Orto Questões

Questões de trauma e fraturas comentadas

Trauma é o maior bloco das provas de ortopedia. Cobre o atendimento inicial e o controle de dano, a classificação AO das fraturas, fraturas expostas e a classificação de Gustilo-Anderson, síndrome compartimental, embolia gordurosa, princípios de osteossíntese e de consolidação, fixador externo, hastes intramedulares e placas, pseudartrose e consolidação viciosa, além das fraturas por segmento, da bacia ao pilão tibial.

O acervo tem 1398 questões de trauma adulto, e 1378 têm página própria com gabarito e conceito-chave. Abaixo, 25 delas com o comentário completo e, no fim, a lista de todas.

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As questões são transcritas das provas originais, sem reescrita, e o gabarito é o da própria banca. Os comentários se baseiam na bibliografia de referência da especialidade. Quando resta dúvida sobre o gabarito, o comentário registra a dúvida em vez de escondê-la. As questões marcadas como OrtoQuestões Simulados são autorais do site, elaboradas a partir da bibliografia de referência e inspiradas no padrão da prova indicada; não são questões oficiais nem têm vínculo com as instituições organizadoras.

25 questões comentadas

No manejo inicial da lesão do anel pélvico tipo B1 de Tile, a redução é realizada com os membros inferiores em:

  1. flexão e adução
  2. flexão e abdução
  3. rotação interna e adução
  4. rotação interna e abdução

Gabarito: C

Conceito-chave

A lesão TILE B1 abre a pelve por rotação externa, como um livro. A redução inicial procura desfazer esse movimento com rotação interna e adução dos membros inferiores, alternativa C, desde que outras lesões dos membros não impeçam a manobra.

O complexo posterior ainda oferece uma dobradiça, enquanto a frente se abre. Aproximar as hemipelves diminui o volume pélvico e o movimento do foco, ajudando o tamponamento e a formação do coágulo. A cinta ou o lençol deve ficar na altura dos trocânteres maiores, para atuar no nível adequado (Rockwood, 10ª ed., cap. 50, “Cinta e lençol”).

Reduzir não substitui ressuscitar. O paciente pode precisar de sangue e de controle adicional da hemorragia. Sangramento arterial pode continuar apesar do fechamento; o quadro hemodinâmico e a busca de outras fontes orientam as etapas seguintes.

A cinta também pode ocultar a abertura na imagem, e pressão prolongada ameaça a pele. Assim, a manobra é uma medida inicial com vigilância, não uma autorização para manter compressão sem reavaliação.

C · rotação interna e adução

C: rotação interna e adução. A combinação fecha a abertura anterior, usando a continuidade posterior como dobradiça no padrão B1. Deve ser associada à estabilização circunferencial no nível dos trocânteres e ao atendimento do trauma.

A · flexão e adução

A adução ajuda, mas a flexão não substitui a correção rotacional. O mecanismo predominante é rotação externa; a resposta precisa incluir rotação interna para desfazê-lo.

B · flexão e abdução

Abdução afasta os membros e não fecha o livro. Somar flexão não corrige a abertura por rotação externa. A redução descrita exige aproximar e rodar internamente, não ampliar a abertura.

D · rotação interna e abdução

Acerta a rotação e erra a aproximação. Rotação interna participa do fechamento, mas abdução contraria a adução recomendada. O par completo deve atuar para aproximar as hemipelves.

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Na fratura da cabeça e colo do rádio, a “zona de segurança” de Smith para o uso de placa está localizada na superfície:

  1. lateral da cabeça do rádio com punho em neutro
  2. medial da cabeça do rádio com o punho em neutro
  3. lateral da cabeça do rádio com o antebraço supinado
  4. medial da cabeça do rádio com o antebraço supinado

Gabarito: A

Conceito-chave

Zona de segurança é o setor não articular disponível para a placa. A cabeça do rádio articula com o capítulo pelo prato côncavo e com a ulna por parte de sua circunferência. O implante deve ocupar o setor que não participa desse contato, para não criar conflito e bloquear a pronossupinação.

Na referência do resumo, o setor é encontrado com o antebraço em rotação neutra, na face lateral da cabeça, cerca de dez graus anterior à linha média lateral. A posição neutra torna a referência reprodutível; se o antebraço gira, a posição da superfície radial em relação ao examinador também muda.

O gabarito usa a expressão “punho em neutro”. É importante não interpretá-la como simples ausência de flexão ou extensão do punho: o parâmetro anatômico do resumo é a rotação do antebraço. É possível manter o punho sem flexão e ainda pronar ou supinar, mudando a referência da cabeça radial.

Outra fonte de confusão é a pronação do acesso lateral, usada para proteção do interósseo posterior. Essa é uma medida de segurança nervosa; não muda a posição neutra descrita para marcar o setor não articular da placa.

Na Biblioteca, leia “Anatomia: a zona segura” e compare as referências de Smith e Hotchkiss com a recomendação de posição neutra. A leitura ajuda a separar segurança do implante, posição do antebraço e proteção nervosa durante o acesso.

A · lateral da cabeça do rádio com punho em neutro

A: superfície lateral, com a referência neutra. É o setor que corresponde à descrição consultada. O gabarito oficial é mantido, com a precisão de que a fonte orienta rotação neutra do antebraço, não apenas posicionamento do punho em flexão e extensão.

A função da zona é manter a placa afastada do contato articular durante a rotação. Uma referência anatômica correta deve ser acompanhada da posição em que foi definida.

B · medial da cabeça do rádio com o punho em neutro

A referência neutra foi mantida, mas a face foi trocada para medial. Essa parte da cabeça se relaciona à incisura radial da ulna e não corresponde ao setor lateral não articular descrito para a placa. Colocar material na área de contato pode criar conflito ao girar o antebraço. O erro é de endereço anatômico, não de nome de classificação.

C · lateral da cabeça do rádio com o antebraço supinado

A face lateral está correta, mas o antebraço supinado muda a referência. A fonte define a localização com rotação neutra. Não se deve transportar a mesma marca sobre uma cabeça girada sem reconsiderar o setor. A opção acerta o lado geral e erra a posição que torna a identificação reprodutível.

D · medial da cabeça do rádio com o antebraço supinado

A opção troca tanto a face quanto a rotação descritas. A referência é lateral em neutro, e não medial em supinação. O fato de a cabeça radial girar é justamente o motivo para respeitar os dois parâmetros juntos: lado e posição do antebraço definem a relação da placa com a superfície que precisa articular.

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Na fratura de Monteggia do tipo I de Bado, após redução incruenta, a imobilização gessada é realizada com o antebraço:

  1. pronado e cotovelo fletido 60°
  2. pronado e cotovelo fletido 110°
  3. supinado e cotovelo fletido 60°
  4. supinado e cotovelo fletido 110°

Gabarito: D

Conceito-chave

A fratura de Monteggia é a fratura da ulna com luxação da cabeça do rádio. Bado classifica pela direção da cabeça:

tipo I: cabeça anterior, ulna com ápice anterior; o mais comum na criança;

tipo II: cabeça posterior, ulna com ápice posterior; o mais comum no adulto;

tipo III: cabeça lateral, fratura metafisária da ulna;

tipo IV: cabeça anterior com fratura dos dois ossos.

Por que o tipo I imobiliza em supinação e flexão de 110°: o bíceps se insere na tuberosidade do rádio e puxa a cabeça para a frente.

A flexão de 110 a 120° relaxa o bíceps;

A supinação também relaxa o bíceps e tensiona a membrana interóssea e o ligamento anular, que seguram a cabeça no lugar.

A chave da redução: restaurar o comprimento e o alinhamento da ulna; com a ulna certa, a cabeça do rádio volta sozinha.

