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Questão de Fratura do colo do fêmur (Ortopedia)

Trauma adultoFratura do colo do fêmurOrtopedia

Em paciente de 45 anos de idade, durante osteossíntese do colo femoral (PAUWELS II), após manobra de redução fechada, a radioscopia evidencia varo de 10° e inclinação posterior de 25°, sem cominuição posterior. A melhor conduta é:

  1. A artroplastia total do quadril.
  2. Aceitar a redução e prosseguir com fixação da fratura.
  3. Manter o varo e apenas reduzir a inclinação posterior para inferior a 20°.
  4. Correção para valgo leve e inclinação posterior inferior a 20° antes da fixação.
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Gabarito: D · Correção para valgo leve e inclinação posterior inferior a 20° antes da fixação.

Conceito-chave

O cirurgião conseguiu aproximar os fragmentos, mas a radioscopia ainda mostra 10 graus de varo no AP e 25 graus de inclinação posterior no perfil. Fixar nessa posição seria estabilizar uma redução inadequada. O próximo passo é melhorar a geometria nos dois planos; entre as alternativas, D é a única que faz isso.

Pense no colo como a ligação pela qual a carga da cabeça chega à diáfise. Em varo, a posição favorece cisalhamento, isto é, deslizamento entre os fragmentos, em vez de um contato mecanicamente favorável à consolidação. O implante teria de sustentar um foco já colocado em desvantagem. O resumo considera varo inaceitável e cita cerca de 55% de falha com 20 graus de varo. Esse dado reforça o efeito do desvio, mas não permite calcular o risco deste paciente por uma regra de três: 10 graus não significam “metade de 55%” (resumo do Rockwood, 10ª ed., cap. 53, “A redução é o que mais importa”).

A outra imagem revela um defeito que o AP não resolve: 25 graus de inclinação posterior. A referência de Arnold apresentada pelo capítulo é menos de 20 graus. Se o cirurgião corrigisse apenas o varo, o perfil continuaria inadequado; se corrigisse apenas o perfil, conservaria o cisalhamento associado ao varo. A redução é uma relação tridimensional entre os fragmentos, não a aprovação de uma única incidência.

A ausência de cominuição posterior não muda esse julgamento. Cominuição é perda de suporte por fragmentação; angulação é uma posição relativa inadequada. Uma fratura pode não ter fragmentação posterior e ainda estar mal reduzida. O enunciado retirou uma dificuldade de estabilização, não os dois desvios que a radioscopia demonstra.

O paciente tem 45 anos. Na ausência das comorbidades que mudariam a estratégia, procura-se preservar a cabeça com redução adequada e fixação estável. Isso exige corrigir a redução antes da síntese definitiva, e não passar diretamente à artroplastia porque a primeira manobra falhou. A manobra fechada descrita é suave, com tração e rotação interna progressivas, conferindo as imagens. Se o alinhamento continuar insatisfatório, o resumo admite redução aberta por via anterior. Força excessiva pode produzir valgo difícil de corrigir, portanto melhorar a redução não significa apenas tracionar com mais intensidade.

D propõe valgo leve e inclinação posterior inferior a 20 graus. A leitura correta é valgo leve preferível ao varo residual, e não “quanto mais valgo, melhor”. A anatomia restaurada continua relacionada à menor necrose; uma vantagem mecânica em relação ao varo não torna o valgo superior em todos os desfechos. O índice de Garden e as curvas de Lowell, apresentados no resumo da Biblioteca, ajudam a conferir esse alinhamento antes de fixar.

Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.

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