Orto Questões

Questões de ortopedia pediátrica comentadas

Ortopedia pediátrica cobra a displasia do desenvolvimento do quadril, a epifisiólise proximal do fêmur, a doença de Legg-Calvé-Perthes, o pé torto congênito e o método de Ponseti, as fraturas da criança com Salter-Harris e as supracondilianas do úmero, as deformidades angulares e rotacionais dos membros, a paralisia cerebral, a paralisia braquial obstétrica, as displasias esqueléticas e a osteogênese imperfeita.

O acervo tem 1131 questões de ortopedia pediátrica, e 1105 têm página própria com gabarito e conceito-chave. Abaixo, 25 delas com o comentário completo e, no fim, a lista de todas.

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As questões são transcritas das provas originais, sem reescrita, e o gabarito é o da própria banca. Os comentários se baseiam na bibliografia de referência da especialidade. Quando resta dúvida sobre o gabarito, o comentário registra a dúvida em vez de escondê-la. As questões marcadas como OrtoQuestões Simulados são autorais do site, elaboradas a partir da bibliografia de referência e inspiradas no padrão da prova indicada; não são questões oficiais nem têm vínculo com as instituições organizadoras.

25 questões comentadas

No pé torto congênito, a transposição da inserção do tendão do músculo tibial anterior para o cuneiforme lateral ou cuboide está indicada para a correção da deformidade em:

  1. equino valgo fixo do retropé
  2. equino valgo dinâmico do retropé
  3. inversão ou supinação fixa do mediopé
  4. inversão ou supinação dinâmica do mediopé

Gabarito: D

Conceito-chave

O pé torto congênito e o método de Ponseti. O pé torto idiopático tem quatro componentes, lembrados pela sigla CAVE: cavo, aduto (do antepé), varo (do retropé) e equino. O método de Ponseti os corrige nessa ordem, com manipulações semanais seguidas de gesso cruropodálico.

Por que começar pelo cavo. No pé torto, o antepé está pronado em relação ao retropé: o 1º metatarso está mais flexionado plantarmente que os outros, e isso aprofunda o arco (o cavo). Parece paradoxal, porque o pé todo está supinado; mas o antepé está menos supinado que o retropé. A primeira manobra supina o antepé e eleva (dorsiflete) o 1º metatarso, alinhando o antepé com o retropé. Pronar o antepé seria o erro clássico: aumenta o cavo e cria o pé em feijão (pé complexo).

A sequência completa.

EtapaManobra
1º gessoCorreção do cavo: supinação do antepé com elevação do 1º metatarso
Gessos seguintesAbdução do pé em supinação, com contrapressão na cabeça do tálus (nunca no calcâneo); o varo do retropé se corrige junto
FimAbdução de cerca de 60° a 70°
Tenotomia do AquilesPara o equino residual (dorsiflexão menor que 15°), necessária em cerca de 80% a 90%
Órtese de abdução (Denis Browne)23 horas por dia por 3 meses e depois à noite até 4 a 5 anos

O erro de Kite. Apoiar o polegar na articulação calcaneocuboide bloqueia a abdução do calcâneo e impede a correção do varo. O ponto de apoio correto é a face lateral da cabeça do tálus.

A recidiva. Ligada sobretudo à má adesão à órtese. Pode exigir novos gessos e, depois dos 3 anos, a transferência do tibial anterior para o cuneiforme lateral.

A transferência do tibial anterior. É indicada na recidiva dinâmica do pé torto, após os 2,5 a 3 anos: a criança anda com o antepé em supinação (inversão) na fase de balanço, porque o tibial anterior é forte e não tem oposição suficiente dos fibulares. O exame mostra o pé que se corrige passivamente (a deformidade é dinâmica, e não fixa), e a sola gasta na borda lateral. A transferência do tendão inteiro para o cuneiforme lateral (ou o terceiro cuneiforme, na linha do 3º metatarso) equilibra o pé. Se houver deformidade fixa, ela deve ser corrigida antes com gessos de Ponseti; a transferência sobre um pé rígido não funciona.

D · inversão ou supinação dinâmica do mediopé

Correta: D (inversão ou supinação dinâmica do mediopé). A transferência do tibial anterior para o cuneiforme lateral corrige a supinação dinâmica do antepé na marcha, na recidiva do pé torto, desde que o pé seja flexível.

A · equino valgo fixo do retropé

O pé torto não tem equinovalgo; e uma deformidade fixa não se corrige com transferência tendínea.

B · equino valgo dinâmico do retropé

O equinovalgo dinâmico não é a deformidade do pé torto; o tibial anterior transferido para lateral agravaria o valgo.

C · inversão ou supinação fixa do mediopé

A deformidade fixa deve ser corrigida antes com gessos ou osteotomias; a transferência só funciona na deformidade dinâmica.

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A pseudoartrose congênita da clavícula ocorre mais frequentemente no lado:

  1. direito e no terço lateral
  2. direito e no terço médio
  3. esquerdo e no terço lateral
  4. esquerdo e no terço médio

Gabarito: B

Conceito-chave

A pseudoartrose congênita da clavícula. É uma falha na união dos dois centros de ossificação da clavícula (medial e lateral) durante a vida fetal. A clavícula é o primeiro osso a ossificar, por ossificação intramembranosa, a partir de dois centros que normalmente se unem por volta da 7ª semana. Se não se unirem, sobra uma pseudoartrose.

As características.

  • Lado direito em mais de 90% dos casos (quando é esquerda, deve-se pensar em dextrocardia ou situs inversus).
  • Terço médio da clavícula, onde os dois centros se encontram.
  • Uma saliência indolor na clavícula, notada nos primeiros meses de vida, com mobilidade anormal entre os fragmentos.
  • Não há história de trauma, e a criança não sente dor.

Por que o lado direito. A explicação mais aceita é a pressão da artéria subclávia direita, que fica mais alta e mais próxima da clavícula que a esquerda, impedindo a união dos centros. Isso explica a associação do lado esquerdo com a dextrocardia (anatomia invertida).

O diagnóstico diferencial.

CaracterísticaPseudoartrose congênitaFratura de parto da clavícula
DorNãoSim, nas primeiras semanas
Calo ósseoNão formaCalo volumoso em 1 a 2 semanas
EvoluçãoPersisteConsolida e remodela
Pontas na radiografiaArredondadas, escleróticasAgudas

Também deve ser diferenciada da disostose cleidocraniana (ausência ou hipoplasia das clavículas, geralmente bilateral, com alterações do crânio e dos dentes) e da pseudoartrose da neurofibromatose.

O tratamento.

  • Muitas crianças são assintomáticas, e a observação é aceitável.
  • A cirurgia é indicada por dor, limitação funcional, deformidade estética ou, mais raramente, compressão do plexo braquial ou dos vasos. É feita geralmente entre 3 e 6 anos: ressecção das pontas escleróticas, enxerto ósseo e fixação (placa ou fios). As taxas de consolidação são altas.

B · direito e no terço médio

Correta: B (direito e no terço médio). A pseudoartrose congênita da clavícula ocorre, em mais de 90% dos casos, no lado direito, no terço médio, onde os dois centros de ossificação da clavícula se encontram. A pressão da artéria subclávia direita é a explicação mais aceita.

A · direito e no terço lateral

O lado direito está certo, mas a pseudoartrose fica no terço médio, e não no lateral.

C · esquerdo e no terço lateral

O lado esquerdo é raro e sugere dextrocardia. E a localização é o terço médio.

D · esquerdo e no terço médio

O terço médio está certo, mas o lado mais acometido é o direito.

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Na paralisia cerebral, o tipo atetoide apresenta acometimento no nível:

  1. piramidal
  2. cerebelar
  3. ventricular
  4. extrapiramidal

Gabarito: D

Conceito-chave

Duas formas de classificar a paralisia cerebral. A paralisia cerebral (PC) pode ser classificada por topografia (que membros são acometidos) e pelo tipo de distúrbio do movimento. A classificação fisiológica, associada a Phelps e a outros autores clássicos, relaciona o tipo de distúrbio motor ao local da lesão cerebral.

Os tipos de PC e o local da lesão.

TipoLocal da lesãoCaracterística clínica
EspásticoCórtex motor e trato piramidal (corticoespinhal)Hipertonia velocidade-dependente, hiper-reflexia, Babinski, clônus
Discinético (atetoide, distônico, coreico)Núcleos da base (extrapiramidal)Movimentos involuntários, tônus flutuante
AtáxicoCerebeloIncoordenação, marcha de base alargada, tremor intencional
MistoVários locaisCombinação, geralmente espasticidade com discinesia

A forma espástica é a mais comum, em cerca de 70 a 80% dos casos. É a que mais se beneficia de tratamento ortopédico: alongamentos, transferências tendíneas e osteotomias.

A forma discinética. Classicamente, era associada à asfixia aguda grave no parto a termo (lesão dos núcleos da base e do tálamo) e ao kernicterus (hiperbilirrubinemia). O tônus varia: o paciente pode estar hipotônico em repouso e hipertônico ao tentar se mover.

Por que a cirurgia é arriscada na discinética. O tônus muda o tempo todo, e o resultado é imprevisível. Um alongamento pode produzir a deformidade oposta. Por isso, as cirurgias de partes moles são evitadas nesses pacientes.

A forma atáxica é a mais rara. Muitas vezes é de origem genética, e não por lesão perinatal.

D · extrapiramidal

Correta: D (extrapiramidal). Na paralisia cerebral, o tipo atetoide (discinético) decorre de lesão do sistema extrapiramidal, sobretudo dos núcleos da base, como na asfixia aguda grave e no kernicterus.

A · piramidal

A lesão piramidal (córtex motor e trato corticoespinhal) produz a forma espástica.

B · cerebelar

A lesão cerebelar produz a forma atáxica, com incoordenação e marcha de base alargada.

C · ventricular

A lesão periventricular (leucomalácia) está ligada à diplegia espástica do prematuro, e não à atetose.