No adulto: placa na ulna; se a cabeça não reduzir, procurar interposição (ligamento anular).

Na prova: o Bado I é imobilizado com o antebraço supinado e o cotovelo fletido a 110°.

D · supinado e cotovelo fletido 110°

Supinação e flexão de 110° relaxam o bíceps, que puxa a cabeça do rádio para a frente, e mantêm a redução.

A · pronado e cotovelo fletido 60°

A pronação e a flexão de 60° deixam o bíceps tenso, e a cabeça volta a luxar.

B · pronado e cotovelo fletido 110°

A flexão de 110° está certa, mas a pronação desestabiliza a cabeça.

C · supinado e cotovelo fletido 60°

A supinação está certa, mas 60° de flexão não relaxam o bíceps o suficiente.

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A fratura do planalto tibial medial com cisalhamento posterior envolve a subluxação da extremidade proximal da tíbia:

  1. lateralmente
  2. medialmente
  3. anteriormente
  4. posteriormente

Gabarito: C

Conceito-chave

A fratura do planalto tibial medial com cisalhamento posterior separa um fragmento posteromedial por uma força vertical. É uma lesão de alta energia, muitas vezes equivalente a uma fratura-luxação do joelho.

O que acontece com a tíbia: o côndilo femoral fica apoiado sobre o fragmento posteromedial, que desliza para trás e para baixo. O restante da tíbia (diáfise e planalto lateral) perde o apoio posterior e subluxa para a frente em relação ao fêmur.

Lesões associadas: ligamentos cruzados, canto posterolateral, nervo fibular e artéria poplítea. Examinar pulsos e considerar o índice tornozelo-braquial.

Os três pilares (Luo): a TC divide o planalto em colunas lateral, medial e posterior. O fragmento posterior pede placa de suporte posterior (antideslizante), por via posteromedial ou de Lobenhoffer.

Schatzker resumido: I a III laterais; IV medial (alta energia, fratura-luxação); V bicondilar; VI com dissociação entre metáfise e diáfise.

Na prova: no cisalhamento posteromedial, a tíbia proximal subluxa anteriormente.

C · anteriormente

O fragmento posteromedial desliza para trás, e o restante da tíbia perde o apoio e subluxa para a frente.

A · lateralmente

O vetor do cisalhamento é posterior, não lateral.

B · medialmente

O colapso medial leva ao varo, mas não a uma subluxação medial.

D · posteriormente

Quem vai para trás é o fragmento posteromedial, não a tíbia.

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Na fratura do processo coronoide, segundo a classificação de O’Driscoll, o tipo II acomete a:

  1. base e associa-se à tríade terrível
  2. faceta anteromedial e associa-se à tríade terrível
  3. base e associa-se à instabilidade rotatória posteromedial
  4. faceta anteromedial e associa-se à instabilidade rotatória posteromedial

Gabarito: D

Conceito-chave

O tipo II de O’Driscoll não é uma forma de dizer “metade do coronoide”. Ele identifica onde o fragmento está: a faceta anteromedial. Essa localização se associa à instabilidade rotatória posteromedial, alternativa D.

A classificação anatômica conecta o fragmento ao mecanismo. Com varo, pronação e carga axial, a tróclea comprime a faceta anteromedial, em geral com avulsão do colateral lateral. O apoio ósseo e a contenção ligamentar falham juntos; reparar apenas um componente pode deixar incongruência. Na ponta, tipo I, o padrão típico é a tríade terrível; na base, tipo III, predominam lesões da ulna proximal (Rockwood, 10ª ed., cap. 40, “O’Driscoll: o lugar, e o lugar diz o mecanismo”).

A classificação de Regan-Morrey responde a outra pergunta: a altura do fragmento. Seus tiposII eIII usam o limite de 50% da altura, enquanto O’Driscoll separa ponta, faceta e base. Usar um número romano sem dizer qual sistema foi empregado pode trocar localização por tamanho e levar a uma decisão inadequada.

Na prática, uma cabeça do rádio intacta junto de uma fratura do coronoide deve aumentar a atenção para a faceta anteromedial. A TC define a localização e a congruência, inclusive em lesões que chegaram reduzidas e parecem pequenas na radiografia.

D · faceta anteromedial e associa-se à instabilidade rotatória posteromedial

D: faceta anteromedial e instabilidade rotatória posteromedial. Une o local e o padrão de lesão corretos. A fratura deve ser entendida com os ligamentos e a congruência, não pelo tamanho isolado.

A · base e associa-se à tríade terrível

Troca tanto a região quanto a associação característica. Base é tipo III e se relaciona às fraturas-luxações da ulna proximal. A tríade terrível se associa mais à ponta, tipo I, e não define a fratura basal.

B · faceta anteromedial e associa-se à tríade terrível

Acerta a faceta e troca o mecanismo associado. A tríade é o conjunto luxação, cabeça do rádio e coronoide, geralmente da ponta. A faceta anteromedial aponta para varo/pronação e instabilidade posteromedial.

C · base e associa-se à instabilidade rotatória posteromedial

Acerta o nome da instabilidade e localiza a fratura no grupo errado. O apoio anteromedial é o que a tróclea esmaga no mecanismo descrito. A base pertence ao tipo III; sua associação característica é a ulna proximal.

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Na fratura de Maisonneuve, o mecanismo de trauma consiste na:

  1. supinação-adução
  2. pronação-abdução
  3. pronação-rotação externa
  4. supinação-rotação externa

Gabarito: C

Conceito-chave

A fíbula proximal quebrada pode ser a parte visível de uma lesão que atravessou o tornozelo. Na Maisonneuve, o mecanismo clássico é pronação-rotação externa, alternativa C.

Na PER, o lado medial falha primeiro, depois a sindesmose anterior e então a fíbula sofre torção. O traço é geralmente suprassindesmal, oblíquo ou espiral, com espícula anterior. A variante de Maisonneuve alcança a fíbula proximal e associa lesão medial e sindesmótica, podendo deixar radiografias locais do tornozelo aparentemente pouco alteradas (Rockwood, 10ª ed., cap. 65, “Pronação-rotação externa e Maisonneuve”).

O exame precisa ir além do maléolo. O resumo recomenda palpar a fíbula proximal e radiografar a perna inteira se houver dor. Olhar só o tornozelo pode perder a extensão da lesão, enquanto olhar só a fratura proximal pode levar a tratar como isolada uma lesão do encaixe instável.

O foco terapêutico também muda: em geral não se expõe nem fixa a fíbula proximal, pois isso arrisca o fibular comum. Quando há diástase, a sindesmose precisa ser reduzida e estabilizada; o tratamento não é simplesmente colocar uma placa no osso mais distante do tornozelo.

C · pronação-rotação externa

C: pronação-rotação externa. A torção após a falha medial e anterior pode produzir a variante proximal de Maisonneuve. O padrão exige avaliar a estabilidade do tornozelo inteiro.

A · supinação-adução

A SAD tem outro trajeto. Começa por avulsão lateral ou traço transverso abaixo da sindesmose e pode chegar ao cisalhamento vertical medial. Não explica a variante proximal rotacional descrita.

B · pronação-abdução

A pronação coincide, mas a força muda o padrão. A PAB produz fíbula cominuída por compressão e flexão no plafond ou acima. Maisonneuve é a variante clássica da torção externa, não dessa flexão por abdução.

D · supinação-rotação externa

Também envolve rotação externa, porém com outra posição do pé e outro traço típico. A SER produz fratura fibular no nível da sindesmose, com espícula posterior. A PER é suprassindesmal e inclui a variante proximal de Maisonneuve.

