, cada um envolto pelo perineuro. No terço médio do braço, o ulnar ainda não deu nenhum ramo motor, mas seus axônios já estão parcialmente agrupados conforme o destino: fibras para o flexor ulnar do carpo (FUC), para o flexor profundo dos dedos ulnares, para a musculatura intrínseca da mão e fibras sensitivas. Escolhe-se um fascículo que corresponda sobretudo ao FUC, músculo redundante para a flexão do punho porque o flexor radial do carpo e o palmar longo continuam ativos. Retira-se uma fração pequena do diâmetro do nervo, cerca de 10% a 20%, e o déficit na mão costuma ser mínimo ou transitório.
Onde fica esse fascículo? As descrições cirúrgicas clássicas situam os fascículos motores para o FUC na porção medial do nervo, e a banca adotou a forma posteromedial. Na prática, a topografia fascicular muda ao longo do trajeto e entre indivíduos, e trabalhos recentes com neuromonitorização mostraram o fascículo doador em diferentes quadrantes. Por isso a técnica não depende da posição: abre-se o epineuro, isolam-se os fascículos e estimula-se cada um, escolhendo o que produz contração forte do punho em flexão e desvio ulnar, com pouca resposta dos intrínsecos da mão.
Passo a passo da técnica.
- Incisão medial no braço, no sulco bicipital, na altura da entrada do ramo do bíceps.
- Identificação do ramo motor do bíceps, que sai do musculocutâneo entre o bíceps e o braquial.
- Abertura do epineuro do ulnar no mesmo nível e estimulação fascicular.
- Secção do fascículo escolhido distalmente e do ramo do bíceps proximalmente, para que os dois se encontrem sem tensão.
- Coaptação terminoterminal com fio microcirúrgico ou cola de fibrina.
Variações. Mackinnon popularizou a transferência fascicular dupla: fascículo do ulnar para o ramo do bíceps e fascículo do mediano (geralmente o do flexor radial do carpo ou do flexor superficial) para o ramo do braquial, somando os dois principais flexores do cotovelo. A contraindicação mais importante é o ulnar comprometido, como em lesões C8-T1 ou plexo total, porque não se pode usar um doador fraco. Testa-se força do FUC e da preensão antes da cirurgia.
| Elemento | Na transferência de Oberlin |
|---|---|
| Doador | Fascículo do nervo ulnar para o flexor ulnar do carpo |
| Receptor | Ramo motor do bíceps (musculocutâneo) |
| Indicação típica | Lesão C5-C6 ou C5-C7 com C8-T1 sadios |
| Como escolher o fascículo | Estimulação elétrica intraoperatória |
| Variação | Fascicular dupla de Mackinnon: mediano para o braquial |
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