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Na displasia do desenvolvimento do quadril diagnosticada tardiamente (9 meses de idade), o achado mais confiável é:

  1. o sinal de Hart
  2. o teste de Barlow
  3. o teste de Ortolani
  4. o sinal de Peter-Bade

Gabarito: A

Conceito-chave

A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) e as partes moles. Quando a cabeça femoral sai do acetábulo, ela se desloca para cima e para trás (posterossuperior), sobre o ilíaco. Com o tempo, as partes moles se adaptam à nova posição, e várias delas passam a impedir a redução.

As estruturas que se contraem e bloqueiam a redução.

EstruturaComo bloqueia
Adutores (sobretudo o adutor longo)Ficam encurtados e tensos: limitam a abdução e impedem a cabeça de descer ao acetábulo
IliopsoasSeu tendão cruza a frente da cápsula e a estrangula (forma de ampulheta)
CápsulaAlongada, com uma constrição em "ampulheta"
Lábio invertido (limbo)Pode se interpor dentro do acetábulo
Ligamento redondo hipertrofiado e pulvinar (gordura)Ocupam o fundo do acetábulo
Ligamento transverso do acetábuloContraído, estreita a entrada inferior

A tensão dos adutores. É o achado clínico mais importante da luxação estabelecida: a limitação da abdução do quadril em flexão. Depois dos 3 meses, quando as manobras de Ortolani e Barlow deixam de funcionar (o quadril não reduz mais), a abdução limitada e assimétrica é o principal sinal da DDQ. Outros sinais: encurtamento da coxa (sinal de Galeazzi: o joelho do lado luxado fica mais baixo), pregas assimétricas e, depois da marcha, claudicação e marcha de Trendelenburg.

As implicações no tratamento.

  • Na redução fechada (geralmente de 6 a 18 meses), faz-se a tenotomia dos adutores para permitir uma abdução segura, sem forçar a cabeça contra o acetábulo (que causaria necrose avascular).
  • O gesso pelvipodálico é feito na posição "humana" de Salter (flexão de cerca de 100° e abdução moderada, dentro da zona segura de Ramsey).
  • Se a redução fechada falhar, faz-se a redução aberta, removendo o iliopsoas, o lábio invertido, o ligamento redondo e o pulvinar, e liberando o ligamento transverso.

Os abdutores e os rotadores ficam, ao contrário, encurtados e enfraquecidos pela subida do trocanter, sem gerar tensão que impeça a redução. Por isso, a criança com luxação desenvolve a marcha de Trendelenburg.

O exame clínico pela idade.

IdadeAchado mais útil
Até 2 a 3 mesesOrtolani (reduz o quadril luxado, com o "clunk") e Barlow (luxa o quadril instável)
Após 3 mesesLimitação da abdução com o quadril e o joelho fletidos (sinal de Hart): o achado mais confiável
TambémGaleazzi (joelho mais baixo do lado luxado), Klisic, assimetria de pregas (Peter-Bade, pouco específica)
Após a marchaClaudicação, Trendelenburg, hiperlordose (bilateral)

Por que os testes de instabilidade falham aos 9 meses. Com o tempo, os adutores se retraem e o quadril fica fixo na posição luxada: ele não reduz mais com a manobra de Ortolani, e o Barlow não tem o que luxar. Os testes ficam negativos mesmo com o quadril luxado. A limitação da abdução (abdução menor que 60° ou assimetria maior que 10° a 15°) passa a ser o sinal mais confiável. A assimetria de pregas é pouco específica: aparece em crianças normais e falta nos casos bilaterais.

A · o sinal de Hart

Correta: A (o sinal de Hart). Na DDQ diagnosticada tardiamente, os adutores se retraem e os testes de instabilidade ficam negativos; a limitação da abdução (sinal de Hart) é o achado mais confiável.

B · o teste de Barlow

O teste de Barlow é neonatal; depois de 2 a 3 meses fica negativo mesmo com o quadril luxado.

C · o teste de Ortolani

O teste de Ortolani perde a sensibilidade com a retração das partes moles depois dos primeiros meses.

D · o sinal de Peter-Bade

A assimetria de pregas (Peter-Bade) é pouco específica e aparece também em crianças normais.

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Na Mielomeningocele, a presença de medula presa na ressonância magnética é:

  1. rara e 30% dos pacientes tem sinais clínicos
  2. rara e 70% dos pacientes tem sinais clínicos
  3. comum e 30% dos pacientes tem sinais clínicos
  4. comum e 70% dos pacientes tem sinais clínicos

Gabarito: C

Conceito-chave

A medula presa. Normalmente, a medula espinhal "sobe" dentro do canal durante o crescimento, porque a coluna cresce mais que a medula. Ao nascer, o cone medular está por volta de L2-L3. Na criança maior, fica em L1-L2. Se a medula estiver ancorada embaixo por uma cicatriz, um lipoma ou um filum espesso, ela é esticada a cada estirão e a cada flexão do tronco. O estiramento causa isquemia e piora neurológica progressiva.

Na mielomeningocele, a medula presa é quase a regra. O fechamento do defeito ao nascer cria uma cicatriz no local, e a medula fica aderida a ela. Por isso:

  • na ressonância, a medula aparece baixa e presa em praticamente todos os pacientes operados (achado radiológico comum);
  • a síndrome da medula presa, com sinais clínicos, ocorre numa parcela menor, cerca de 10 a 30% dos pacientes.

A ressonância não distingue quem tem só o achado de imagem de quem tem a síndrome. O diagnóstico é clínico: a imagem mostra a medula baixa em todos.

Os sinais clínicos de medula presa. São sinais de piora em relação ao estado anterior:

  • Perda de força ou piora do nível motor; perda da marcha.
  • Espasticidade nova, sobretudo nos isquiotibiais e no tríceps sural.
  • Deformidade progressiva do pé: cavo, equino ou valgo.
  • Escoliose que progride rápido, sobretudo antes da puberdade.
  • Mudança no padrão urinário ou intestinal.
  • Dor lombar ou nas pernas.

Antes de culpar a medula presa. A disfunção da válvula de derivação (hidrocefalia descompensada) pode causar os mesmos sinais e deve ser descartada primeiro. Outras causas são a hidromielia (siringomielia) e a compressão do tronco cerebral pela malformação de Chiari II.

O tratamento. Liberação cirúrgica da medula pelo neurocirurgião. Ela costuma estabilizar ou melhorar a força, a espasticidade e a dor, e pode frear a progressão da escoliose. A deformidade óssea já estabelecida geralmente precisa de correção ortopédica depois. A medula pode voltar a se prender (re-ancoragem).

C · comum e 30% dos pacientes tem sinais clínicos

Correta: C (comum e 30% dos pacientes tem sinais clínicos). Na mielomeningocele operada, a medula presa na ressonância é um achado comum, presente em praticamente todos os pacientes, pela cicatriz do fechamento. Apenas uma parcela, em torno de 10 a 30%, desenvolve sinais clínicos da síndrome da medula presa.

A · rara e 30% dos pacientes tem sinais clínicos

A proporção com sinais clínicos (cerca de 30%) está certa, mas o achado na ressonância é comum, e não raro.

B · rara e 70% dos pacientes tem sinais clínicos

O achado não é raro, e a parcela com sinais clínicos é bem menor que 70%.

D · comum e 70% dos pacientes tem sinais clínicos

O achado é comum, mas só cerca de 30% (ou menos) dos pacientes têm sinais clínicos, e não 70%.

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Na deficiência focal femoral proximal, a contratura muscular do quadril é em flexão,

  1. adução e rotação interna
  2. adução e rotação externa
  3. abdução e rotação interna
  4. abdução e rotação externa

Gabarito: D

Conceito-chave

A deficiência femoral focal proximal (DFFP). Faz parte do espectro das deficiências longitudinais congênitas do fêmur, que vai do fêmur curto congênito, com quadril normal, até a quase ausência do fêmur proximal. Geralmente é unilateral.

Como a criança se apresenta.

  • Coxa muito curta e volumosa.
  • Quadril em flexão, abdução e rotação externa.
  • Pé geralmente na altura do joelho contralateral.

Associações frequentes. Hemimelia fibular em cerca de metade dos casos, deficiência do LCA e pé com raios ausentes.

A classificação de Aitken. Separa os tipos pela presença da cabeça femoral, pelo acetábulo e pela existência de uma conexão óssea entre a cabeça e a diáfise na maturidade.

TipoCabeça e acetábuloConexão cabeça-diáfise
ACabeça presente; acetábulo normalDefeito subtrocantérico que ossifica, deixando coxa vara
BCabeça presente; acetábulo adequado ou levemente displásicoNão ossifica: pseudoartrose persistente no colo
CCabeça ausente ou só um ossículo; acetábulo muito displásicoSem articulação útil
DCabeça e acetábulo ausentes; fêmur muito curtoSem articulação

Como raciocinar. Nos tipos A e B existe uma cabeça dentro de um acetábulo, e por isso existe um quadril potencial. A diferença está no que acontece entre a cabeça e a diáfise. No A, a falha cartilaginosa acaba ossificando, e sobra uma coxa vara grave. No B, a falha persiste como pseudoartrose do colo. Nos tipos C e D, não há quadril para reconstruir.

Implicações no tratamento.

  • Nos tipos A e B, pode-se pensar em estabilizar o quadril e, em casos selecionados, em alongamento.
  • Nos tipos C e D, com o membro muito curto, a regra é a adaptação protética. Ela pode ser associada à artrodese do joelho com amputação de Syme, ou à rotacionplastia de Van Nes, em que o tornozelo girado 180° passa a funcionar como joelho.
  • O cálculo da discrepância final dos membros orienta se o caso é de alongamento ou de prótese.

Por que flexão, abdução e rotação externa. Com o fêmur proximal deficiente, os músculos que se inserem nele perdem o contraponto do braço de alavanca normal. O iliopsoas (flexor), os abdutores (glúteos médio e mínimo) e os rotadores externos curtos predominam. O segmento femoral curto fica, então, fletido, abduzido e rodado externamente, e o joelho costuma ter contratura em flexão.

