Na displasia do desenvolvimento do quadril, o que diferencia radiograficamente um quadril displásico de um subluxado é
- a gota em lágrima alargada.
- a quebra do arco de SHENTON.
- o índice acetabular aumentado.
- a retroversão acetabular.
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Conceito-chave
A displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ) e as partes moles. Quando a cabeça femoral sai do acetábulo, ela se desloca para cima e para trás (posterossuperior), sobre o ilíaco. Com o tempo, as partes moles se adaptam à nova posição, e várias delas passam a impedir a redução.
As estruturas que se contraem e bloqueiam a redução.
| Estrutura | Como bloqueia |
|---|---|
| Adutores (sobretudo o adutor longo) | Ficam encurtados e tensos: limitam a abdução e impedem a cabeça de descer ao acetábulo |
| Iliopsoas | Seu tendão cruza a frente da cápsula e a estrangula (forma de ampulheta) |
| Cápsula | Alongada, com uma constrição em "ampulheta" |
| Lábio invertido (limbo) | Pode se interpor dentro do acetábulo |
| Ligamento redondo hipertrofiado e pulvinar (gordura) | Ocupam o fundo do acetábulo |
| Ligamento transverso do acetábulo | Contraído, estreita a entrada inferior |
A tensão dos adutores. É o achado clínico mais importante da luxação estabelecida: a limitação da abdução do quadril em flexão. Depois dos 3 meses, quando as manobras de Ortolani e Barlow deixam de funcionar (o quadril não reduz mais), a abdução limitada e assimétrica é o principal sinal da DDQ. Outros sinais: encurtamento da coxa (sinal de Galeazzi: o joelho do lado luxado fica mais baixo), pregas assimétricas e, depois da marcha, claudicação e marcha de Trendelenburg.
As implicações no tratamento.
- Na redução fechada (geralmente de 6 a 18 meses), faz-se a tenotomia dos adutores para permitir uma abdução segura, sem forçar a cabeça contra o acetábulo (que causaria necrose avascular).
- O gesso pelvipodálico é feito na posição "humana" de Salter (flexão de cerca de 100° e abdução moderada, dentro da zona segura de Ramsey).
- Se a redução fechada falhar, faz-se a redução aberta, removendo o iliopsoas, o lábio invertido, o ligamento redondo e o pulvinar, e liberando o ligamento transverso.
Os abdutores e os rotadores ficam, ao contrário, encurtados e enfraquecidos pela subida do trocanter, sem gerar tensão que impeça a redução. Por isso, a criança com luxação desenvolve a marcha de Trendelenburg.
O exame clínico pela idade.
| Idade | Achado mais útil |
|---|---|
| Até 2 a 3 meses | Ortolani (reduz o quadril luxado, com o "clunk") e Barlow (luxa o quadril instável) |
| Após 3 meses | Limitação da abdução com o quadril e o joelho fletidos (sinal de Hart): o achado mais confiável |
| Também | Galeazzi (joelho mais baixo do lado luxado), Klisic, assimetria de pregas (Peter-Bade, pouco específica) |
| Após a marcha | Claudicação, Trendelenburg, hiperlordose (bilateral) |
Por que os testes de instabilidade falham aos 9 meses. Com o tempo, os adutores se retraem e o quadril fica fixo na posição luxada: ele não reduz mais com a manobra de Ortolani, e o Barlow não tem o que luxar. Os testes ficam negativos mesmo com o quadril luxado. A limitação da abdução (abdução menor que 60° ou assimetria maior que 10° a 15°) passa a ser o sinal mais confiável. A assimetria de pregas é pouco específica: aparece em crianças normais e falta nos casos bilaterais.
A radiografia da DDQ: displasia, subluxação e luxação.
| Situação | Achados |
|---|---|
| Displasia (quadril reduzido) | Índice acetabular aumentado, acetábulo raso, ângulo centro-borda diminuído, mas o arco de Shenton está íntegro |
| Subluxação | A cabeça se desloca parcialmente para fora e para cima: quebra do arco de Shenton |
| Luxação | A cabeça fica fora do acetábulo, no quadrante superolateral de Ombrédanne |
O arco de Shenton. É a linha curva contínua formada pela borda inferior do colo femoral e pela borda superior do forame obturado. No quadril centrado, a curva é contínua. Quando a cabeça sobe e sai do lugar (subluxação ou luxação), o arco se quebra. Por isso, é o sinal que diferencia o quadril apenas displásico (Shenton íntegro) do subluxado (Shenton quebrado). O índice acetabular aumentado e a gota em lágrima alterada aparecem nos dois.
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