A fratura do corpo do navicular tipo I de Sangeorzan é caracterizada por um traço:
- vertical sem desvio
- horizontal transverso com lesão ligamentar dorsal
- horizontal transverso com lesão ligamentar plantar
- vertical associado a cominuição da porção lateral do navicular
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Conceito-chave
O navicular. É a "pedra angular" do arco longitudinal medial do pé, articulando-se com o tálus (atrás), os três cuneiformes (na frente) e, às vezes, o cuboide. Tem uma irrigação relativamente pobre na sua porção central, o que aumenta o risco de necrose e de pseudoartrose nas fraturas, e de fraturas por estresse.
Os tipos de fratura do navicular.
- Avulsão da cortical dorsal (a mais comum), por entorse.
- Fratura da tuberosidade (inserção do tibial posterior), por eversão.
- Fratura do corpo: alta energia, por carga axial sobre o pé em flexão plantar.
- Fratura por estresse: em atletas, no terço central, com dor vaga no dorso do mediopé.
A classificação de Sangeorzan (fraturas do corpo). Baseia-se na direção do traço e no desvio do antepé.
| Tipo | Traço | Particularidade |
|---|---|---|
| I | Horizontal (transverso), no plano coronal: separa um fragmento dorsal (menor que metade do osso) | Sem angulação do antepé; lesão das estruturas dorsais |
| II | Oblíquo, de dorsolateral para plantar-medial | O mais comum; o fragmento medial se desloca, e o antepé vai para adução |
| III | Cominuição central ou lateral | O antepé vai para abdução; frequentemente com lesão da calcaneocuboide; o pior prognóstico |
Por que a classificação importa.
- O tipo I tem o melhor prognóstico.
- Os tipos II e III envolvem a articulação talonavicular, essencial para o movimento do retropé. Uma redução imperfeita leva a artrose e à perda da mobilidade.
- O tipo III frequentemente associa lesões do lado lateral do pé (cuboide, a "fratura em quebra-nozes").
O tratamento.
- Fraturas sem desvio: imobilização sem carga por 6 a 8 semanas.
- Fraturas com desvio: redução aberta e fixação com parafusos ou placa, restaurando a superfície da talonavicular e o comprimento da coluna medial. Nas cominuições graves, pode ser necessário o fixador externo ou placa em ponte até os cuneiformes e o tálus, ou enxerto ósseo.
- As complicações: necrose avascular, artrose talonavicular, perda do arco e deformidades do antepé.
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