Orto Questões

Questão de Artrogripose e doenças neuromusculares (TEPOP 2024)

Ortopedia pediátricaArtrogripose e doenças neuromuscularesTEPOP 2024

Em relação ao tratamento da luxação congênita dos quadris na artrogripose, o(a)

  1. redução do quadril deve ser evitada em casos unilaterais.
  2. potencial de deambulação não influencia a indicação cirúrgica.
  3. redução fechada deve ser tentada em pacientes no período neonatal.
  4. limitação marcada de flexo-extensão contraindica a redução do quadril.
Responder no Orto Questões
Ver gabarito e conceito-chave

Gabarito: D · limitação marcada de flexo-extensão contraindica a redução do quadril.

Conceito-chave

A artrogripose múltipla congênita. "Artrogripose" significa contraturas articulares congênitas em duas ou mais áreas do corpo. Não é uma doença única, e sim um sinal com centenas de causas. O ponto comum é a falta de movimento fetal (acinesia): sem movimento no útero, as articulações se formam rígidas, com cápsulas espessas e músculos substituídos por gordura e tecido fibroso.

As causas da falta de movimento fetal. Neurológicas (as mais comuns), musculares, do tecido conjuntivo, falta de espaço intrauterino (oligoâmnio, útero malformado) e doenças maternas (miastenia, infecções).

A amioplasia: a forma clássica. É a forma mais comum, cerca de um terço dos casos. É esporádica, simétrica, com os quatro membros acometidos, inteligência normal e um hemangioma facial em linha média frequente. A postura é tão típica que se reconhece à primeira vista:

RegiãoPostura típica
OmbroAduzido e em rotação interna
CotoveloEstendido (às vezes fletido)
AntebraçoPronado
PunhoFletido e com desvio ulnar
DedosFletidos, polegar na palma
QuadrilFletido, abduzido e em rotação externa, ou luxado
JoelhoEstendido ou fletido
PéPé torto rígido (equinovaro) ou tálus vertical

A pele é lisa, sem as pregas de flexão normais, com covinhas sobre as articulações. Os membros são cilíndricos e com pouca massa muscular. A imagem do braço lembra a de um "garçom pedindo gorjeta" (como na paralisia braquial alta).

As artrogriposes distais. Grupo hereditário, autossômico dominante, que acomete sobretudo as mãos e os pés. As grandes articulações são relativamente poupadas. Um exemplo é a síndrome de Freeman-Sheldon.

Os princípios do tratamento.

  • Mobilização precoce e gessos seriados: o ganho de movimento é maior nos primeiros meses.
  • O objetivo é a função, e não a correção perfeita: andar e ser independente nas atividades diárias.
  • No membro superior, o objetivo é levar a mão à boca, o que exige flexão do cotovelo. Pode-se usar liberação capsular e transferência de tríceps. Um lado em flexão e o outro em extensão pode ser a melhor combinação.
  • O pé torto artrogripótico é rígido e recidiva muito. Usa-se o método de Ponseti com mais gessos, e às vezes a talectomia.
  • A luxação bilateral do quadril pode ser deixada sem tratamento. A unilateral costuma ser reduzida.

A luxação do quadril na artrogripose. É teratológica: presente desde a vida intrauterina, com acetábulo raso, cápsula retraída e músculos fibróticos. A redução fechada costuma falhar, e o tratamento é decidido caso a caso.

SituaçãoConduta
Luxação unilateralEm geral reduzir (redução aberta, muitas vezes por via medial entre 3 e 6 meses, ou anterior na criança maior), para evitar obliquidade pélvica, discrepância e escoliose
Luxação bilateralControversa: dois quadris luxados simétricos podem funcionar razoavelmente; reduz-se se houver bom potencial de marcha e boa mobilidade
Quadril rígidoUma limitação marcada do arco de flexão e extensão contraindica a redução

Por que o quadril rígido contraindica. Reduzir um quadril sem mobilidade leva a mais rigidez, necrose avascular e resultado pior que deixá-lo luxado. O que importa para a função é um quadril móvel, e não necessariamente reduzido; a decisão considera também os joelhos e os pés, que definem o potencial de deambulação.

Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.

Ver o comentário completo