Na contratura em rotação interna do ombro de pacientes com artrogripose, a osteotomia umeral para aumento da rotação externa deve ser realizada:
- No colo cirúrgico.
- Imediatamente proximal à borda superior do músculo peitoral maior.
- Entre as inserções dos músculos peitoral maior e deltoide.
- Distalmente à inserção do músculo deltoide.
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Conceito-chave
A artrogripose múltipla congênita. "Artrogripose" significa contraturas articulares congênitas em duas ou mais áreas do corpo. Não é uma doença única, e sim um sinal com centenas de causas. O ponto comum é a falta de movimento fetal (acinesia): sem movimento no útero, as articulações se formam rígidas, com cápsulas espessas e músculos substituídos por gordura e tecido fibroso.
As causas da falta de movimento fetal. Neurológicas (as mais comuns), musculares, do tecido conjuntivo, falta de espaço intrauterino (oligoâmnio, útero malformado) e doenças maternas (miastenia, infecções).
A amioplasia: a forma clássica. É a forma mais comum, cerca de um terço dos casos. É esporádica, simétrica, com os quatro membros acometidos, inteligência normal e um hemangioma facial em linha média frequente. A postura é tão típica que se reconhece à primeira vista:
| Região | Postura típica |
|---|---|
| Ombro | Aduzido e em rotação interna |
| Cotovelo | Estendido (às vezes fletido) |
| Antebraço | Pronado |
| Punho | Fletido e com desvio ulnar |
| Dedos | Fletidos, polegar na palma |
| Quadril | Fletido, abduzido e em rotação externa, ou luxado |
| Joelho | Estendido ou fletido |
| Pé | Pé torto rígido (equinovaro) ou tálus vertical |
A pele é lisa, sem as pregas de flexão normais, com covinhas sobre as articulações. Os membros são cilíndricos e com pouca massa muscular. A imagem do braço lembra a de um "garçom pedindo gorjeta" (como na paralisia braquial alta).
As artrogriposes distais. Grupo hereditário, autossômico dominante, que acomete sobretudo as mãos e os pés. As grandes articulações são relativamente poupadas. Um exemplo é a síndrome de Freeman-Sheldon.
Os princípios do tratamento.
- Mobilização precoce e gessos seriados: o ganho de movimento é maior nos primeiros meses.
- O objetivo é a função, e não a correção perfeita: andar e ser independente nas atividades diárias.
- No membro superior, o objetivo é levar a mão à boca, o que exige flexão do cotovelo. Pode-se usar liberação capsular e transferência de tríceps. Um lado em flexão e o outro em extensão pode ser a melhor combinação.
- O pé torto artrogripótico é rígido e recidiva muito. Usa-se o método de Ponseti com mais gessos, e às vezes a talectomia.
- A luxação bilateral do quadril pode ser deixada sem tratamento. A unilateral costuma ser reduzida.
O membro superior na amioplasia. A postura típica é: ombro em adução e rotação interna, cotovelo em extensão e rígido, antebraço em pronação, punho em flexão e desvio ulnar, dedos rígidos e polegar na palma. O cotovelo estendido acontece porque o bíceps e o braquial são os músculos mais acometidos (fibrosos ou ausentes), e o tríceps relativamente preservado mantém o cotovelo esticado.
As prioridades no membro superior. O objetivo final é a criança conseguir levar a mão à boca para comer e cuidar de si.
| Ordem | Objetivo e método |
|---|---|
| 1º | Mobilidade passiva do cotovelo: alongamentos, gessos seriados; se necessário, capsulotomia posterior com alongamento do tríceps |
| 2º | Flexão ativa do cotovelo: transferências (tríceps, peitoral maior, grande dorsal, Steindler) em pelo menos um lado |
| 3º | Punho e mão: osteotomia do carpo em posição funcional; tirar o polegar da palma |
| Se necessário | Ombro: osteotomia derrotativa externa do úmero |
O planejamento bilateral. Muitas vezes se deixa um cotovelo capaz de fletir (para alimentação) e o outro mais estendido (para apoio, higiene perineal e uso de muletas).
A osteotomia derrotativa do úmero. Quando a rotação interna do ombro é fixa e atrapalha a função (a mão fica voltada para o tronco, sem alcançar à frente), faz-se a osteotomia derrotativa externa do úmero.
Onde fazer: entre as inserções do peitoral maior e do deltoide.
- Osso diafisário: consolida bem e aceita fixação estável com placa.
- Abaixo do peitoral maior: o peitoral fica no fragmento proximal e não puxa o fragmento distal de volta para a rotação interna.
- Acima do deltoide e do sulco do nervo radial, que cruza a diáfise mais abaixo, na face posterior: afasta-se do risco ao nervo.
Os locais a evitar. O colo cirúrgico (osso metafisário, fixação menos estável, risco à fise proximal); acima do peitoral (o músculo ficaria no fragmento distal e tenderia a desfazer a correção); abaixo do deltoide (perto do nervo radial).
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