Na lesão cervical baixa na criança, o mecanismo de carga axial geralmente resulta em
- fratura luxação.
- fratura bifacetária.
- fratura por explosão.
- lesão do complexo ligamentar posterior.
Ver gabarito e conceito-chave
Conceito-chave
A coluna cervical da criança. Até cerca de 8 a 10 anos, a coluna cervical tem características próprias: a cabeça é proporcionalmente grande, os ligamentos são frouxos, as facetas são horizontais e os corpos vertebrais estão incompletamente ossificados e em forma de cunha. Por isso, o fulcro do movimento fica mais alto (C2-C3), e as lesões da criança pequena se concentram na cervical alta (occipital a C3). Depois dos 10 anos, o padrão se aproxima do adulto, com lesões em C5-C6.
As variantes normais que imitam lesões.
| Variante | Como imita uma lesão |
|---|---|
| Pseudossubluxação de C2-C3 (e C3-C4) | Deslizamento anterior de até cerca de 4 mm, normal até os 8 anos; a linha de Swischuk ajuda a distinguir |
| Acunhamento do corpo de C3 | O corpo de C3 parece mais baixo na frente, por ossificação incompleta: simula fratura por compressão |
| Sincondroses abertas (dentocentral, no odontoide) | Parecem traços de fratura; a dentocentral fecha entre 3 e 6 anos |
| Espaço pré-dental maior | Até 4 a 5 mm na criança (3 mm no adulto) |
| Ausência da lordose cervical | Pode parecer espasmo por lesão |
| Partes moles pré-vertebrais amplas | Variam com o choro e a expiração |
O acunhamento de C3. O corpo vertebral cervical da criança ossifica a partir de um centro que, nos primeiros anos, é mais estreito na frente. Em C3, isso é especialmente comum, e o corpo aparece em cunha anterior. A diferença com a fratura: a variante não tem dor localizada correspondente, não tem edema de partes moles pré-vertebrais e não muda na radiografia dinâmica; a ressonância mostra o osso normal.
A conduta na dúvida. Diante de trauma, a criança deve ser avaliada com cuidado antes de liberar a imobilização. Lembrar também da SCIWORA (lesão medular sem anormalidade radiográfica), mais comum na criança pela elasticidade da coluna, que exige ressonância.
A cervical baixa e a criança maior. A partir dos 8 a 10 anos, a coluna cervical se aproxima da do adulto: as facetas ficam mais verticais, os ligamentos menos frouxos e o fulcro desce para C5-C6. As lesões passam a ser baixas, e os mecanismos produzem os mesmos padrões do adulto:
| Mecanismo | Lesão típica |
|---|---|
| Carga axial (mergulho em água rasa, queda sobre a cabeça) | Fratura por explosão (burst) do corpo vertebral |
| Flexão | Fratura por compressão (acunhamento), lesão do complexo ligamentar posterior |
| Flexão com distração e rotação | Luxação facetária uni ou bilateral, fratura-luxação |
| Extensão | Lesões dos elementos posteriores, lesão do disco anterior |
A fratura por explosão. A carga axial comprime o corpo vertebral, que se fragmenta e pode lançar fragmentos para o canal (retropulsão), com risco de lesão medular. A tomografia mostra a cominução e o canal; a ressonância, a medula e os ligamentos. O tratamento depende da estabilidade e do déficit neurológico: halo ou órtese nas estáveis, descompressão e artrodese nas instáveis ou com déficit.
Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.
Ver o comentário completo