D · abdução e rotação externa

Correta: D (abdução e rotação externa). Na deficiência focal femoral proximal, o quadril fica com contratura em flexão, abdução e rotação externa, pela ação sem oposição do iliopsoas, dos abdutores e dos rotadores externos sobre um fêmur curto.

A · adução e rotação interna

A adução com rotação interna é o oposto do padrão da DFFP. Lembra a postura do quadril espástico da paralisia cerebral.

B · adução e rotação externa

A rotação externa está certa, mas o quadril fica abduzido, e não aduzido.

C · abdução e rotação interna

A abdução está certa, mas a rotação é externa, e não interna.

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Na osteogênese imperfeita, de acordo com a classificação de Sillence modificada, o diagnóstico diferencial com osteossarcoma deve ser realizado no tipo:

  1. I
  2. II
  3. IV
  4. V

Gabarito: D

Conceito-chave

A osteogênese imperfeita (OI). É uma doença hereditária do colágeno tipo I, a principal proteína da matriz óssea, da esclera, da dentina, da pele e dos ligamentos. Na maioria dos casos, a mutação está nos genes COL1A1 ou COL1A2. O osso fica frágil, com fraturas de baixa energia e deformidades.

A classificação de Sillence (1979).

TipoPrincipais características
ILeve, o mais comum; esclera azul; perda auditiva; estatura quase normal; autossômica dominante; colágeno normal em qualidade, mas em quantidade reduzida
IILetal no período perinatal; múltiplas fraturas intraútero
IIIGrave e progressivo: deformidades, baixa estatura importante; esclera clareia com a idade
IVModerado; esclera normal (branca)

Os subtipos A e B. Sillence subdividiu os tipos I e IV pela dentina:

  • A: dentinogênese normal;
  • B: dentinogênese imperfeita (dentes translúcidos, acinzentados ou amarelados, frágeis, que se desgastam rápido).

Assim, o tipo IB tem esclera azul, defeito do colágeno tipo I, dentinogênese imperfeita e herança autossômica dominante.

As formas novas. Os tipos V em diante (classificação ampliada) envolvem outros genes (IFITM5, SERPINF1, CRTAP e outros), muitos com herança recessiva; o tipo V, por exemplo, tem calo hiperplásico e calcificação da membrana interóssea.

O tratamento ortopédico. Bisfosfonatos (pamidronato, zoledronato) aumentam a densidade óssea e reduzem fraturas; hastes intramedulares telescópicas (Fassier-Duval, Sheffield) corrigem deformidades e protegem os ossos longos, acompanhando o crescimento. A escoliose e a invaginação basilar são problemas frequentes nas formas graves.

O tipo V e o calo hiperplásico. O tipo V (mutação do gene IFITM5, autossômica dominante) tem características próprias: calo hiperplásico exuberante após fraturas ou osteotomias (às vezes sem fratura evidente), calcificação da membrana interóssea do antebraço (que limita a pronossupinação, com luxação da cabeça do rádio) e esclera normal. O calo hiperplásico cresce rápido, é doloroso, quente e aumenta o volume do membro, com reação periosteal e massa de osso imaturo na radiografia: imita um osteossarcoma. A biópsia pode confundir ainda mais. O conhecimento do tipo V evita amputações desnecessárias.

D · V

Correta: D (V). O tipo V de OI forma calo hiperplásico exuberante, doloroso e de crescimento rápido, que imita um osteossarcoma; somam-se a calcificação da membrana interóssea e a esclera normal.

A · I

O tipo I é leve, com esclera azul, e consolida com calo normal.

B · II

O tipo II é letal no período perinatal.

C · IV

O tipo IV é moderado, com esclera normal, sem o calo hiperplásico característico.

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Na Hemimelia fibular, podem ser observadas a hipoplasia do côndilo femoral:

  1. lateral e a instabilidade anteroposterior do joelho
  2. lateral e a instabilidade em varo e valgo do joelho
  3. medial e a instabilidade anteroposterior do joelho
  4. medial e a instabilidade em varo e valgo do joelho

Gabarito: A

Conceito-chave

As deficiências congênitas dos membros. São falhas da formação do membro durante a embriogênese (da 4ª à 8ª semana). A classificação de Frantz e O'Rahilly (1961), ainda usada nas provas, combina dois critérios:

1. A direção da falha.

  • Transversal: falta toda a largura do membro a partir de um nível (como uma "amputação congênita"); por exemplo, a ausência do antebraço e da mão.
  • Longitudinal (paraxial): falta só um lado do membro, ao longo do eixo; por exemplo, a hemimelia fibular, tibial, radial ou ulnar.

2. A extensão distal.

  • Terminal: a falta se estende até a ponta do membro; nada distal ao defeito está presente.
  • Intercalar: falta um segmento intermediário, mas as partes distais estão presentes (como na focomelia, em que a mão sai do ombro).

Combinando os critérios.

ExemploClassificação
Ausência da fíbula com pé normal (todos os raios)Longitudinal intercalar
Ausência da fíbula com ausência dos raios laterais do péLongitudinal terminal
FocomeliaTransversal intercalar
Ausência da mão e do antebraço (coto)Transversal terminal

A hemimelia fibular: um defeito de todo o membro. Não é só a fíbula que falta. É a deficiência longitudinal pós-axial do membro inferior, e acomete vários segmentos:

SegmentoAlterações
FêmurEncurtamento discreto, hipoplasia do côndilo lateral (joelho valgo)
JoelhoAusência ou hipoplasia dos cruzados: instabilidade anteroposterior; patela pequena e alta, com tendência a luxação lateral
TíbiaEncurtamento, arqueamento anteromedial, tornozelo em valgo
PéEquinovalgo, coalizão tarsal (talocalcaneana), ausência dos raios laterais, tornozelo em "bola e soquete"

Por que instabilidade anteroposterior. Os ligamentos cruzados se formam junto com as estruturas pós-axiais; na hemimelia fibular eles estão ausentes ou hipoplásicos, e a espinha tibial é achatada. O joelho tem gaveta anterior e posterior, mas costuma ser bem tolerado na infância. Os colaterais costumam estar presentes, por isso a instabilidade em varo e valgo não é a característica.

O tratamento. Depende da discrepância prevista e da função do pé (classificações de Achterman-Kalamchi, Birch e Paley): alongamento com reconstrução do tornozelo (técnica SUPERankle de Paley) e correção do valgo do joelho por hemiepifisiodese medial, ou amputação de Syme (ou Boyd) com prótese nas formas graves com pé não funcional.

A · lateral e a instabilidade anteroposterior do joelho

Correta: A (lateral e a instabilidade anteroposterior do joelho). Na hemimelia fibular, o côndilo femoral lateral é hipoplásico (joelho valgo) e os cruzados são ausentes ou hipoplásicos, com instabilidade anteroposterior.

B · lateral e a instabilidade em varo e valgo do joelho

O côndilo lateral está certo, mas os colaterais costumam estar presentes; a instabilidade típica é anteroposterior, pela falta dos cruzados.

C · medial e a instabilidade anteroposterior do joelho

A instabilidade anteroposterior está certa, mas o côndilo hipoplásico é o lateral, o que explica o joelho valgo.

D · medial e a instabilidade em varo e valgo do joelho

O côndilo hipoplásico é o lateral, e a instabilidade é anteroposterior.

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O tipo de maus-tratos mais frequente nas crianças é:

  1. o físico
  2. o sexual
  3. o emocional
  4. a negligência

Gabarito: D

Conceito-chave

Os maus-tratos na criança e as fraturas. As fraturas são a segunda manifestação mais comum dos maus-tratos, depois das lesões de pele. Cerca de 80% das fraturas por maus-tratos ocorrem em crianças menores de 18 meses, e muitas vezes a criança ainda não anda. Reconhecer o padrão é responsabilidade do ortopedista: a criança que volta para o mesmo ambiente tem alto risco de nova lesão e de morte.

A especificidade das lesões (Kleinman).

EspecificidadeLesões
AltaLesões metafisárias clássicas (fratura em "canto" e em "alça de balde"), fraturas de costelas posteriores, escápula, processos espinhosos e esterno
ModeradaFraturas múltiplas (sobretudo bilaterais), fraturas em estágios diferentes de consolidação, descolamentos epifisários, fraturas de corpos vertebrais, de dedos e do crânio complexas
Baixa (comuns)Formação de periósteo novo, fraturas de clavícula, fraturas da diáfise de ossos longos, fraturas lineares do crânio

Por que alta especificidade. Essas lesões exigem mecanismos que quase não ocorrem em acidentes:

  • a lesão metafisária clássica vem da sacudida ou tração e torção dos membros;
  • as costelas posteriores fraturam pela compressão do tórax entre as mãos do agressor;
  • a escápula, o esterno e os processos espinhosos exigem trauma direto de grande energia, raro em quedas domésticas.

As lesões de baixa especificidade são comuns também em acidentes, mas ganham importância quando a história não é compatível com a lesão ou com o desenvolvimento da criança (por exemplo, fratura de fêmur em bebê que não anda).

A investigação. Inventário esquelético completo em menores de 2 anos, repetido em 2 semanas; fundoscopia (hemorragia retiniana), avaliação neurológica e de imagem do crânio; exclusão de doenças que fragilizam o osso (osteogênese imperfeita, raquitismo); e notificação obrigatória ao conselho tutelar.

Os tipos de maus-tratos.

TipoComentário
NegligênciaDeixar de dar o cuidado básico (alimentação, higiene, saúde, proteção, escola): o tipo mais frequente nos registros dos serviços de proteção, embora o menos visível
Abuso físicoO que o ortopedista mais vê, por causa das fraturas
Abuso emocional (psicológico)Frequente e quase sempre presente junto com os outros
Abuso sexualGrave e subnotificado

A negligência responde por cerca de três quartos dos casos confirmados nos registros norte-americanos e é a forma mais comum também nos dados da OMS. Ela também aparece na ortopedia: atraso na procura de atendimento, fraturas não tratadas, falta de adesão ao tratamento.

