Na coxa vara do desenvolvimento, o tratamento mais apropriado para correção cirúrgica definitiva é a
- epifisiodese do grande trocânter.
- fixação percutânea do fêmur proximal.
- osteotomia valgizante do fêmur proximal.
- fixação percutânea do fêmur proximal com enxerto no colo.
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Conceito-chave
A coxa vara do desenvolvimento. É a diminuição progressiva do ângulo cervicodiafisário (normal de cerca de 135° a 150° na criança) por um defeito de ossificação na parte inferomedial do colo. É rara, uni ou bilateral, e aparece quando a criança começa a andar.
O sinal radiográfico. Um triângulo ósseo isolado na parte inferior do colo, junto à fise (o fragmento triangular de Fairbank), com a fise verticalizada.
O ângulo de Hilgenreiner-epifisário (HE). Ângulo entre a linha de Hilgenreiner e a linha da fise proximal do fêmur:
| Ângulo HE | Conduta |
|---|---|
| Menor que 45° | Resolve sozinho: observação |
| 45° a 60° | Zona cinzenta: acompanhar |
| Maior que 60° | Progride: osteotomia valgizante |
O exame físico e o porquê dos movimentos. O colo em varo faz o trocânter maior subir, encostando no ilíaco. Isso tem duas consequências:
- abdução limitada: o trocânter bate na asa do ilíaco antes do fim do movimento;
- rotação medial (interna) limitada: o colo em varo costuma estar também retrovertido, o que reduz a rotação interna.
Além disso, o glúteo médio fica encurtado e ineficiente (sua alavanca diminui), causando marcha de Trendelenburg (bamboleante, se bilateral), encurtamento do membro e hiperlordose lombar.
O tratamento. A osteotomia valgizante subtrocantérica ou intertrocantérica (Pauwels, Borden) corrige o ângulo para cerca de 40° de HE ou menos e transforma o cisalhamento em compressão na fise; o defeito do colo então ossifica. A recidiva é comum quando a correção é insuficiente.
A osteotomia valgizante em detalhe. É o tratamento definitivo da coxa vara progressiva (ângulo de Hilgenreiner-epifisário maior que 60°, ou entre 45° e 60° com progressão, ou com marcha de Trendelenburg e encurtamento). Pode ser intertrocantérica ou subtrocantérica (Pauwels, Borden, Langenskiöld), com fixação por placa ou fixador externo. O objetivo é levar o ângulo HE para menos de 40° (idealmente 35° a 38°), hipercorrigindo levemente. Com a fise mais horizontal, as forças de cisalhamento viram compressão, e o defeito do colo ossifica em alguns meses. Muitos associam a epifisiodese do trocânter maior, para evitar o hipercrescimento relativo do trocânter. A recidiva é mais comum quando a correção é insuficiente (HE acima de 40° após a cirurgia).
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