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O osso do tarso mais frequentemente fraturado é o:

  1. tálus
  2. cuboide
  3. calcâneo
  4. navicular

Gabarito: C

Conceito-chave

Entre os ossos do tarso, o calcâneo é o mais frequentemente fraturado; o tálus ocupa o segundo lugar. Portanto, C. O resumo do Rockwood, 10ª ed., cap. 66, “Mecanismo, epidemiologia e lesões associadas”, faz essa comparação explicitamente.

Frequência e gravidade são perguntas diferentes. A fratura do tálus recebe muita atenção porque pode interromper sua vascularização e comprometer tornozelo, subtalar e talonavicular. Isso não a torna a mais numerosa. O tálus tem grande superfície cartilaginosa, nenhuma inserção muscular ou tendínea e poucas entradas vasculares; o desvio pode fechar essas portas.

Depois de um trauma de alta energia, também não se deve procurar apenas um osso. O capítulo descreve muitas lesões associadas às fraturas talares, incluindo tornozelo e calcâneo. Reconhecer o mais frequente ajuda na suspeita inicial, mas não dispensa examinar o retropé inteiro.

C · calcâneo

C: calcâneo. É o primeiro na comparação entre os ossos do tarso apresentada pelo capítulo; o tálus vem em seguida.

A · tálus

Confunde relevância clínica com frequência. O tálus é o segundo osso do tarso mais fraturado, apesar do grande peso de suas complicações vasculares e articulares.

B · cuboide

Não é o primeiro na comparação da fonte. O resumo coloca o calcâneo à frente do tálus; não há fundamento para promover o cuboide à primeira posição nem para inventar uma porcentagem para ele.

D · navicular

A participação na talonavicular não determina frequência de fratura. O navicular articula com a cabeça do tálus, mas não ocupa o primeiro lugar que a questão pede.

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Na fratura transtrocantérica, a fratura mais frequentemente associada é a da extremidade distal do:

  1. rádio ipsilateral
  2. rádio contralateral
  3. úmero ipsilateral
  4. úmero contralateral

Gabarito: A

Conceito-chave

Uma queda lateral pode quebrar o quadril e também o membro superior que tenta amortecê-la. Na fratura transtrocantérica, a associação óssea mais comum descrita é a do rádio distal do mesmo lado, alternativa A.

O resumo informa outra fratura em cerca de 4% dos pacientes, quase sempre no membro superior ipsilateral: rádio distal em 2% e úmero proximal em 1%. O mecanismo ajuda a relacionar os achados: o paciente cai sobre um lado do quadril e apoia a mão desse lado. A deformidade dolorosa do membro inferior não deve encerrar a avaliação do restante do corpo (Rockwood, 10ª ed., cap. 54, “Quem sofre e o que esperar”).

A pergunta exige duas identificações independentes: o osso e o lado. Reconhecer o rádio e marcar contralateral perde a associação mais frequente; escolher úmero distal também não corresponde ao segundo grupo descrito, que é o úmero proximal. Não se deve trocar a região anatômica porque o nome do osso parece familiar.

Essas proporções não permitem dizer que todo paciente terá uma segunda fratura nem que lesões menos frequentes possam ser ignoradas. O capítulo ainda lembra trauma craniano e fraturas pélvicas, reforçando uma avaliação orientada pelo mecanismo e pelos achados. No resumo da Biblioteca, veja as lesões associadas: o benefício do dado é lembrar de procurar além do quadril, sem transformá-lo em diagnóstico presumido.

A · rádio ipsilateral

A: rádio distal ipsilateral. É a associação mais comum descrita e é compatível com apoiar a mão do lado da queda.

A escolha preserva os dois detalhes do enunciado: extremidade distal do rádio e mesmo lado da fratura trocantérica.

B · rádio contralateral

Acerta o rádio distal e troca o lado. O padrão mais frequente do capítulo é ipsilateral, ligado ao apoio da mão do lado que cai.

Uma lesão contralateral pode existir, mas não é a associação predominante perguntada.

C · úmero ipsilateral

Mantém o lado e erra o osso e sua região. A associação predominante é rádio distal; o úmero citado em segundo lugar pelo resumo é o proximal.

Não há fundamento para converter a segunda associação em fratura do úmero distal.

D · úmero contralateral

Muda o osso e a lateralidade da associação principal. Úmero distal contralateral não corresponde ao padrão de rádio distal ipsilateral descrito.

A anatomia e o mecanismo devem ser conservados juntos, e não escolhidos separadamente por proximidade com a queda.

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Na síndrome compartimental da criança, o sintoma mais relevante para o diagnóstico é a:

  1. dor
  2. agitação
  3. parestesia
  4. ausência de pulso

Gabarito: B

Conceito-chave

Na criança, a evolução do comportamento pode denunciar a síndrome compartimental antes dos sinais clássicos. O capítulo destaca ansiedade, agitação e aumento da necessidade de analgésico, os três As. Dor progressiva e resistência ao movimento passivo dos dedos também importam, mas a criança pode ter dificuldade de localizar e expressar o sintoma.

Pulso pode permanecer presente, e parestesia ou paralisia não devem ser aguardadas para investigar. Lesão mediana pode ainda mascarar a dor do compartimento volar. A agitação não é diagnóstica isoladamente: sua relevância está no contexto e na piora em relação ao comportamento esperado, exigindo reavaliação do membro e das imobilizações.

B · agitação

B: agitação. Entre as alternativas, integra o conjunto precoce destacado para crianças. Deve ser relacionada à ansiedade, demanda analgésica crescente e avaliação clínica, sem atribuir todo desconforto à rotina pós-trauma.

A · dor

Dor é importante, especialmente quando cresce ou surge ao movimento passivo. A pergunta enfatiza o sinal pediátrico de maior destaque, em que comportamento e consumo analgésico podem ser mais informativos. Escolher B não significa ignorar dor.

C · parestesia

Parestesia faz parte dos sinais clássicos, mas pode ser difícil de avaliar e aparecer tarde. Esperar alteração sensitiva para suspeitar perde a oportunidade de reconhecer a evolução inicial por comportamento e dor.

D · ausência de pulso

Ausência de pulso não é requisito e não é o melhor sinal precoce. A pressão compartimental pode prejudicar a musculatura com pulso radial preservado. Ela também pode coexistir com lesão arterial da fratura, problema relacionado, porém distinto.

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No acesso de Henry ao terço distal do rádio, as estruturas em risco são a:

  1. artéria radial e o nervo mediano
  2. artéria interóssea anterior e o nervo mediano
  3. artéria radial e o ramo sensitivo do nervo radial
  4. artéria interóssea anterior e o ramo sensitivo do nervo radial

Gabarito: C

Conceito-chave

O acesso anterior de Henry deve ser entendido pelo nível do rádio que está sendo exposto. No distal, o intervalo superficial está entre braquiorradial e flexor radial do carpo. A artéria radial percorre essa região, e o ramo superficial, sensitivo, do radial acompanha o braquiorradial e é protegido no afastamento lateral.

O plano é internervoso entre músculos de inervação radial e mediana, mas isso não significa que o nervo mediano seja a estrutura que passa superficialmente nesse intervalo. A pergunta quer as estruturas efetivamente relacionadas ao campo, não o nome do nervo que inerva um dos músculos usados como limite.

Na dissecção profunda distal, o flexor longo do polegar é levado para ulnar e o pronador quadrado é liberado com o antebraço supinado. No proximal, surgem outros riscos e outra etapa de proteção do interósseo posterior. Transferir a resposta entre níveis pode gerar um par que parece anatômico, mas não corresponde ao trecho pedido.