D · a negligência

Correta: D (a negligência). A negligência, a falha em prover o cuidado básico, é o tipo de maus-tratos mais frequente nos registros dos serviços de proteção, embora o abuso físico seja o mais visto pelo ortopedista.

A · o físico

O abuso físico é o mais visto pelo ortopedista, mas não é o mais frequente.

B · o sexual

O abuso sexual é grave e subnotificado, mas não é o tipo mais comum.

C · o emocional

O abuso emocional é comum e costuma acompanhar os outros, mas não supera a negligência.

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Na hemofilia, a hemorragia intramuscular ocorre com maior frequência no:

  1. sartório
  2. psoas maior
  3. tríceps sural
  4. quadríceps femoral

Gabarito: D

Conceito-chave

A hemofilia. É uma doença hereditária ligada ao X (afeta quase só meninos) em que falta um fator da coagulação:

  • hemofilia A: deficiência do fator VIII (a mais comum, cerca de 80%);
  • hemofilia B: deficiência do fator IX (doença de Christmas).

A gravidade depende do nível do fator: grave com menos de 1%, moderada de 1 a 5% e leve de 5 a 40%. Nos casos graves, os sangramentos ocorrem espontaneamente ou com traumas mínimos.

As hemartroses. São a manifestação mais comum. As articulações mais acometidas são, em ordem: joelho, cotovelo e tornozelo. O sangue repetido na articulação causa sinovite hipertrófica, que sangra ainda mais (articulação-alvo), e destrói a cartilagem: é a artropatia hemofílica. A classificação radiográfica de Arnold e Hilgartner descreve essa progressão.

As hemorragias musculares. São a segunda manifestação mais comum. Ocorrem nos grandes grupos musculares. As séries variam, mas os locais mais citados são o quadríceps, o iliopsoas, a panturrilha (tríceps sural) e os flexores do antebraço.

LocalParticularidade
QuadrícepsHematomas grandes; risco de contratura em extensão do joelho
IliopsoasQuadril em flexão; compressão do nervo femoral; pode imitar apendicite (à direita); perda sanguínea grande
PanturrilhaRisco de síndrome compartimental e equino
Flexores do antebraçoRisco de síndrome compartimental e contratura de Volkmann

O pseudotumor hemofílico. É um hematoma crônico e encapsulado que cresce e erode o osso. Ocorre no fêmur, na pelve e na tíbia. Pode imitar um tumor maligno.

O tratamento.

  • Reposição do fator deficiente imediatamente, em casa se possível, e profilaxia regular nos casos graves (a base da prevenção da artropatia).
  • Hemartrose: repouso, gelo, imobilização curta e reabilitação. A aspiração é feita em casos selecionados, com o fator reposto.
  • Sinovite crônica: sinovectomia radioativa (radiossinoviortese) ou cirúrgica.
  • Artropatia avançada: artroplastia ou artrodese.
  • Os novos tratamentos (emicizumabe, terapia gênica) mudaram muito a prevenção.

D · quadríceps femoral

Correta: D (quadríceps femoral). Na hemofilia, as hemorragias intramusculares ocorrem nos grandes grupos musculares. O gabarito adota o quadríceps femoral como o mais frequente. O iliopsoas, a panturrilha e os flexores do antebraço também estão entre os locais mais acometidos, e as séries variam.

A · sartório

O sartório não está entre os locais mais frequentes de hemorragia muscular na hemofilia.

B · psoas maior

O iliopsoas é um local clássico e grave (compressão do nervo femoral, perda sanguínea), mas, pelo gabarito da prova, não é o mais frequente.

C · tríceps sural

O tríceps sural é um local importante, com risco de síndrome compartimental e equino, mas não é o mais frequente pelo gabarito.

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Na formação embriológica do quadril, o acetábulo e a cabeça do fêmur são derivados:

  1. do mesmo tecido de células mesenquimais
  2. de diferentes tecidos de células mesenquimais
  3. de diferentes tecidos e de células mesenquimais diferentes
  4. do mesmo tecido, porém, de células mesenquimais diferentes

Gabarito: A

Conceito-chave

A embriologia do quadril. O membro inferior surge como um broto da parede lateral do embrião por volta do 28º dia. Dentro dele, o mesênquima se condensa e forma os moldes cartilaginosos dos ossos.

Como a articulação se forma.

PeríodoEvento
4ª a 6ª semanaUma massa única e contínua de células mesenquimais dá origem, ao mesmo tempo, ao acetábulo e à extremidade proximal do fêmur
6ª semanaSurge, no meio dessa massa, uma faixa menos densa: a interzona
7ª semanaA interzona se cavita, formando o espaço articular
8ª a 11ª semanaFormam-se a cartilagem articular, a sinovial, o ligamento redondo, o lábio e o pulvinar; o quadril está completo por volta da 11ª semana

A consequência: crescimento interdependente. Como nascem do mesmo tecido, a cabeça e o acetábulo continuam a depender um do outro para crescer. A cabeça centrada é o estímulo mecânico para que o acetábulo se aprofunde e a cartilagem trirradiada cresça; o acetábulo, por sua vez, molda a cabeça esférica.

A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ). O quadril embrionário é normal; a displasia surge depois, sobretudo no fim da gestação e após o nascimento, quando fatores mecânicos tiram a cabeça do lugar:

  • apresentação pélvica, primeira gestação, oligoidrâmnio e outras condições de "aperto" intrauterino (torcicolo, metatarso aduto);
  • frouxidão ligamentar pelos hormônios maternos (relaxina) e herança;
  • sexo feminino e história familiar;
  • enfaixamento pós-natal com quadris em extensão e adução.

Se a cabeça fica fora do lugar, o acetábulo não se aprofunda e fica raso. Por isso, a redução concêntrica precoce permite que o acetábulo se remodele, com potencial máximo nos primeiros meses e até cerca dos 4 anos.

A luxação teratológica é diferente: ocorre no início da gestação, em síndromes (artrogripose, mielomeningocele), com quadril rígido e irredutível, e tem pior prognóstico.

A · do mesmo tecido de células mesenquimais

Correta: A (do mesmo tecido de células mesenquimais). O acetábulo e a cabeça femoral se originam de uma única massa contínua de células mesenquimais, que se separa pela cavitação da interzona por volta da 7ª semana.

B · de diferentes tecidos de células mesenquimais

Não são tecidos diferentes: os dois saem da mesma massa mesenquimal.

C · de diferentes tecidos e de células mesenquimais diferentes

Não há tecidos nem células de origem diferentes; a origem é comum.

D · do mesmo tecido, porém, de células mesenquimais diferentes

A massa de células é a mesma; não há duas populações distintas de células na origem.

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Na hemimelia tibial, com ausência completa da tíbia, observa-se:

  1. ausência da patela e pé varo
  2. presença da patela e pé varo
  3. ausência da patela e pé valgo
  4. presença da patela e pé valgo

Gabarito: A

Conceito-chave

A hemimelia tibial. É a deficiência longitudinal da tíbia, muito mais rara que a hemimelia fibular (cerca de 1 em 1 milhão de nascidos vivos). É uma deficiência pré-axial (do lado medial do membro, o lado do hálux). Pode ser hereditária (autossômica dominante) e se associar a outras anomalias:

  • polidactilia pré-axial do pé ou da mão;
  • mão em fenda;
  • duplicação do fêmur;
  • anomalias cardíacas.

O quadro clínico na ausência completa da tíbia.

  • Perna curta, com a fíbula íntegra e luxada proximalmente, subindo ao lado do fêmur.
  • Joelho instável, em flexão, com o quadríceps deficiente.
  • Patela ausente (ou muito hipoplásica): sem tíbia proximal, não há tuberosidade para o tendão patelar, e o aparelho extensor não se forma.
  • Pé em varo importante (equinovaro), porque falta o suporte medial do tornozelo. O pé fica supinado e rodado medialmente, lembrando um pé torto grave.

A classificação de Jones.

TipoAchado
1aAusência completa da tíbia; epífise distal do fêmur hipoplásica
1bTíbia proximal presente, mas não ossificada ao nascer (vista na ultrassonografia ou ressonância)
2Tíbia proximal presente, distal ausente
3Tíbia distal presente, proximal ausente (raro)
4Diástase tibiofibular distal

O papel do quadríceps. No tipo 1, o que define o tratamento é a presença de um quadríceps funcionante.

  • Tipo 1a sem quadríceps: desarticulação do joelho e prótese. É a opção mais funcional.
  • Tipo 1a com quadríceps e extensão ativa: pode-se tentar a centralização da fíbula sob o fêmur (cirurgia de Brown). Os resultados são irregulares, com contratura em flexão.
  • Tipo 2: sinostose tibiofibular proximal (a fíbula é unida à tíbia proximal) e amputação de Syme ou reconstrução do pé.
  • Tipo 4: reconstrução da pinça do tornozelo ou Syme.

A · ausência da patela e pé varo

Correta: A (ausência da patela e pé varo). Na hemimelia tibial com ausência completa da tíbia (tipo 1a de Jones), a patela está ausente ou é muito hipoplásica, porque o aparelho extensor não tem onde se inserir. O pé fica em varo grave (equinovaro), pela falta do suporte medial da tíbia.

B · presença da patela e pé varo

O pé varo está certo, mas, na ausência completa da tíbia, a patela costuma estar ausente, com quadríceps deficiente.

C · ausência da patela e pé valgo

A ausência da patela está certa, mas o pé fica em varo, e não em valgo. O pé valgo é típico da hemimelia fibular.

D · presença da patela e pé valgo

Erra os dois achados: a patela está ausente e o pé fica em varo. Patela presente com pé valgo lembra a hemimelia fibular.

