As fraturas que apresentam alta especificidade para o diagnóstico de lesões não acidentais na criança são as fraturas:
- epifisárias em alça de balde e as fraturas anteriores das costelas.
- epifisárias em alça de balde e as fraturas posteriores das costelas.
- metafisárias em alça de balde e as fraturas anteriores das costelas.
- metafisárias em alça de balde e as fraturas posteriores das costelas.
Ver gabarito e conceito-chave
Conceito-chave
Por que algumas fraturas "falam" de maus-tratos. A especificidade de uma fratura para abuso depende de quão improvável é o mecanismo dela num acidente comum. As lesões mais específicas são as que exigem forças que quase nunca ocorrem por acaso numa criança pequena: tração e torção violentas de um membro e compressão do tórax entre as mãos de um adulto.
A lesão metafisária clássica (fratura do canto ou em alça de balde).
- É uma fratura plana, transversal, através da metáfise, na região mais frágil da zona de ossificação provisória, logo junto à fise. Não atravessa a fise nem a epífise.
- Surge quando o lactente é sacudido segurando pelos membros, ou quando um membro é puxado e torcido.
- Na radiografia, o fragmento é um disco fino de osso metafisário. Visto de lado, aparece como um pequeno triângulo no canto da metáfise ("fratura do canto"); visto com inclinação, aparece como um arco ("alça de balde"). É a mesma lesão vista por ângulos diferentes.
- Locais típicos: fêmur distal, tíbia proximal e distal, úmero proximal.
- Costuma consolidar sem calo exuberante, por isso passa despercebida se não for procurada.
As fraturas das costelas posteriores.
- O adulto segura o tórax do bebê com as mãos e aperta ao sacudir. A costela faz alavanca sobre o processo transverso, e a cabeça e o colo da costela quebram junto à articulação costovertebral.
- Em lactentes, a reanimação cardiopulmonar raramente produz essas fraturas posteriores; quando produz fraturas, tendem a ser anteriores ou laterais.
- No exame agudo podem ser invisíveis; aparecem com o calo, 10 a 14 dias depois.
| Especificidade para maus-tratos | Exemplos |
|---|---|
| Alta | Lesão metafisária clássica, costelas posteriores, escápula, processos espinhosos, esterno |
| Moderada | Fraturas múltiplas, de idades diferentes, bilaterais, de vértebras, de dedos, fraturas complexas do crânio |
| Baixa, mas comuns | Diafisária isolada de osso longo, clavícula, fratura linear do crânio |
Atenção: "baixa especificidade" não significa "baixa importância". A fratura diafisária do fêmur num bebê que ainda não anda é a apresentação mais comum de abuso, embora não seja específica.
A conduta. Em menores de 2 anos com suspeita: inventário esquelético completo (repetido em cerca de 2 semanas para revelar costelas e metáfises que só aparecem com o calo), fundo de olho, investigação de lesão craniana e notificação. Diagnósticos diferenciais a lembrar: osteogênese imperfeita, raquitismo, sífilis congênita, escorbuto.
Na prova: alta especificidade = metafisária em alça de balde e costelas posteriores.
Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.
Ver o comentário completo