Na Biblioteca, leia “Rádio pela frente: Henry”. Acompanhe primeiro o intervalo braquiorradial/flexor radial e depois a artéria e o ramo sensitivo. Separar limite muscular, inervação e estrutura em risco evita decorar uma lista sem localização.

C · artéria radial e o ramo sensitivo do nervo radial

C: artéria radial e ramo sensitivo do radial. Ambos se relacionam ao campo descrito na via distal. A artéria exige identificação e proteção, enquanto o ramo superficial acompanha o afastamento do braquiorradial.

Ser um intervalo internervoso não elimina o risco para vasos e ramos nervosos que cruzam ou acompanham a exposição.

A · artéria radial e o nervo mediano

A artéria está correta, mas o mediano foi colocado no lugar do ramo superficial do radial. O flexor radial é inervado pelo mediano; isso descreve a inervação de um limite muscular, não o nervo que acompanha o braquiorradial no campo. O ramo sensitivo do radial é o segundo componente do par solicitado.

B · artéria interóssea anterior e o nervo mediano

Troca os dois componentes do par específico da via. O resumo identifica artéria radial e ramo superficial do radial nessa região. A artéria interóssea anterior e o mediano não substituem as estruturas descritas junto do intervalo distal de Henry.

D · artéria interóssea anterior e o ramo sensitivo do nervo radial

O ramo sensitivo está correto, mas o vaso foi trocado. A artéria que percorre o campo, entre flexor radial e braquiorradial no distal, é a radial. Reconhecer o nervo não corrige a substituição pela artéria interóssea anterior.

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Na fratura-luxação de Bennett, o desvio do fragmento distal é:

  1. volar-radial do ápice com encurtamento e pronação do eixo
  2. volar-radial do ápice com encurtamento e supinação do eixo
  3. dorsal-radial do ápice com encurtamento e pronação do eixo
  4. dorsal-radial do ápice com encurtamento e supinação do eixo

Gabarito: D

Conceito-chave

Na Bennett, a diáfise e a maior parte da base subluxam; o fragmento volar-ulnar fica preso ao trapézio. A fratura divide a superfície articular da base do primeiro metacarpo. O ligamento oblíquo anterior mantém o pequeno fragmento volar-ulnar ligado ao trapézio, enquanto o componente maior perde esse apoio e se desloca.

O abdutor longo do polegar, inserido na base do metacarpo, é a principal força deformante e puxa o componente maior para proximal. O adutor do polegar contribui para adução e supinação. O desvio resultante da base unida à diáfise é radial, dorsal e proximal. A posição do fragmento retido, volar e ulnar, não descreve a direção da subluxação do componente maior.

Bennett é uma fratura articular parcial: parte da superfície continua ligada à diáfise. A Rolando, no padrão clássico em Y ou T, é uma fratura articular completa e cominutiva. Reconhecer qual parte da base está sendo descrita evita decorar direções sem entender o mecanismo.

O Rockwood & Green, 10ª edição, capítulo 45, apresenta essas forças. Leia “Fratura de Bennett: quem fica e quem foge”, na seção da base do polegar do resumo da Biblioteca.

D · dorsal-radial do ápice com encurtamento e supinação do eixo

O gabarito D associa o componente maior dirigido para dorsal e radial, com encurtamento e supinação. O resumo explica migração proximal pelo abdutor longo e supinação com adução pelo adutor. A redação usa “ápice” de modo pouco preciso; é mais seguro entender aqui a direção do componente móvel, distinguindo-a do fragmento volar-ulnar retido. Assim se preserva a resposta sem confundir vértice e deslocamento.

A · volar-radial do ápice com encurtamento e pronação do eixo

A alternativa combina direção volar com pronação, enquanto o componente móvel da Bennett subluxa para dorsal e radial e fica supinado. A pronação é usada para corrigir a rotação, não para descrevê-la. A posição volar-ulnar pertence ao fragmento pequeno retido. Misturar redução, vértice e fragmento deslocado produz essa combinação incorreta.

B · volar-radial do ápice com encurtamento e supinação do eixo

A supinação e o encurtamento pertencem à deformidade, mas a expressão volar-radial não corresponde à direção de subluxação do componente maior descrita no resumo. Ele migra proximalmente, dorsalmente e radialmente. A pequena parte volar-ulnar continua presa pelo ligamento. A alternativa acerta a rotação e troca o referencial espacial.

C · dorsal-radial do ápice com encurtamento e pronação do eixo

As direções dorsal e radial do componente móvel estão corretas, mas sua rotação é de supinação, não pronação. A pronação desfaz o desvio durante a redução. É preciso distinguir a postura patológica da manobra usada para corrigi-la. Uma descrição espacial parcialmente correta não compensa a inversão rotacional.

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Na fratura do escafoide, o mecanismo de trauma mais frequente é a queda com:

  1. hiperflexão e desvio ulnar do punho
  2. hiperflexão e desvio radial do punho
  3. hiperextensão e desvio ulnar do punho
  4. hiperextensão e desvio radial do punho

Gabarito: D

Conceito-chave

A fratura isolada do escafoide costuma ocorrer quando a carga axial chega ao punho em hiperextensão e desvio radial. Nessa posição, o polo proximal fica contido entre rádio, capitato, radioescafocapitato e cápsula volar, enquanto a carga dobra o osso.

A cintura recebe o maior momento de flexão e tem menos trabéculas, o que ajuda a explicar por que é o local mais comum do traço. O mecanismo não deve ser confundido com o arco perilunar clássico, que associa hiperextensão, desvio ulnar e supinação intercarpal.

A mesma queda sobre a mão pode produzir padrões diferentes conforme a posição do punho e a energia. Identificar qual lesão está sendo perguntada evita transferir a combinação da instabilidade ligamentar para a fratura isolada do escafoide. Conteúdo consultado no resumo do Rockwood and Green, 10ª edição, capítulo 44, seções de anatomia/mecanismo e Mayfield.

D · hiperextensão e desvio radial do punho

Correta: D (hiperextensão e desvio radial). É a combinação descrita para o cisalhamento do escafoide na mediocárpica, com o polo proximal contido e a carga produzindo flexão do osso, especialmente na cintura.

A · hiperflexão e desvio ulnar do punho

Hiperflexão e desvio ulnar não reproduzem a combinação que prende o polo proximal e dobra o escafoide descrita no resumo. A alternativa troca tanto o sentido sagital do punho quanto o desvio lateral do mecanismo perguntado.

B · hiperflexão e desvio radial do punho

O desvio radial está de acordo com o mecanismo, mas a hiperflexão inverte a posição sagital: a fonte descreve dorsiflexão máxima, isto é, hiperextensão. Um componente correto não torna equivalente a combinação inteira.

C · hiperextensão e desvio ulnar do punho

A hiperextensão está correta, porém o desvio ulnar remete ao mecanismo perilunar clássico quando associado à supinação intercarpal. A fratura isolada do escafoide descrita na fonte é favorecida por desvio radial.

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Na fratura da extremidade proximal do úmero, são fatores preditivos de necrose avascular, segundo Hertel, o desvio da dobradiça medial:

  1. maior que 2 mm e extensão metafisária maior que 8 mm
  2. maior que 2 mm e extensão metafisária menor que 8 mm
  3. menor que 2 mm e extensão metafisária maior que 8 mm
  4. menor que 2 mm e extensão metafisária menor que 8 mm

Gabarito: B

Conceito-chave

A cabeça do úmero recebe sangue principalmente da artéria circunflexa umeral posterior (cerca de dois terços, nos estudos mais recentes) e da circunflexa anterior, pelo ramo arqueado de Laing no sulco bicipital.