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A luxação congênita da cabeça do rádio, na maioria dos casos é:

  1. bilateral e associada a outras manifestações
  2. unilateral e associada a outras manifestações
  3. bilateral e sem associações com outras manifestações
  4. unilateral e sem associações com outras manifestações

Gabarito: A

Conceito-chave

A luxação congênita da cabeça do rádio. É a anomalia congênita mais comum do cotovelo. A cabeça do rádio está fora da sua articulação com o capítulo desde o nascimento, geralmente em direção posterior (às vezes posterolateral ou anterior).

As características.

  • Na maioria dos casos é bilateral.
  • Frequentemente se associa a outras manifestações: síndromes e anomalias, como a síndrome unha-patela, a síndrome de Larsen, a de Klippel-Feil, a sinostose radioulnar, a artrogripose e várias displasias esqueléticas.
  • Não há história de trauma.
  • É frequentemente assintomática na infância e descoberta por acaso ou por uma limitação discreta. Na adolescência, pode surgir dor, estalido ou uma proeminência palpável.

Como diferenciar da luxação traumática (Monteggia não diagnosticada). A distinção é importante, porque a luxação traumática crônica pode ser reconstruída, e a congênita não.

AchadoCongênitaTraumática (crônica)
LadoFrequentemente bilateralUnilateral
Cabeça do rádioConvexa (abaulada), sem a concavidade normal; colo longo e finoCôncava, de forma normal
CapítuloHipoplásicoNormal
UlnaPode ser curvaUlna com sinais da fratura antiga, ou curva
AssociaçõesSíndromes e outras anomaliasNenhuma; história de trauma

O tratamento.

  • Observação: na maioria, a função é boa.
  • Na adolescência ou na vida adulta, se houver dor ou limitação por uma cabeça proeminente: ressecção da cabeça do rádio, feita após o fim do crescimento (para não causar migração do rádio e desvio do punho).
  • A redução cirúrgica não costuma funcionar, porque as superfícies articulares são malformadas.

A · bilateral e associada a outras manifestações

Correta: A (bilateral e associada a outras manifestações). A luxação congênita da cabeça do rádio é, na maioria dos casos, bilateral e associada a outras anomalias ou síndromes, como a unha-patela, a de Larsen e a de Klippel-Feil.

B · unilateral e associada a outras manifestações

A associação com outras manifestações está certa, mas a luxação congênita é, em geral, bilateral. A unilateralidade sugere luxação traumática.

C · bilateral e sem associações com outras manifestações

A bilateralidade está certa, mas a luxação congênita se associa frequentemente a outras anomalias e síndromes.

D · unilateral e sem associações com outras manifestações

A luxação unilateral e isolada sugere uma Monteggia não diagnosticada (traumática), e não a forma congênita.

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A doença de Köhler e Iselin se localizam, respectivamente:

  1. no navicular e na base do quinto metatarsal
  2. na cabeça do segundo metatarsal e no navicular
  3. na tuberosidade posterior do calcâneo e no navicular
  4. na cabeça do terceiro metatarsal e na base do quinto metatarsal

Gabarito: A

Conceito-chave

Osteocondroses e apofisites: a diferença.

  • Osteocondrose é um distúrbio da ossificação endocondral de um centro de ossificação (epífise ou osso do carpo e do tarso), com necrose e fragmentação seguidas de reossificação. Exemplos: Köhler, Freiberg, Perthes, Panner.
  • Apofisite de tração é a inflamação de uma apófise (centro de ossificação onde se insere um tendão) por tração repetida do músculo durante o estirão de crescimento. Exemplos: Sever, Osgood-Schlatter, Sinding-Larsen-Johansson, Iselin.

As do pé.

Epônimo e localTipoPerfil
Köhler: navicularOsteocondroseMeninos de 4 a 7 anos
Iselin: base do 5º metatarsoApofisite (fibular curto)Adolescente ativo, 10 a 14 anos
Freiberg: cabeça do 2º metatarsoOsteocondroseAdolescente do sexo feminino
Sever: apófise posterior do calcâneoApofisite (tendão calcâneo)8 a 12 anos, esportes
Renander: sesamoide medial do háluxOsteocondroseAdolescente

A doença de Köhler. O navicular é o último osso do tarso a ossificar e fica sob compressão entre a cabeça do tálus e os cuneiformes. Na radiografia, fica achatado, denso e fragmentado. A criança tem dor no médio-pé medial e claudicação. A evolução é benigna e autolimitada: o osso reossifica sem sequela em 1 a 3 anos. Uma bota gessada curta por algumas semanas encurta o tempo de dor.

A doença de Iselin. A apófise da base do 5º metatarso aparece por volta dos 10 a 12 anos como uma pequena lâmina óssea paralela ao eixo do metatarso. A tração do fibular curto em esportes com corrida e mudanças de direção causa dor e aumento de volume lateral. Tratamento: repouso relativo, gelo, alongamento e, se necessário, imobilização curta.

A armadilha. A apófise normal tem traço longitudinal (paralelo ao metatarso), enquanto uma fratura da base do 5º metatarso tem traço transversal ou oblíquo.

A · no navicular e na base do quinto metatarsal

Correta: A. A doença de Köhler é a osteocondrose do navicular, e a de Iselin é a apofisite de tração da base do quinto metatarso, na inserção do fibular curto.

B · na cabeça do segundo metatarsal e no navicular

A cabeça do segundo metatarso é a sede da doença de Freiberg, e o navicular é a da Köhler, e não da Iselin.

C · na tuberosidade posterior do calcâneo e no navicular

A tuberosidade posterior do calcâneo é a sede da doença de Sever.

D · na cabeça do terceiro metatarsal e na base do quinto metatarsal

A cabeça do terceiro metatarso pode ser sede de Freiberg (menos comum); não é a localização da Köhler.

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Na tíbia vara de Blount, a barra óssea através da fise está presente a partir do estágio Langenskiöld:

  1. II
  2. III
  3. IV
  4. V

Gabarito: C

Conceito-chave

A doença de Blount é um distúrbio do crescimento da porção medial da fise proximal da tíbia, que leva à tíbia vara progressiva. Tem duas formas:

infantil: antes dos 4 anos, em crianças obesas que andaram cedo, em geral bilateral;

juvenil e do adolescente: depois dos 10 anos, em obesos, em geral unilateral e com varo menor.

A classificação de Langenskiöld tem seis estágios pela radiografia da metáfise e da epífise medial:

I e II: irregularidade e bico metafisário medial, depois uma depressão; podem regredir;

III e IV: o degrau metafisário aprofunda e a epífise desce para dentro dele; a partir do IV começa a lesão permanente da fise, com tendência a formar ponte óssea;

V: a epífise parece dupla;

VI: ponte óssea completa através da fise medial.

O ângulo metafisário-diafisário (Drennan): acima de 16°, Blount provável; abaixo de 10°, varo fisiológico.

O tratamento: órtese nos estágios iniciais em menores de 3 anos; osteotomia valgizante antes dos 4 anos; nos casos tardios, crescimento guiado, ressecção da barra e elevação do planalto medial.

Os estágios de Langenskiöld em detalhe.

EstágioAchado
IIrregularidade da metáfise medial, com bico
IIDepressão em degrau da metáfise medial
IIIDegrau mais profundo, com fragmentação
IVA epífise desce para o degrau; barra óssea medial começa a se formar
VEpífise dupla: fenda separando o platô medial
VIFechamento completo da fise medial (barra estabelecida)

Por que a osteotomia isolada falha nos estágios IV e V. A osteotomia valgizante corrige o eixo naquele momento, mas a fise medial continua travada pela barra (ou lesada), enquanto a lateral segue crescendo: o varo volta com o crescimento. Por isso, nesses estágios, à osteotomia associa-se a ressecção da barra (com interposição de gordura), a epifisiodese lateral (ou completa, com a da fíbula) e, quando há depressão do platô, a elevação do hemiplatô medial.

C · IV

Correta: C (IV), segundo a banca. O gabarito marca o estágio IV, quando a epífise desce para o degrau e começa o dano fisário permanente com formação da barra; na descrição clássica, a ponte óssea completa é do estágio VI.

A · II

No estágio II há depressão metafisária, ainda sem barra e potencialmente reversível.

B · III

No estágio III o degrau aprofunda e pode fragmentar, mas ainda não há barra.

D · V

O estágio V, com epífise dupla, é posterior ao início considerado pela questão.

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A pseudoartrose congênita da clavícula é mais comum no sexo:

  1. feminino e à direita
  2. feminino e à esquerda
  3. masculino e à direita
  4. masculino e à esquerda

Gabarito: A

Conceito-chave

Uma doença rara com regra de lateralidade. A pseudartrose congênita da clavícula é uma falha de união entre os dois centros de ossificação primários da clavícula (medial e lateral), que normalmente se fundem por volta da sétima semana de vida intrauterina. O resultado é uma massa indolor no terço médio, percebida ao nascer ou nos primeiros meses, com mobilidade entre os fragmentos e sem história de trauma.

Por que é quase sempre à direita. A teoria mais aceita é a da compressão pela artéria subclávia. Do lado direito, a subclávia fica mais alta e mais próxima da face posterior da clavícula em formação, e sua pulsação impediria a fusão dos dois centros. Reforçam a teoria:

  • os casos do lado esquerdo ocorrem quase só em pacientes com dextrocardia ou anomalias do arco aórtico, quando a anatomia vascular se inverte;
  • costelas cervicais e primeira costela alta, que elevam a subclávia, aumentam a frequência;
  • os casos bilaterais são raros.

Perfil epidemiológico.

AspectoDado
LadoDireito (esquerdo só com dextrocardia)
SexoFeminino mais acometido
LocalTerço médio
NeurofibromatoseSem relação, ao contrário da pseudartrose congênita da tíbia

Diagnóstico diferencial.

  • Fratura obstétrica: dolorosa, com pseudoparalisia do membro, e forma calo exuberante em 2 a 3 semanas. A pseudartrose congênita é indolor e não forma calo.
  • Disostose cleidocraniana: ausência parcial ou total das clavículas, geralmente bilateral e com alterações do crânio (fontanelas abertas) e dentárias.

