Paciente do sexo feminino, 43 anos de idade, refere dores na articulação patelofemoral à esquerda. Após avaliação clínica e radiológica, observou-se alteração no ângulo Q. Em relação às alterações desse ângulo e aos fatores que a influenciam, assinale a afirmativa correta.
- A anteversão do colo do fêmur com a rotação interna distal do fêmur, em combinação com a torção tibial externa, acarreta aumento do ângulo Q.
- a anteversão do colo do fêmur com a rotação interna distal do fêmur, em combinação com a torção tibial externa, acarreta diminuição do ângulo Q.
- a retroversão do colo do fêmur com a rotação interna distal do fêmur, em combinação com a torção interna da tíbia, acarreta diminuição do ângulo Q.
- a retroversão do colo do fêmur com a rotação externa distal do fêmur, em combinação com a torção interna da tíbia, acarreta aumento do ângulo Q.
- a retroversão do colo do fêmur com a rotação externa distal do fêmur, em combinação com a torção interna da tíbia, acarreta diminuição do ângulo Q.
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Conceito-chave
O ângulo Q. É formado pela linha da espinha ilíaca anterossuperior ao centro da patela (o vetor do quadríceps) e pela linha do centro da patela à tuberosidade anterior da tíbia (o tendão patelar). Representa a força que puxa a patela para lateral. Valores normais: cerca de 14 graus em homens e 17 graus em mulheres (pelve mais larga); acima de 20 graus é considerado aumentado.
O que aumenta o ângulo Q. Tudo que leva o joelho para medial e a tuberosidade para lateral. Anteversão femoral aumentada, com rotação interna do fêmur distal (a patela vira para dentro). Torção tibial externa, que leva a tuberosidade para fora. Joelho valgo. Pé pronado. A combinação de anteversão femoral com torção tibial externa é o mau alinhamento miserável (miserable malalignment), com patelas "olhando uma para a outra" (strabismic patellae), dor anterior e instabilidade patelar.
O que diminui. Retroversão femoral, rotação externa do fêmur distal, torção tibial interna e joelho varo levam a tuberosidade para medial em relação à patela, diminuindo o ângulo Q.
Os limites da medida. O ângulo Q é medido com o joelho estendido (ou fletido a 30 graus) e varia com a posição e a contração muscular; uma patela já subluxada lateralmente dá um ângulo Q falsamente baixo. Por isso, hoje se usa mais a distância TT-TG (tuberosidade tibial ao sulco troclear) na tomografia ou ressonância, com valores acima de 20 mm considerados patológicos, e a torção femoral e tibial medida em tomografia.
Na prova: anteversão femoral + rotação interna do fêmur distal + torção tibial externa = aumento do ângulo Q (mau alinhamento miserável).
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