Os critérios de Hertel preveem isquemia da cabeça logo após a fratura:

extensão metafisária posteromedial curta: menos de 8 mm de osso do calcar presos à cabeça;

dobradiça medial rompida: desvio de mais de 2 mm entre a cabeça e a diáfise na região medial;

fratura do colo anatômico: a cabeça fica separada das tuberosidades.

O significado: com calcar curto e dobradiça rompida juntos, o valor preditivo de isquemia é de cerca de 97%. Os vasos que entram pela região posteromedial foram arrancados. Mas isquemia inicial nem sempre vira necrose: a cabeça pode revascularizar.

Neer: conta as partes desviadas (cabeça, diáfise, tubérculo maior e tubérculo menor); cada uma conta se desviar mais de 1 cm ou angular mais de 45°.

Na prova: Hertel prevê isquemia com dobradiça medial desviada mais de 2 mm e extensão metafisária menor que 8 mm.

B · maior que 2 mm e extensão metafisária menor que 8 mm

Dobradiça medial rompida, com desvio maior que 2 mm, e calcar curto, menor que 8 mm, indicam vasos posteromediais arrancados.

A · maior que 2 mm e extensão metafisária maior que 8 mm

A dobradiça rompida está certa, mas a extensão metafisária longa protege a irrigação.

C · menor que 2 mm e extensão metafisária maior que 8 mm

Com desvio menor que 2 mm, a dobradiça está íntegra, e o calcar longo protege a cabeça.

D · menor que 2 mm e extensão metafisária menor que 8 mm

O calcar curto está certo, mas a dobradiça com desvio menor que 2 mm está íntegra.

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Na fratura do úmero distal do adulto, o sinal do duplo crescente na radiografia em perfil do cotovelo é indicativo de fratura:

  1. isolada da tróclea
  2. isolada do capítulo
  3. do epicôndilo medial
  4. do capítulo com extensão para tróclea

Gabarito: D

Conceito-chave

As fraturas do capítulo ocorrem no plano coronal: o fragmento sobe e fica anterior ao úmero na radiografia em perfil. A classificação de Bryan e Morrey (modificada por McKee):

tipo I, Hahn-Steinthal: grande parte óssea do capítulo;

tipo II, Kocher-Lorenz: lasca osteocondral fina;

tipo III: cominutiva;

tipo IV, McKee: o capítulo com extensão para a tróclea.

O sinal do duplo crescente (ou duplo arco): no perfil do cotovelo, aparecem dois arcos subcondrais sobrepostos no mesmo fragmento. Um é o capítulo, e o outro é a crista lateral da tróclea. Ele mostra que o traço avança para a tróclea: tipo IV de McKee.

Dubberley separa os tipos 1 a 3 pela extensão e acrescenta A (sem cominução posterior) e B (com cominução posterior).

A conduta: TC sempre, para planejar. Tratamento com redução aberta e fixação com parafusos sem cabeça (de anterior para posterior ou de posterior para anterior); artroplastia no idoso com cominução.

Na prova: o sinal do duplo crescente indica fratura do capítulo com extensão para a tróclea.

D · do capítulo com extensão para tróclea

O segundo arco é a crista lateral da tróclea no mesmo fragmento do capítulo: tipo IV de McKee.

A · isolada da tróclea

A fratura isolada da tróclea é rara e não forma o duplo arco.

B · isolada do capítulo

O capítulo isolado forma um único arco no perfil.

C · do epicôndilo medial

A fratura do epicôndilo medial não produz o sinal.

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Na fratura do planalto tibial, segundo Kfuri e Schatzker, os parâmetros anatômicos que dividem o planalto tibial no plano coronal em anterior e posterior são os limites:

  1. anterior da cabeça da fíbula e anterior da inserção do ligamento colateral medial
  2. anterior da cabeça da fíbula e posterior da inserção do ligamento colateral medial
  3. posterior da cabeça da fíbula e anterior da inserção do ligamento colateral medial
  4. posterior da cabeça da fíbula e posterior da inserção do ligamento colateral medial

Gabarito: B

Conceito-chave

Em 2018, Kfuri e Schatzker revisaram a classificação de Schatzker do planalto tibial. Ela mantém os tipos I a VI e acrescenta a localização da fratura na TC axial, dividindo o planalto em quatro quadrantes.

As duas linhas da TC axial:

plano coronal (separa anterior de posterior): uma linha que vai do limite anterior da cabeça da fíbula ao limite posterior da inserção do ligamento colateral medial;

plano sagital (separa medial de lateral): passa pelas espinhas tibiais.

Os quadrantes: anterolateral, posterolateral, anteromedial e posteromedial. Saber o quadrante orienta a via de acesso e a posição da placa: um fragmento posterolateral não se fixa bem por uma placa anterolateral comum.

O conceito de três colunas (Luo): lateral (via anterolateral), medial (via medial) e posterior (via posteromedial ou posterolateral).

Na prova: o plano coronal vai do limite anterior da cabeça da fíbula ao limite posterior do colateral medial.

B · anterior da cabeça da fíbula e posterior da inserção do ligamento colateral medial

A linha do limite anterior da cabeça da fíbula ao limite posterior do colateral medial separa o planalto anterior do posterior.

A · anterior da cabeça da fíbula e anterior da inserção do ligamento colateral medial

A referência lateral está certa, mas a medial é o limite posterior do colateral, não o anterior.

C · posterior da cabeça da fíbula e anterior da inserção do ligamento colateral medial

As duas referências estão trocadas.

D · posterior da cabeça da fíbula e posterior da inserção do ligamento colateral medial

A referência medial está certa, mas a lateral é o limite anterior da cabeça da fíbula.

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Na fratura toracolombar, deve-se suspeitar de lesão na dura-máter quando se observa fratura:

  1. do pedículo
  2. vertical da lâmina
  3. do processo transverso
  4. do muro posterior do corpo vertebral

Gabarito: B

Conceito-chave

Na explosão vertebral, o sinal de alerta para lesão dural não é apenas o fragmento que recua do corpo para o canal. É a fratura vertical da lâmina, atrás do canal: no impacto, a lâmina se abre e depois retorna, podendo aprisionar dura-máter e raízes no traço.

A dura é o envoltório neural que precisa ser reconhecido e protegido durante a abordagem. O resumo descreve laceração longitudinal dorsal, às vezes extensa, com bordas retraídas para a frente. Assim, a imagem de uma lâmina partida verticalmente exige atenção para tecido preso e para a possibilidade de reparo dural, sobretudo se o traço estiver desviado (resumo do Rockwood, 10ª ed., cap. 49, “A lâmina vertical e a dura-máter”).

Há duas associações que não devem ser confundidas. A parede posterior do corpo define o componente de explosão e pode retropulsar. A lâmina vertical é o sinal posterior particularmente associado à lesão da dura. Uma mesma fratura pode apresentar ambos, mas eles respondem a perguntas diferentes.

O resumo da Biblioteca explica essa sequência de abertura e aprisionamento, útil para entender o sinal em vez de apenas memorizar o nome.

B · vertical da lâmina

B: vertical da lâmina. O traço pode capturar a dura e as raízes quando a lâmina retorna após a abertura no impacto. É a associação específica que deve aumentar a suspeita de lesão dural.

A · do pedículo

Pedículo fraturado não é o sinal específico pedido. Ele pode participar de diferentes lesões vertebrais. A relação mecânica descrita com aprisionamento da dura é a abertura e o fechamento do traço longitudinal da lâmina.

C · do processo transverso

Processo transverso é outro marcador de trauma. Fraturas isoladas desse processo entram entre as lesões menores A0, embora possam acompanhar trauma relevante. Não substituem a lâmina vertical como pista de lesão dural.