Tratamento. Muitos são assintomáticos e só observados. Se há dor, deformidade estética importante ou sintomas de compressão, faz-se ressecção do tecido fibroso, enxerto ósseo e fixação, de preferência entre 3 e 6 anos, com altas taxas de consolidação.

A · feminino e à direita

Correta: A (feminino e à direita). A pseudartrose congênita da clavícula predomina no sexo feminino e ocorre quase sempre à direita, atribuída à posição mais alta da artéria subclávia desse lado, cuja pulsação impediria a fusão dos centros de ossificação.

B · feminino e à esquerda

O sexo está certo, mas o lado esquerdo só é acometido em situações especiais, como dextrocardia.

C · masculino e à direita

O lado está certo, mas o predomínio é feminino.

D · masculino e à esquerda

Erra o sexo e o lado: o perfil típico é feminino e direito.

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Na doença de Legg-Calve-Perthes, a classificação de Hering baseia-se na radiografia:

  1. de perfil, na fase de necrose
  2. de perfil, na fase de fragmentação
  3. anteroposterior, na fase de necrose
  4. anteroposterior, na fase de fragmentação

Gabarito: D

Conceito-chave

A doença de Legg-Calvé-Perthes. É a necrose avascular idiopática da epífise femoral proximal em crescimento. Acomete crianças de 4 a 8 anos, meninos (4 a 5 para cada menina), com idade óssea atrasada; é bilateral em cerca de 10% a 15%, mas nunca simultânea nem simétrica. A causa exata é desconhecida; trombofilias, tabagismo passivo e baixo nível socioeconômico estão associados.

A classificação do pilar lateral de Herring. É feita na radiografia em AP, na fase de fragmentação. A epífise é dividida em três pilares: lateral (15% a 30% da largura), central (cerca de 50%) e medial (20% a 35%). Gradua-se a altura do pilar lateral em comparação com o lado normal:

GrupoPilar lateral
ASem perda de altura
BMantém mais de 50% da altura (perda menor que 50%)
B/C (borda)Cerca de 50%, estreito (2 a 3 mm) ou pouco ossificado
CMantém menos de 50% da altura (colapso maior que 50%)

Por que o pilar lateral. O pilar lateral protege a parte central da epífise da compressão pelo rebordo acetabular. Se ele colapsa, a cabeça se achata e extrusa lateralmente, e o acetábulo deixa de moldá-la.

O valor prognóstico. É a classificação com maior valor prognóstico e melhor concordância entre observadores. Combinada com a idade de início, orienta o tratamento (estudo multicêntrico de Herring, 2004):

  • Grupo A: bom prognóstico em qualquer idade; observação.
  • Grupo B e B/C com início após 8 anos: a cirurgia de contenção (osteotomia femoral varizante ou de Salter) melhora o resultado.
  • Grupo B com início antes de 8 anos: bom resultado sem cirurgia.
  • Grupo C: mau prognóstico com ou sem cirurgia.

Os sinais de cabeça em risco (Catterall) e a extrusão lateral somam informação prognóstica. O desfecho final é medido pela classificação de Stulberg.

D · anteroposterior, na fase de fragmentação

Correta: D (anteroposterior, na fase de fragmentação). A classificação do pilar lateral de Herring é feita na radiografia em AP, na fase de fragmentação, comparando a altura do pilar lateral com o lado normal.

A · de perfil, na fase de necrose

O pilar lateral é avaliado no AP, e a classificação é feita na fragmentação, e não na necrose.

B · de perfil, na fase de fragmentação

A fase de fragmentação está certa, mas a incidência é o AP, onde se vê o pilar lateral.

C · anteroposterior, na fase de necrose

O AP está certo, mas na fase de necrose o pilar ainda não colapsou; a classificação é feita na fragmentação.

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Na distrofia muscular de Duchenne, a criança deixa de caminhar por perda de força de:

  1. flexão do quadril e dorsiflexão do tornozelo
  2. flexão do quadril e flexão plantar do tornozelo
  3. extensão do quadril e dorsiflexão do tornozelo
  4. extensão do quadril e flexão plantar do tornozelo

Gabarito: C

Conceito-chave

A distrofia muscular de Duchenne. É a distrofia muscular mais comum da infância (cerca de 1 em 3.500 a 5.000 meninos). É recessiva ligada ao X: acomete meninos, e cerca de um terço dos casos são mutações novas. A mutação no gene da distrofina (a proteína que ancora o citoesqueleto da fibra muscular à membrana) deixa a fibra frágil: ela se rompe a cada contração, degenera e é substituída por gordura e tecido fibroso.

A apresentação clínica.

AchadoDetalhe
InícioEntre 3 e 5 anos: atraso da marcha, quedas, dificuldade para correr e subir escadas
DistribuiçãoFraqueza simétrica e proximal (cinturas pélvica e escapular), dos membros inferiores primeiro
Sinal de GowersLevanta-se do chão "escalando" as próprias pernas com as mãos
Pseudo-hipertrofiaDas panturrilhas (músculo substituído por gordura e fibrose)
TônusHipotonia e reflexos diminuídos (doença do músculo, e não do neurônio)
LaboratórioCPK muito elevada (50 a 100 vezes o normal)

A marcha. A fraqueza dos extensores do quadril e dos abdutores muda a marcha: a criança aumenta a lordose lombar (para colocar o centro de gravidade atrás do quadril), anda na ponta dos pés (equino pela contratura do tríceps) e alarga a base; a fraqueza dos abdutores dá a marcha bamboleante (Trendelenburg bilateral). Com a progressão, a criança fica mais instável no apoio unipodal e passa mais tempo com os dois pés no chão: o duplo apoio aumenta. A perda da marcha ocorre por volta dos 10 a 12 anos (sem corticoide).

O tratamento. Os corticoides (prednisona ou deflazacorte) prolongam a marcha em cerca de 2 a 3 anos e reduzem a escoliose; a escoliose progressiva após a perda da marcha é tratada com artrodese precoce (antes da piora da função pulmonar). A morte ocorre por insuficiência respiratória ou cardiomiopatia, hoje com sobrevida até a 3ª ou 4ª década.

Por que a criança deixa de andar. A perda da marcha (por volta dos 10 a 12 anos sem corticoide) resulta da fraqueza progressiva dos extensores do quadril (glúteo máximo), que não conseguem mais manter o tronco ereto sobre os quadris, somada à fraqueza dos dorsiflexores do tornozelo e à contratura em equino (o tríceps sural fica fibrótico e curto). A criança compensa com hiperlordose e marcha na ponta dos pés, mas, quando a fraqueza do quadril e o equino ultrapassam a capacidade de compensação, ela cai e não consegue mais andar. Alongamentos do tendão calcâneo e órteses (KAFO) podem prolongar a marcha por algum tempo.

C · extensão do quadril e dorsiflexão do tornozelo

Correta: C (extensão do quadril e dorsiflexão do tornozelo). A fraqueza dos extensores do quadril e dos dorsiflexores do tornozelo, somada à contratura em equino, impede a criança de manter o tronco sobre os quadris e leva à perda da marcha.

A · flexão do quadril e dorsiflexão do tornozelo

Os flexores do quadril são relativamente poupados; o que falha é a extensão.

B · flexão do quadril e flexão plantar do tornozelo

Os flexores do quadril são relativamente poupados, e a flexão plantar está preservada (há até contratura em equino).

D · extensão do quadril e flexão plantar do tornozelo

A extensão do quadril está certa, mas a flexão plantar está preservada e contraída; o déficit é da dorsiflexão.

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Na paralisia cerebral, a criança que apresenta controle cervical e do tronco, mas deambula com limitações em domicílio e ambientes fechados, necessitando de cadeira de rodas na comunidade, tem classificação funcional GMFCS nível:

  1. 2
  2. 3
  3. 4
  4. 5

Gabarito: C

Conceito-chave

A paralisia cerebral e a função motora. A paralisia cerebral é descrita por três eixos: o tipo de distúrbio do movimento (espástica, discinética, atáxica), a distribuição topográfica (hemiplegia, diplegia, quadriplegia) e a função. O GMFCS (Gross Motor Function Classification System, de Palisano, 1997) classifica a função motora grossa em cinco níveis, com descrições por faixa etária. É confiável, estável ao longo do tempo e prediz a função futura (curvas de Rosenbaum).

Os níveis (descrição geral).

NívelFunção
IAnda sem limitações; dificuldade só em atividades avançadas (correr, saltar)
IIAnda com limitações (terrenos irregulares, longas distâncias), sem dispositivo
IIIAnda com dispositivo manual (andador, muletas); cadeira para longas distâncias
IVMobilidade limitada: fica em pé para transferências, anda pouco ou nada; cadeira de rodas (muitas vezes motorizada)
VTransportado em cadeira de rodas; controle limitado de cabeça e tronco

Entre 6 e 12 anos, a separação entre os níveis.

  • III: anda com dispositivo manual (andador, muletas) na maioria dos ambientes internos; cadeira para longas distâncias.
  • IV: tem controle de cabeça e tronco sentado, mas a marcha é limitada: anda pouco, em casa e em ambientes fechados, muitas vezes com ajuda ou andador com suporte; na comunidade depende de cadeira de rodas (manual com ajuda ou motorizada).
  • V: sem controle de cabeça e tronco; é transportado em todos os ambientes.

A importância ortopédica. O nível do GMFCS orienta o risco de luxação do quadril (que aumenta do nível I ao V) e a vigilância pelo índice de migração de Reimers, o risco de escoliose e as metas do tratamento: nos níveis I a III, a marcha; nos IV e V, a sedestação, o conforto, a higiene e a prevenção da luxação dolorosa.

C · 4

Correta: C (4). No nível IV, a criança tem controle de cabeça e tronco, anda pouco e com limitações em casa e ambientes fechados, e depende de cadeira de rodas na comunidade.

