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Questão de Fratura da diáfise do fêmur (OrtoQuestões Simulados)

Trauma adultoFratura da diáfise do fêmurOrtoQuestões Simulados

OrtoQuestões Simulados: elaborada a partir da bibliografia de referência e inspirada no padrão da prova. Não é questão oficial da prova nem foi elaborada, revisada ou endossada pela instituição organizadora.

Homem de 28 anos com fratura da diáfise do fêmur é tratado com haste anterógrada. A radiografia de controle mostra fratura basocervical sem desvio, não vista antes. A conduta é

  1. observação e carga protegida.
  2. parafusos canulados ao redor da haste.
  3. troca por haste cefalomedular de reconstrução.
  4. retirada da haste, fixação do colo e nova haste retrógrada.
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Gabarito: B · parafusos canulados ao redor da haste.

Conceito-chave

O paciente tem 28 anos e já recebeu uma haste para a fratura da diáfise. Só na radiografia de controle apareceu uma segunda fratura, na base do colo, ainda sem desvio. O problema agora é proteger essa fratura proximal sem perder uma estabilização diafisária que já está feita. Neste cenário específico, o capítulo recomenda parafusos canulados ao redor da haste.

Para entender a decisão, imagine as duas fraturas em níveis diferentes do mesmo osso. A haste ocupa o canal e estabiliza a diáfise; isso não significa que ela tenha fixado o colo. Se a montagem não atravessa e controla a fratura proximal, esta continua sendo um segundo problema. Por outro lado, descobrir esse problema não obriga a desmontar tudo: o colo mantém seu alinhamento, e o algoritmo permite acrescentar sua fixação com parafusos que passam ao redor da haste. O dado decisivo é a combinação haste já instalada + colo sem desvio, não apenas a palavra “basocervical” (resumo do Rockwood, 10ª ed., cap. 57, “A fratura do colo do mesmo lado”).

Por que não basta observar uma fratura que está alinhada? Porque alinhamento é a posição dos fragmentos naquele momento; estabilidade é a capacidade de conservar essa posição sob as forças que atuarão depois. O capítulo descreve o colo associado como frequentemente basocervical e de traço vertical, sujeito a instabilidade axial. Não há contradição em encontrar uma fratura sem desvio e, ainda assim, precisar fixá-la. No jovem, perder a redução ou deixar de obter consolidação do colo tem consequências importantes, e as possibilidades de salvamento são limitadas. Carga protegida não substitui a estabilização recomendada nesse algoritmo.

Os parafusos são uma fixação dirigida ao colo, enquanto a haste permanece encarregada da diáfise. “Ao redor da haste” é uma descrição da coexistência dos implantes; não significa atravessar metal com metal nem aceitar qualquer posição dos parafusos. A escolha depende de conseguir trajetos adequados para estabilizar o colo preservando o implante existente. Na técnica de fixação do colo descrita pelo resumo, os parafusos são guiados por fios e o alinhamento precisa ser conferido em AP e perfil. Uma única projeção não basta para chamar a fratura de bem posicionada (resumo do Rockwood, 10ª ed., cap. 53, “A fixação”).

Se o colo estivesse desviado, a dificuldade seria outra. Antes de fixar, seria necessário recuperar sua anatomia. A haste que já ocupa o canal pode impedir uma redução satisfatória; nesse caso, preservar o implante deixaria de ser vantagem. O capítulo orienta tentar a redução com a haste presente e, se não for possível, retirá-la, fixar o colo e estabilizar novamente a diáfise com haste retrógrada ou placa. A alternativa D pertence a essa situação mais difícil. Ela não é a resposta automática a qualquer colo descoberto depois da cirurgia.

Situação encontradaConduta descrita no capítulo 57
Colo e diáfise reconhecidos antes da fixaçãoPriorizar redução e fixação do colo; tratar a diáfise com implante separado, como retrógrada ou placa.
Colo descoberto depois da haste anterógrada, sem desvioFixar com canulados ao redor da haste.
Colo descoberto depois da haste, desviadoTentar reduzir; se a haste impedir redução satisfatória, retirá-la, fixar o colo e refazer a síntese diafisária por outra montagem.

Também seria tentador trocar a haste por uma cefalomedular de reconstrução: um implante parece poder resolver as duas fraturas. A dificuldade é controlar bem o colo durante essa montagem. O capítulo relata mais má redução, perda de redução e pseudartrose proximal com a haste única, além de dificuldade para acertar a anteversão. Resolver duas fraturas com menos peças não assegura controlar melhor as duas. Por isso o algoritmo favorece tratar o colo separadamente.

Há uma nuance importante: isso não transforma os canulados na escolha universal para toda fratura basocervical. O capítulo 53 trata esse padrão com parafuso deslizante, e o 57 também manifesta preferência por deslizante com antirrotatório quando se planeja desde o início a fixação do colo associado. Aqui, porém, a pergunta apresenta outra situação: a haste já está instalada e a fratura foi reconhecida depois, sem desvio. É para esse cenário que o 57 recomenda os canulados ao redor da haste. O momento do diagnóstico e a montagem existente fazem parte da indicação.

Por fim, como evitar chegar a essa situação? A lesão diafisária evidente pode desviar a atenção de um colo pouco desviado, e uma TC de rotina com cortes grossos pode não mostrar o traço. O protocolo de Tornetta descrito no resumo combina AP do quadril em rotação interna, TC com cortes finos de 2 mm, fluoroscopia do colo antes de fixar a diáfise e imagem ortogonal do quadril ainda na sala depois da haste. Isso ensina a procurar a lesão em mais de um momento, em vez de presumir que uma imagem inicial negativa encerrou a investigação.

O raciocínio que deve ficar é: o colo precisa de sua própria estabilização; a necessidade de retirar a haste depende de ela impedir o tratamento adequado, e não simplesmente de existir uma segunda fratura. No resumo da Biblioteca, a seção “A fratura do colo do mesmo lado” permite acompanhar esse algoritmo completo.

Por que esta questão foi criada. Diferencia o colo sem desvio descoberto após a haste daquele que exige redução e eventual mudança da montagem, duas situações com tratamentos diferentes.

Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.

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