D · do muro posterior do corpo vertebral

Muro posterior comprometido caracteriza explosão. Seu fragmento pode recuar e comprimir o conteúdo do canal. Isso não é o mesmo que a associação da lâmina longitudinal com aprisionamento e laceração da dura.

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Durante o tratamento cirúrgico da fratura subtrocantérica do fêmur, com haste cefalomedular, é indicação de revisão imediata da síntese:

  1. o desvio em varo de 10°
  2. o desvio rotacional em 10°
  3. o encurtamento de 2,5 cm
  4. a flexão do fragmento proximal de 15°

Gabarito: C

Conceito-chave

A fratura subtrocantérica vai até 5 cm abaixo do trocânter menor, uma região de grandes cargas: compressão medial e tração lateral.

As forças sobre o fragmento proximal:

iliopsoas: puxa em flexão;

glúteos médio e mínimo: puxam em abdução;

rotadores externos: puxam em rotação externa.

Se não for reduzida antes de passar a haste, a fratura tende a consolidar em varo e flexão.

O que é tolerável e o que pede revisão na hora:

encurtamento: mais de 2 cm é inaceitável e deve ser corrigido no mesmo ato;

varo: evitar; até 5 a 10° costuma ser tolerado;

rotação: até 10 a 15° em relação ao lado normal;

flexão do fragmento proximal: corrigir na redução.

As dicas técnicas: reduzir antes de fresar (pinças, cerclagem, pinos de Schanz como joystick) e usar o ponto de entrada medial ao ápice do trocânter maior na haste cefalomedular, para não cair em varo.

Na prova: o encurtamento de 2,5 cm passa do limite de 2 cm e pede revisão imediata.

C · o encurtamento de 2,5 cm

O encurtamento de 2,5 cm passa do limite aceitável de 2 cm e deve ser corrigido no mesmo ato.

A · o desvio em varo de 10°

O varo de 10° é indesejável, mas fica no limite tolerado.

B · o desvio rotacional em 10°

A rotação de 10° está dentro do tolerável.

D · a flexão do fragmento proximal de 15°

A flexão proximal deve ser evitada, mas não foi considerada indicação de revisão imediata.

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Na fratura diafisária do fêmur, a associação com fratura ipsilateral do colo femoral ocorre em:

  1. 3% a 10%, sendo mais frequente na região basocervical
  2. 3% a 10%, sendo mais frequente na região mediocervical
  3. 15% a 20%, sendo mais frequente na região basocervical
  4. 15% a 20%, sendo mais frequente na região mediocervical

Gabarito: A

Conceito-chave

A associação de colo e diáfise do mesmo fêmur é incomum, mas importante o suficiente para ser procurada mesmo quando a fratura diafisária parece explicar todo o quadro. O padrão proximal mais frequente é basocervical. A banca oferece 3% a 10% com essa localização e marca A; o resumo apresenta intervalos de 1% a 9% e 1% a 10% em trechos diferentes.

Há, portanto, compatibilidade no padrão e na ordem de grandeza, mas não identidade do limite inferior. Não se deve afirmar que o texto consultado forneceu exatamente 3% como mínimo. Os intervalos variam entre séries e trechos do capítulo; o alerta conserva a letra oficial e registra a diferença numérica (resumo do Rockwood, 10ª ed., cap. 57, “A fratura do colo do mesmo lado”).

A localização ajuda a entender o risco de diagnóstico perdido: o colo associado pode ser basocervical, vertical e pouco desviado. A deformidade da diáfise chama atenção, a posição inicial pode ser ruim e as imagens de rotina nem sempre mostram um traço fino. O capítulo relata altas proporções de diagnóstico tardio ou perdido em séries, justificando uma procura dirigida, não uma expectativa de que a fratura sempre seja óbvia.

No protocolo de Tornetta, isso inclui AP do quadril em rotação interna, TC de cortes finos e imagens antes e depois da haste. A avaliação não termina porque uma TC de abdome com cortes mais grossos pareceu normal. Se as duas fraturas forem reconhecidas, o colo recebe prioridade de redução e fixação, e a diáfise pode ser tratada separadamente com retrógrada ou placa.

Assim, o valor clínico da questão não está só no percentual: está em reconhecer uma associação menos comum, frequentemente discreta e capaz de mudar o planejamento. O resumo da Biblioteca permite acompanhar essa sequência da busca diagnóstica à escolha dos implantes.

A · 3% a 10%, sendo mais frequente na região basocervical

A: 3% a 10%, mais frequente na região basocervical, gabarito oficial. A localização corresponde à predominante no resumo; o intervalo da banca se aproxima dos relatados, mas o livro resumido também fornece 1% a 9% e 1% a 10%.

O limite inferior de 3% deve ficar identificado como o oferecido pela prova, não como transcrição exata de toda a bibliografia.

B · 3% a 10%, sendo mais frequente na região mediocervical

Mantém o intervalo da prova e troca o nível predominante. O traço vertical mediocervical é descrito na associação, mas o basocervical foi mais frequente nas séries apresentadas. Um padrão possível não é necessariamente o líder.

A ressalva dos intervalos vale também aqui, mas não resolve o erro de localização.

C · 15% a 20%, sendo mais frequente na região basocervical

Reconhece o padrão basocervical e exagera a frequência em relação ao material consultado. Quinze a vinte por cento fica acima dos intervalos de cerca de 1% a 10% descritos. Ser uma associação de alto impacto não significa que aconteça em um quinto das fraturas.

O motivo para procurar ativamente é a consequência de perdê-la, além da frequência, não a necessidade de aumentar o número.

D · 15% a 20%, sendo mais frequente na região mediocervical

Combina uma frequência maior que a apresentada com outro padrão como predominante. O resumo coloca a basocervical à frente da mediocervical e oferece intervalos bem abaixo de 15% a 20%.

A escolha correta precisa acertar localização e magnitude, mantendo transparente a pequena diferença entre o limite inferior da banca e o do resumo.

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A lesão mais frequente no complexo suspensório superior do ombro é a fratura da:

  1. clavícula e acrômio
  2. clavícula e colo da escápula
  3. colo da escápula e luxação acromioclavicular
  4. processo coracoide e luxação acromioclavicular

Gabarito: B

Conceito-chave

A associação clássica procurada é fratura da clavícula e do colo da escápula, alternativa B. O resumo do capítulo 34 a descreve como a lesão dupla mais comum do complexo suspensor superior; o capítulo 33, porém, questiona se muitas dessas fraturas chamadas de colo são realmente do corpo.

O complexo funciona como um anel osteoligamentar que relaciona a glenoide e o membro ao tronco. Uma ruptura pode permanecer contida; duas rupturas independentes podem tornar o conjunto instável. A definição histórica de ombro flutuante associa diáfise clavicular e colo escapular do mesmo lado (Rockwood, 10ª ed., caps. 33 e 34, seções sobre ombro flutuante).

O nome clássico não substitui a análise anatômica. No capítulo da escápula, a TC 3D mostra que parte da aparente medialização da glenoide é a lateralização do corpo infraespinal. O autor reserva a ideia de glenoide verdadeiramente flutuante à perda de todas as suas conexões osteoligamentares. Por isso não se deve atribuir uma frequência numérica única a toda lesão que recebeu o rótulo em séries antigas.

A diferença também chega à cirurgia. O capítulo 34 propõe fixar a clavícula primeiro e reavaliar a glenoide; o 33 prefere estabilizar a escápula antes. São estratégias dos respectivos autores, não uma sequência universal comprovada para qualquer padrão.