A · 2

No nível II a criança anda na maioria dos ambientes, com limitações em distância e terreno.

B · 3

No nível III a criança anda com dispositivo manual, com mobilidade maior que a descrita.

D · 5

No nível V não há controle de cabeça e tronco, e a criança é transportada.

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Em relação ao crescimento e desenvolvimento de uma criança, é esperado aos 18 meses de idade que ela comece a:

  1. subir escadas com apoio das duas mãos
  2. subir escadas sem apoio e pular no lugar
  3. inclinar e recuperar o equilíbrio ao sentar-se
  4. ficar em pé sem apoio e caminhar para a frente sem apoio

Gabarito: A

Conceito-chave

Para que servem os marcos do desenvolvimento. O desenvolvimento motor segue uma sequência previsível, no sentido cefalocaudal (primeiro o controle da cabeça, depois do tronco, depois das pernas) e de proximal para distal. Conhecer as idades esperadas permite reconhecer atrasos, que podem ser o primeiro sinal de paralisia cerebral, doenças neuromusculares ou síndromes, e também acalmar os pais quando a variação é normal.

Os marcos motores grossos.

IdadeMarco
3 a 4 mesesSustenta a cabeça
6 mesesSenta com apoio, rola
7 a 8 mesesSenta sem apoio, inclina-se e recupera o equilíbrio sentada
9 a 10 mesesEngatinha, fica de pé com apoio
12 mesesPrimeiros passos com apoio; fica em pé sozinha
12 a 15 mesesAnda sozinha
18 mesesAnda bem, corre de forma desajeitada, sobe escadas com apoio (segurando a mão de alguém ou o corrimão)
2 anosCorre bem, sobe e desce escadas sozinha (dois pés por degrau), chuta bola
3 anosSobe escadas alternando os pés, pedala triciclo, pula com os dois pés
4 anosPula num pé só, desce escadas alternando os pés

Os sinais de alerta.

  • Não senta sem apoio aos 9 meses.
  • Não anda sozinha aos 18 meses (na maioria das referências, sinal de alerta para investigação).
  • Perda de marcos já adquiridos (regressão): sugere doença neurológica progressiva ou distrofia muscular.
  • Assimetria persistente ou preferência manual antes de 1 ano: sugere lesão neurológica (hemiplegia).

Aplicação na ortopedia. Atraso da marcha é um achado frequente na paralisia cerebral, na distrofia muscular de Duchenne (que também mostra o sinal de Gowers) e na displasia do quadril não diagnosticada. Por outro lado, andar cedo associa-se à doença de Blount.

A · subir escadas com apoio das duas mãos

Correta: A (subir escadas com apoio das duas mãos). Aos 18 meses, a criança anda bem e começa a subir escadas com apoio, segurando a mão de alguém ou o corrimão; subir sem apoio e pular com os dois pés vêm depois.

B · subir escadas sem apoio e pular no lugar

Subir escadas sem apoio (alternando os pés) e pular no lugar são marcos de cerca de 2 a 3 anos.

C · inclinar e recuperar o equilíbrio ao sentar-se

Inclinar-se e recuperar o equilíbrio sentada é um marco de cerca de 7 a 8 meses.

D · ficar em pé sem apoio e caminhar para a frente sem apoio

Ficar em pé e caminhar sem apoio começa entre 12 e 15 meses; aos 18 meses já é esperado, e não algo que a criança começa a fazer.

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Na marcha normal, a fase de:

  1. balanço representa 60% do ciclo de marcha
  2. apoio corresponde a 30% do ciclo da marcha
  3. apoio simples corresponde a 40% do ciclo da marcha
  4. balanço simples corresponde a 40% do ciclo da marcha

Gabarito: C

Conceito-chave

O ciclo da marcha. Vai do contato de um pé no chão até o próximo contato do mesmo pé. Divide-se em:

  • apoio: o pé está no chão, cerca de 60% do ciclo;
  • balanço: o pé está no ar, avançando, cerca de 40% do ciclo.

As subdivisões do apoio.

PeríodoDuração aproximadaO que acontece
Duplo apoio inicialCerca de 10%Os dois pés no chão, logo após o contato do calcanhar; o peso passa para o membro que chegou
Apoio simplesCerca de 40%Só um pé no chão (o outro está em balanço): apoio médio e terminal
Duplo apoio finalCerca de 10%Pré-balanço; o peso passa para o outro membro

Uma simetria útil. O apoio simples de um membro (40%) dura exatamente o mesmo que o balanço do outro membro (40%): enquanto um pé está no ar, o outro sustenta o corpo sozinho.

As fases funcionais de Perry.

  • Apoio: contato inicial, resposta à carga, apoio médio, apoio terminal, pré-balanço.
  • Balanço: balanço inicial, médio e terminal.

A velocidade muda as proporções. Andando mais rápido, o apoio encurta e o duplo apoio diminui; na corrida, o duplo apoio desaparece e surge uma fase de voo. Na marcha lenta ou em pacientes com déficit de equilíbrio (idosos, doenças neurológicas), o apoio e o duplo apoio aumentam, porque o duplo apoio é a fase mais estável.

A marcha da criança. Antes dos 3 anos: base alargada, passos curtos, cadência alta, contato com o pé plano e apoio mais longo. O padrão adulto se estabelece por volta dos 7 anos.

C · apoio simples corresponde a 40% do ciclo da marcha

Correta: C (apoio simples corresponde a 40% do ciclo). Na marcha normal, o apoio ocupa cerca de 60% do ciclo, com dois duplos apoios de cerca de 10% cada e um apoio simples de cerca de 40%, que coincide com o balanço do outro membro.

A · balanço representa 60% do ciclo de marcha

O balanço ocupa cerca de 40% do ciclo, e não 60%.

B · apoio corresponde a 30% do ciclo da marcha

O apoio ocupa cerca de 60%, e não 30%.

D · balanço simples corresponde a 40% do ciclo da marcha

Não existe "balanço simples" como fase da marcha; o termo correto é apoio simples, que corresponde a 40%.

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No desenvolvimento da coxa, o centro de ossificação da cabeça do fêmur é visibilizado na radiografia:

  1. ao nascimento
  2. no 4º mês pós-natal
  3. no 8º mês pós-natal
  4. no 12º mês pós-natal

Gabarito: B

Conceito-chave

A cabeça femoral ao nascer é cartilagem. Ao nascimento, a epífise proximal do fêmur é toda cartilaginosa e não aparece na radiografia. O núcleo de ossificação da cabeça femoral surge entre 4 e 6 meses de vida, um pouco antes nas meninas, e cresce progressivamente.

Por que isso importa na displasia do quadril.

IdadeExame de escolhaPor quê
Até 4 a 6 mesesUltrassonografia (método de Graf)A cabeça e o acetábulo são cartilaginosos; a radiografia mostra pouco
Após 4 a 6 mesesRadiografia em AP da baciaO núcleo de ossificação aparece e passa a sombrear a imagem da ultrassonografia

Como ler a radiografia depois dos 6 meses.

  • Linha de Hilgenreiner: horizontal, pelas cartilagens trirradiadas.
  • Linha de Perkin: vertical, pela borda lateral do acetábulo.
  • O núcleo da cabeça deve ficar no quadrante inferomedial formado pelas duas linhas.
  • Índice acetabular: inclinação do teto (normal até cerca de 30° ao nascer, diminuindo com a idade).
  • Linha de Shenton: arco contínuo entre o colo do fêmur e a borda do forame obturador; rompida na subluxação.

O núcleo também ajuda no diagnóstico.

  • Na displasia, o núcleo do lado afetado costuma ser menor e aparecer mais tarde que o do lado normal.
  • A presença do núcleo antes da redução fechada é discutida como fator de proteção contra a necrose avascular, embora as evidências sejam conflitantes.

Outros centros do membro inferior. O centro do fêmur distal e o da tíbia proximal já estão presentes ao nascer (sinal de maturidade fetal), e o do trocânter maior aparece por volta dos 4 anos.

B · no 4º mês pós-natal

Correta: B (no 4º mês pós-natal). O núcleo de ossificação da cabeça do fêmur aparece na radiografia entre o 4º e o 6º mês de vida; antes disso, a cabeça é cartilaginosa e o exame de escolha para a displasia é a ultrassonografia.

A · ao nascimento

Ao nascimento, a cabeça femoral é cartilaginosa; os centros já presentes ao nascer são o do fêmur distal e o da tíbia proximal.

C · no 8º mês pós-natal

Aos 8 meses, o núcleo normalmente já está visível há algum tempo; um atraso até essa idade pode ocorrer no lado displásico.

D · no 12º mês pós-natal

Aos 12 meses, o núcleo já deveria estar bem visível; sua ausência nessa idade sugere atraso de ossificação ou displasia.

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Na luxação congênita do joelho, este encontra-se na posição de:

  1. hiperflexão, com fibrose dos músculos isquiotibiais
  2. hiperextensão, com frouxidão dos músculos isquiotibiais
  3. hiperflexão, com frouxidão do músculo quadríceps femoral
  4. hiperextensão, com fibrose do músculo quadríceps femoral

Gabarito: D

Conceito-chave

A luxação congênita do joelho. É rara. O recém-nascido nasce com o joelho em hiperextensão (recurvato), às vezes com o pé encostando na face. O espectro vai de uma simples hiperextensão até a luxação anterior completa da tíbia sobre o fêmur.

A classificação em graus.

GrauSituação
1Hiperextensão (recurvato) simples; flexão passiva possível
2Subluxação anterior da tíbia
3Luxação completa: tíbia à frente do fêmur, sem contato articular

O que mantém o joelho em hiperextensão.

  • O quadríceps está encurtado e fibrótico, às vezes aderido ao fêmur. É a principal estrutura que impede a flexão.
  • A cápsula anterior está contraída.
  • Os isquiotibiais se deslocam para a frente do eixo de rotação do joelho, passando a funcionar como extensores, o que piora a deformidade.
  • O LCA pode ser hipoplásico ou ausente.

