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Questão de Artrogripose e doenças neuromusculares (TARO 2018)

Ortopedia pediátricaArtrogripose e doenças neuromuscularesTARO 2018

Na artrogripose neuropática, na medula espinhal ocorre:

  1. aumento do número de células do corno posterior
  2. aumento do número de células do corno anterior
  3. diminuição do número de células do corno posterior
  4. diminuição do número de células do corno anterior
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Gabarito: D · diminuição do número de células do corno anterior

Conceito-chave

A artrogripose múltipla congênita. "Artrogripose" significa contraturas articulares congênitas em duas ou mais áreas do corpo. Não é uma doença única, e sim um sinal com centenas de causas. O ponto comum é a falta de movimento fetal (acinesia): sem movimento no útero, as articulações se formam rígidas, com cápsulas espessas e músculos substituídos por gordura e tecido fibroso.

As causas da falta de movimento fetal. Neurológicas (as mais comuns), musculares, do tecido conjuntivo, falta de espaço intrauterino (oligoâmnio, útero malformado) e doenças maternas (miastenia, infecções).

A amioplasia: a forma clássica. É a forma mais comum, cerca de um terço dos casos. É esporádica, simétrica, com os quatro membros acometidos, inteligência normal e um hemangioma facial em linha média frequente. A postura é tão típica que se reconhece à primeira vista:

RegiãoPostura típica
OmbroAduzido e em rotação interna
CotoveloEstendido (às vezes fletido)
AntebraçoPronado
PunhoFletido e com desvio ulnar
DedosFletidos, polegar na palma
QuadrilFletido, abduzido e em rotação externa, ou luxado
JoelhoEstendido ou fletido
PéPé torto rígido (equinovaro) ou tálus vertical

A pele é lisa, sem as pregas de flexão normais, com covinhas sobre as articulações. Os membros são cilíndricos e com pouca massa muscular. A imagem do braço lembra a de um "garçom pedindo gorjeta" (como na paralisia braquial alta).

As artrogriposes distais. Grupo hereditário, autossômico dominante, que acomete sobretudo as mãos e os pés. As grandes articulações são relativamente poupadas. Um exemplo é a síndrome de Freeman-Sheldon.

Os princípios do tratamento.

  • Mobilização precoce e gessos seriados: o ganho de movimento é maior nos primeiros meses.
  • O objetivo é a função, e não a correção perfeita: andar e ser independente nas atividades diárias.
  • No membro superior, o objetivo é levar a mão à boca, o que exige flexão do cotovelo. Pode-se usar liberação capsular e transferência de tríceps. Um lado em flexão e o outro em extensão pode ser a melhor combinação.
  • O pé torto artrogripótico é rígido e recidiva muito. Usa-se o método de Ponseti com mais gessos, e às vezes a talectomia.
  • A luxação bilateral do quadril pode ser deixada sem tratamento. A unilateral costuma ser reduzida.

As formas neuropática e miopática. Como a artrogripose é a consequência da falta de movimento fetal, a causa pode estar em qualquer ponto do caminho entre o cérebro e o músculo:

  • Neuropática (a mais comum, cerca de 90% dos casos): na amioplasia e em outras formas, há diminuição do número de células do corno anterior da medula (os neurônios motores). Sem neurônios motores, os músculos correspondentes não se desenvolvem e são substituídos por gordura e tecido fibroso. A distribuição da fraqueza segue os segmentos medulares acometidos.
  • Miopática: o problema está no próprio músculo (distrofias musculares congênitas, miopatias), com os neurônios normais.
  • Também há causas do tecido conjuntivo, de falta de espaço intrauterino e maternas.

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