B · clavícula e colo da escápula

B: clavícula e colo da escápula. É a associação clássica e a mais comum segundo o capítulo 34; a crítica do capítulo 33 exige cuidado com o diagnóstico de colo nas séries.

A · clavícula e acrômio

Pode romper duas partes do anel, mas não é a associação clássica mais frequente da referência. A presença do acrômio não autoriza equiparar todas as combinações em frequência ou instabilidade.

C · colo da escápula e luxação acromioclavicular

É uma combinação possível do complexo, sem ser o par clássico pedido. Lesão acromioclavicular e fratura do colo precisam de análise ligamentar e de desvio; não há porcentagem comparativa fornecida para ela.

D · processo coracoide e luxação acromioclavicular

Também pode desorganizar a suspensão, mas é outro padrão. O coracoide com luxação acromioclavicular tem implicações próprias; a alternativa não reproduz a associação clavícula-colo destacada no capítulo 34.

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A fratura do corpo do navicular tipo I de Sangeorzan é caracterizada por um traço:

  1. vertical sem desvio
  2. horizontal transverso com lesão ligamentar dorsal
  3. horizontal transverso com lesão ligamentar plantar
  4. vertical associado a cominuição da porção lateral do navicular

Gabarito: B

Conceito-chave

O navicular. É a "pedra angular" do arco longitudinal medial do pé, articulando-se com o tálus (atrás), os três cuneiformes (na frente) e, às vezes, o cuboide. Tem uma irrigação relativamente pobre na sua porção central, o que aumenta o risco de necrose e de pseudoartrose nas fraturas, e de fraturas por estresse.

Os tipos de fratura do navicular.

  • Avulsão da cortical dorsal (a mais comum), por entorse.
  • Fratura da tuberosidade (inserção do tibial posterior), por eversão.
  • Fratura do corpo: alta energia, por carga axial sobre o pé em flexão plantar.
  • Fratura por estresse: em atletas, no terço central, com dor vaga no dorso do mediopé.

A classificação de Sangeorzan (fraturas do corpo). Baseia-se na direção do traço e no desvio do antepé.

TipoTraçoParticularidade
IHorizontal (transverso), no plano coronal: separa um fragmento dorsal (menor que metade do osso)Sem angulação do antepé; lesão das estruturas dorsais
IIOblíquo, de dorsolateral para plantar-medialO mais comum; o fragmento medial se desloca, e o antepé vai para adução
IIICominuição central ou lateralO antepé vai para abdução; frequentemente com lesão da calcaneocuboide; o pior prognóstico

Por que a classificação importa.

  • O tipo I tem o melhor prognóstico.
  • Os tipos II e III envolvem a articulação talonavicular, essencial para o movimento do retropé. Uma redução imperfeita leva a artrose e à perda da mobilidade.
  • O tipo III frequentemente associa lesões do lado lateral do pé (cuboide, a "fratura em quebra-nozes").

O tratamento.

  • Fraturas sem desvio: imobilização sem carga por 6 a 8 semanas.
  • Fraturas com desvio: redução aberta e fixação com parafusos ou placa, restaurando a superfície da talonavicular e o comprimento da coluna medial. Nas cominuições graves, pode ser necessário o fixador externo ou placa em ponte até os cuneiformes e o tálus, ou enxerto ósseo.
  • As complicações: necrose avascular, artrose talonavicular, perda do arco e deformidades do antepé.

B · horizontal transverso com lesão ligamentar dorsal

Correta: B (horizontal transverso com lesão ligamentar dorsal). Na classificação de Sangeorzan, o tipo I da fratura do corpo do navicular tem um traço horizontal (transverso), no plano coronal, que separa um fragmento dorsal, sem angulação do antepé.

A · vertical sem desvio

Um traço vertical sem desvio não define o tipo I de Sangeorzan, cujo traço é horizontal (coronal), separando um fragmento dorsal.

C · horizontal transverso com lesão ligamentar plantar

O traço do tipo I é horizontal, mas o fragmento e as estruturas lesadas são dorsais, e não plantares.

D · vertical associado a cominuição da porção lateral do navicular

A cominuição lateral caracteriza o tipo III, com o antepé em abdução.

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A fratura por estresse na diáfise da tíbia ocorre com maior frequência por forças de:

  1. tensão na cortical anterolateral
  2. tensão na cortical posteromedial
  3. compressão na cortical anterolateral
  4. compressão na cortical posteromedial

Gabarito: D

Conceito-chave

A região que mais sofre fratura por estresse na diáfise tibial não é a mais famosa pelas complicações. O padrão predominante está na cortical posteromedial, sob compressão. A fratura anterior ou anterolateral, sob tensão, é menos frequente, mas tem maior risco.

Na corrida e no salto, a tíbia se curva com o ápice para a frente: a cortical anterior é tracionada e a posteromedial comprimida. A compressão tende a fechar a fissura; a tensão tende a abri-la a cada carga, favorecendo progressão e pseudartrose. Essa é a razão mecânica para o risco diferente dos dois sítios (resumo do Rockwood, 10ª ed., cap. 24, “Três entidades diferentes”).

A “linha negra temida” é o traço da cortical anterior e não deve substituir na memória o padrão mais frequente. O resumo da Biblioteca compara a fratura posteromedial, a anterior e a canelite.

D · compressão na cortical posteromedial

D: compressão na cortical posteromedial. É a combinação de força e região do padrão predominante. Seu comportamento é de baixo risco em comparação com o lado anterior sob tensão.

A · tensão na cortical anterolateral

É uma combinação real, mas menos frequente e mais perigosa. A cortical anterolateral está no lado de tensão e pode apresentar a linha negra. A pergunta pede o padrão mais comum, que é posteromedial por compressão.

B · tensão na cortical posteromedial

Acerta a região e troca a força. A cortical posteromedial recebe compressão na descrição mecânica do capítulo. A tensão corresponde ao lado anterior, onde a fissura tende a abrir.

C · compressão na cortical anterolateral

Inverte a mecânica do lado anterior. A cortical anterior ou anterolateral está sob tensão, não compressão. Além disso, não é o sítio predominante pedido.

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A fratura do odontoide tipo I de Anderson e D’Alonzo ocorre por tração do ligamento:

  1. alar e corresponde a 1% dos casos
  2. alar e corresponde a 18% dos casos
  3. transverso e corresponde a 1% dos casos
  4. transverso e corresponde a 18% dos casos

Gabarito: A

Conceito-chave

Anderson e D'Alonzo classificam as fraturas do odontoide (dente do áxis) pela altura do traço:

tipo I: avulsão da ponta, pela tração do ligamento alar; rara, cerca de 1%; geralmente estável, mas pode ser marcador de instabilidade occipitocervical;

tipo II: na base do dente; o mais comum e o de maior risco de pseudartrose, porque a área é pobre em sangue e osso esponjoso;

tipo III: o traço entra no corpo de C2; consolida bem com imobilização.

Os ligamentos do dente: os alares saem da ponta do dente para os côndilos occipitais e limitam a rotação; o transverso passa atrás do dente, prendendo-o ao arco anterior de C1, e impede a translação. O transverso não se insere na ponta do dente.

Os fatores de pseudartrose no tipo II: idade acima de 50 anos, desvio maior que 5 mm, angulação maior que 10° e cominução da base (tipo IIA de Hadley).

Na prova: o tipo I é a avulsão pelo ligamento alar e corresponde a cerca de 1% das fraturas do odontoide.

A · alar e corresponde a 1% dos casos

O tipo I é a avulsão da ponta do dente pela tração do ligamento alar, rara, com cerca de 1% dos casos.

B · alar e corresponde a 18% dos casos

O ligamento alar está certo, mas o tipo I é bem mais raro que 18%.