As causas. Posição intrauterina (apresentação pélvica com as pernas estendidas, oligoâmnio), frouxidão ligamentar e síndromes (Larsen, artrogripose, mielomeningocele).

As associações: examine o quadril e os pés.

  • Displasia do desenvolvimento do quadril: muito frequente, em boa parte dos casos.
  • Pé torto congênito ou pé calcaneovalgo.
  • Luxação do cotovelo, na síndrome de Larsen.

O tratamento. Começa logo após o nascimento.

  1. Manipulação e gessos seriados em flexão progressiva, ou suspensório de Pavlik nos graus leves. Os graus 1 e 2 costumam responder.
  2. Se a flexão não ultrapassar cerca de 30 a 90° em algumas semanas, ou no grau 3: quadricepsplastia (alongamento em V-Y do quadríceps) com liberação capsular anterior, idealmente nos primeiros meses de vida.
  3. A ordem importa: o joelho é tratado antes do quadril. O suspensório de Pavlik para a DDQ exige um joelho que flexione, porque os isquiotibiais tensos em extensão impedem a flexão do quadril.

O prognóstico é bom nos graus leves tratados cedo. É pior nas formas sindrômicas, como a artrogripose e a síndrome de Larsen.

D · hiperextensão, com fibrose do músculo quadríceps femoral

Correta: D (hiperextensão, com fibrose do músculo quadríceps femoral). Na luxação congênita do joelho, a articulação fica em hiperextensão. O quadríceps está encurtado e fibrótico e é a principal estrutura que impede a flexão, ao lado da cápsula anterior contraída e dos isquiotibiais deslocados para a frente.

A · hiperflexão, com fibrose dos músculos isquiotibiais

O joelho fica em hiperextensão, e não em hiperflexão. Os isquiotibiais se deslocam para a frente, mas não são a estrutura fibrótica.

B · hiperextensão, com frouxidão dos músculos isquiotibiais

A hiperextensão está certa, mas a estrutura que bloqueia a flexão é o quadríceps fibrótico. A frouxidão dos isquiotibiais não explica a deformidade.

C · hiperflexão, com frouxidão do músculo quadríceps femoral

Erra a posição e o músculo: o joelho fica em hiperextensão, e o quadríceps está encurtado e fibrótico, e não frouxo.

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A marcha em rotação externa tibial patológica (>18 graus) na adolescência está relacionada a:

  1. joelho valgo
  2. coalisão tarsal
  3. anteversão femoral
  4. frouxidão ligamentar

Gabarito: B

Conceito-chave

A torção tibial e o ângulo coxa-pé. A tíbia nasce com leve torção interna e, com o crescimento, gira para fora até atingir, no adulto, cerca de 15° a 20° de torção externa. Mede-se clinicamente pelo ângulo coxa-pé (com a criança em prono e o joelho fletido a 90°) ou pelo eixo transmaleolar. A torção externa é considerada patológica quando passa de cerca de 30° (ou o ângulo coxa-pé maior que cerca de 18° a 20°, conforme a referência) e causa sintomas.

As causas de marcha em rotação externa no adolescente.

CausaMecanismo
Torção tibial externa (isolada ou compensatória)Muitas vezes associada a anteversão femoral (síndrome do mau alinhamento miserável)
Pé plano rígido (coalizão tarsal)O pé valgo e abduzido, rígido e doloroso, desvia a progressão do pé para fora
Retroversão femoral, epifisióliseRotação externa do quadril
Paralisia cerebral, mielomeningoceleTorção tibial externa adquirida por desequilíbrio muscular

A coalizão tarsal. É a união (fibrosa, cartilaginosa ou óssea) entre dois ossos do tarso: as mais comuns são a calcaneonavicular e a talocalcaneana (faceta média). Manifesta-se na adolescência (quando a coalizão ossifica), com pé plano rígido, valgo do retropé e dor; os fibulares ficam contraídos (o antigo "pé plano espástico fibular"). O pé valgo e abduzido faz o adolescente andar com o pé voltado para fora. Por isso, a referência da prova associa a marcha em rotação externa patológica no adolescente à coalizão tarsal.

O tratamento da torção tibial externa patológica. Ao contrário da interna, a torção externa não melhora com o crescimento (tende a piorar). Quando causa dor patelofemoral, instabilidade ou marcha ineficiente, faz-se a osteotomia derrotativa supramaleolar da tíbia.

B · coalisão tarsal

Correta: B (coalisão tarsal). O pé plano rígido da coalizão tarsal, valgo e abduzido, desvia a progressão do pé para fora; a referência da prova associa a marcha em rotação externa patológica no adolescente a essa condição.

A · joelho valgo

O joelho valgo não causa, por si, marcha em rotação externa; pode coexistir com a torção.

C · anteversão femoral

A anteversão femoral causa marcha em rotação interna (o joelho e o pé apontam para dentro).

D · frouxidão ligamentar

A frouxidão ligamentar causa pé plano flexível, sem desvio rotacional patológico da marcha.

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Na mielomeningocele nível torácico, os membros inferiores frequentemente apresentamse ao nascimento com deformidade em:

  1. flexão dos quadris e flexão dos joelhos
  2. flexão dos quadris e extensão dos joelhos
  3. extensão dos quadris e flexão dos joelhos
  4. extensão dos quadris e extensão dos joelhos

Gabarito: A

Conceito-chave

O nível neurológico define o membro. Na mielomeningocele, os músculos acima do nível da lesão funcionam, e os abaixo estão paralisados. As deformidades surgem de dois mecanismos:

  • Desequilíbrio muscular: um músculo ativo puxa sem o antagonista paralisado.
  • Postura: sem nenhum músculo ativo, o membro fica na posição em que a gravidade e o posicionamento o colocam, e as articulações se contraem nessa posição.

O nível torácico. Não há nenhum músculo funcionando nos membros inferiores. As deformidades são posturais. O bebê fica deitado com as pernas em "perna de rã":

  • Quadris em flexão, abdução e rotação externa.
  • Joelhos em flexão.
  • Pés em equino, pé torto ou tálus vertical.

Com o tempo, essas posições viram contraturas.

As deformidades pelo nível neurológico.

NívelMúsculos ativosDeformidades típicas
TorácicoNenhum nos membros inferioresPosturais: quadris fletidos, abduzidos e em rotação externa; joelhos fletidos
Lombar alto (L1-L2)Iliopsoas e adutoresFlexão e adução do quadril; luxação do quadril
Lombar baixo (L3-L4)Quadríceps, tibial anteriorQuadril com risco de luxação; joelho estendido; pé calcaneovalgo ou cavo
Sacral (S1 em diante)Glúteos e flexores plantares parciaisPé cavo; boa marcha

A marcha pelo nível. Os pacientes torácicos e lombares altos raramente mantêm uma marcha funcional na vida adulta. Eles podem andar com órteses grandes (RGO, parapódio) na infância, mas a cadeira de rodas acaba sendo o meio principal. Os de nível L4 ou mais baixo costumam andar na comunidade, com órteses curtas.

As implicações do tratamento. No nível torácico, o objetivo é ter membros retos e flexíveis, que permitam usar órteses, sentar bem e calçar sapatos. As contraturas em flexão do quadril e do joelho são tratadas com alongamentos e, se necessário, liberações cirúrgicas.

A · flexão dos quadris e flexão dos joelhos

Correta: A (flexão dos quadris e flexão dos joelhos). Na mielomeningocele de nível torácico, não há músculos ativos nos membros inferiores, e as deformidades são posturais. Os quadris ficam em flexão, abdução e rotação externa (perna de rã), e os joelhos em flexão.

B · flexão dos quadris e extensão dos joelhos

A flexão do quadril está certa, mas os joelhos ficam em flexão na postura em perna de rã. A extensão do joelho é típica do nível lombar baixo, com o quadríceps ativo.

C · extensão dos quadris e flexão dos joelhos

Os quadris ficam em flexão, e não em extensão, pela postura em perna de rã.

D · extensão dos quadris e extensão dos joelhos

A extensão dos quadris e dos joelhos não é a postura típica do nível torácico.

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Todas as questões de ortopedia pediátrica

Artrogripose e doenças neuromusculares · 19

Biomecânica e marcha · 2

Coluna e pescoço da criança · 17

Coxa vara do desenvolvimento · 4

Côndilo lateral, epicôndilo medial e rádio proximal na criança · 58

Deficiências longitudinais dos membros · 3

Desenvolvimento neuropsicomotor · 12

Discrepância de comprimento dos membros · 1

Displasia do desenvolvimento do quadril · 44

Displasias esqueléticas e síndromes · 29

Doença de Legg-Calvé-Perthes · 23

Epifisiólise proximal do fêmur · 24

Fraturas da clavícula e do úmero proximal na criança · 33

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Fraturas do antebraço e punho na criança · 62

Fraturas do fêmur e da perna na criança · 84

Fraturas do pé na criança · 7

Fraturas do tornozelo na criança · 30

Fraturas supracondilianas do úmero · 46

Genuvaro, genuvalgo e torções · 53

Infecções e artrites na criança · 4

Joelho da criança · 21

Lesões fisárias · 70

Luxações na criança · 22

Marcha na criança · 29

Maus-tratos · 21

Mielomeningocele · 17

Mão da criança · 13

Ombro e cotovelo da criança · 20

Ossificação e crescimento · 21

Osteocondroses · 12

Osteogênese imperfeita · 17

Outras deformidades do pé na criança · 3

Outras doenças congênitas · 27

Outras fraturas na criança · 60

Outros temas de ortopedia pediátrica · 8

Paralisia cerebral · 34

Pseudartrose congênita da tíbia e deformidades da perna · 7

Pé torto congênito · 28

Raquitismo e doenças metabólicas na criança · 3

Sinovite transitória e artrite séptica do quadril · 11

Trauma da coluna na criança · 35

Tíbia vara (Blount) · 24

Outros assuntos

Todos os assuntos do acervo