C · transverso e corresponde a 1% dos casos

O transverso passa atrás do dente e não se insere na ponta.

D · transverso e corresponde a 18% dos casos

O ligamento e a frequência estão errados.

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Na fratura da cabeça do rádio, tratada com artroplastia, a principal complicação é:

  1. luxação
  2. dor no punho
  3. soltura asséptica
  4. sobrecarga do capítulo

Gabarito: D

Conceito-chave

Uma prótese da cabeça do rádio não substitui só uma superfície: ela recoloca uma coluna entre o capítulo e a ulna. Se essa coluna fica alta ou grossa demais, empurra o capítulo o tempo todo. É disso que a banca está falando.

Por que é fácil errar o tamanho. O Rockwood and Green (10ª ed., cap. 40) lembra que a cabeça nativa é elíptica, enquanto a maioria das próteses é redonda. O diâmetro certo é o menor diâmetro da elipse; na dúvida entre dois tamanhos, escolhe-se o menor, no diâmetro e na espessura. A altura segue a radioulnar proximal: a prótese deve articular cerca de 2 mm abaixo da ponta do coronoide. Medir pela distância entre o capítulo e o corte do colo engana, porque o colateral lateral costuma estar roto e o espaço fica aberto.

O que o alongamento faz. O alongamento excessivo (overstuffing) causa dor, rigidez e desgaste do capítulo, e o capítulo o aponta como a causa técnica mais comum de falha. A radiografia ajuda pouco: o espaço umeroulnar medial perde o paralelismo e abre do lado lateral, mas isso só aparece com 6 a 8 mm de alongamento. Radiografias do lado oposto ajudam a comparar.

O que dizem as revisões. Na revisão sistemática citada no resumo, com 152 próteses que falharam, os motivos de revisão foram afrouxamento asséptico (30%), rigidez (20%) e dor persistente (17%), com mediana de 14 meses. Linhas radiolúcidas que não progridem em volta de hastes lisas são comuns e não se associam a sintomas.

D · sobrecarga do capítulo

D: sobrecarga do capítulo. O alongamento excessivo da prótese comprime o capítulo e causa dor, rigidez e desgaste da cartilagem. É a falha técnica mais comum descrita no capítulo e a resposta da banca.

A · luxação

Não está entre os motivos principais. Entre as causas de revisão listadas na revisão sistemática do resumo (afrouxamento, rigidez e dor), a luxação da prótese não aparece como problema dominante.

B · dor no punho

É pista de outra lesão. Dor no punho, numa fratura da cabeça do rádio, é o sinal clínico que o capítulo manda procurar para não deixar passar a lesão de Essex-Lopresti, com ruptura da membrana interóssea e da radioulnar distal. Não é a complicação típica da prótese.

C · soltura asséptica

Frequente, mas não foi o gabarito. O afrouxamento asséptico foi o motivo de revisão mais comum (30%) na revisão citada, sobretudo nas próteses de encaixe sob pressão. A banca, porém, escolheu a sobrecarga do capítulo, que o capítulo descreve como a principal falha técnica. Veja o alerta.

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A fratura-luxação de Essex–Lopresti consiste na lesão da membrana interóssea associada a fratura:

  1. da diáfise da ulna e luxação da cabeça do rádio
  2. do colo do rádio e lesão da articulação radioulnar distal
  3. da diáfise do rádio e lesão da articulação radioulnar distal
  4. da cabeça do rádio e lesão da articulação radioulnar proximal

Gabarito: B

Conceito-chave

Pense no antebraço como um anel: rádio e ulna unidos em cima pela radioulnar proximal, no meio pela membrana interóssea e embaixo pela radioulnar distal. Um anel que quebra num ponto só costuma ficar firme; quebrado em dois pontos, ele se solta. A lesão de Essex-Lopresti é o anel rompido no rádio proximal e embaixo, com a membrana entre os dois.

Como acontece. O Rockwood and Green (10ª ed., cap. 40) descreve um dos mecanismos da fratura da cabeça do rádio como carga axial: a cabeça impacta no capítulo e, com mais energia, a força desce pelo antebraço e rompe a membrana interóssea e a articulação radioulnar distal. Com as duas amarras rompidas, o rádio sobe.

A definição do capítulo. É a instabilidade longitudinal do antebraço: fratura do rádio proximal (o capítulo a descreve com a cabeça do rádio) com ruptura da membrana interóssea e da radioulnar distal. O que define a lesão não é o ponto exato da fratura no rádio proximal, e sim a combinação com a membrana e a radioulnar distal.

Por que diagnosticar cedo. A reconstrução tardia é difícil e muitas vezes insatisfatória. Por isso o capítulo manda examinar o punho em toda fratura da cabeça do rádio, procurando dor na radioulnar distal, e testar a instabilidade longitudinal na cirurgia.

LesãoOsso fraturadoArticulação lesada
Essex-LoprestiRádio proximalRadioulnar distal (e membrana)
MonteggiaUlnaLuxação da cabeça do rádio
GaleazziDiáfise do rádioRadioulnar distal

B · do colo do rádio e lesão da articulação radioulnar distal

B: do colo do rádio e lesão da articulação radioulnar distal. É a única alternativa que junta a fratura do rádio proximal com a lesão da radioulnar distal, que, com a membrana, define a instabilidade longitudinal. O capítulo descreve a lesão com a fratura da cabeça do rádio; a banca usou o colo, que também é rádio proximal.

A · da diáfise da ulna e luxação da cabeça do rádio

É Monteggia. Fratura da ulna com luxação da cabeça do rádio é a definição de Monteggia, o distrator mais repetido deste tema segundo o resumo.

C · da diáfise do rádio e lesão da articulação radioulnar distal

É Galeazzi. Fratura da diáfise do rádio com lesão da radioulnar distal é Galeazzi. A articulação distal está certa, mas o osso fraturado está no lugar errado: na Essex-Lopresti a fratura é no rádio proximal.

D · da cabeça do rádio e lesão da articulação radioulnar proximal

Articulação errada. A fratura da cabeça do rádio está certa, mas a lesão que define a Essex-Lopresti é na radioulnar distal, no punho. É por isso que a dor no punho é a pista clínica.

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A fratura da cabeça do fêmur associada a fratura do acetábulo é classificada por Pipkin como tipo:

  1. I
  2. II
  3. III
  4. IV

Gabarito: D

Conceito-chave

Pipkin classifica a fratura da cabeça do fêmur que acompanha a luxação posterior do quadril. A referência é a fóvea, onde entra o ligamento redondo:

tipo I: fratura abaixo da fóvea (infrafoveal), fora da área de carga;

tipo II: fratura acima da fóvea (suprafoveal), na área de carga;

tipo III: tipo I ou II com fratura do colo do fêmur; o pior prognóstico, pelo risco de necrose;

tipo IV: tipo I ou II com fratura do acetábulo, em geral da parede posterior.

A conduta:

reduzir a luxação com urgência, de preferência em menos de 6 horas, para diminuir o risco de necrose;

TC depois da redução, para ver fragmentos e a congruência;

tipo I pequeno e reduzido: pode ser conservador ou excisão do fragmento; tipo II: fixação; tipo III no idoso: artroplastia; tipo IV: tratar a fratura do acetábulo junto.

Na prova: fratura da cabeça do fêmur com fratura do acetábulo é Pipkin IV.

D · IV

O tipo IV de Pipkin é a fratura da cabeça femoral associada à fratura do acetábulo, em geral da parede posterior.

A · I

O tipo I é a fratura infrafoveal isolada.

B · II

O tipo II é a fratura suprafoveal isolada.

C · III

O tipo III é a fratura da cabeça associada à do colo.

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