Na recidiva precoce do pé torto congênito, o tratamento preconizado é
- transferência do tendão tibial anterior.
- método de PONSETI com gessos seriados.
- tenotomia percutânea do tendão calcâneo.
- correção cirúrgica dos tecidos moles e ósseo.
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Conceito-chave
O método de Ponseti em duas fases. O tratamento do pé torto congênito tem uma fase de correção e uma fase de manutenção.
Na correção, há uma sequência de gessos semanais, com manipulação na ordem do mnemônico CAVE:
- Cavo: corrige-se primeiro, supinando o antepé (elevando o primeiro raio).
- Aduto e varo: o pé é abduzido em torno da cabeça do tálus, que serve de fulcro.
- Equino: por último, geralmente com a tenotomia percutânea do tendão calcâneo, feita na maioria dos casos.
Na manutenção, entra a órtese de abdução (botas presas a uma barra, a antiga Denis Browne). Sem ela, o pé torto recidiva com muita frequência. A falta de adesão é a principal causa de recidiva.
Os parâmetros da órtese.
| Parâmetro | Valor |
|---|---|
| Rotação externa do pé afetado | 60 a 70° |
| Rotação externa do pé normal (casos unilaterais) | 30 a 40° |
| Dorsiflexão | 10 a 15°, pela curvatura da barra |
| Distância entre as botas | Largura dos ombros |
Por que esses números.
- A rotação externa mantém o pé abduzido, impedindo que o aduto e o varo voltem.
- A dorsiflexão vem da barra dobrada para baixo no centro, com a convexidade voltada para o chão. Ela mantém o tendão calcâneo alongado e evita a recidiva do equino.
- A distância entre os ombros deixa os quadris em abdução confortável.
O tempo de uso.
- 23 horas por dia nos primeiros 3 meses após o último gesso.
- Depois, à noite e nos cochilos até os 4 anos de idade.
Quando o pé recidiva. Na recidiva, repetem-se gessos e às vezes a tenotomia. Na recidiva dinâmica em supinação após os 3 anos, faz-se a transferência do tibial anterior para o cuneiforme lateral.
A recidiva em detalhe. A recidiva acontece em boa parte dos pés tratados, sobretudo quando a órtese não é usada como orientado. Ela costuma aparecer nos primeiros 2 a 4 anos. O primeiro sinal é a perda da dorsiflexão (equino) ou o varo do retropé ao andar.
O tratamento da recidiva segue uma escada.
- Recidiva precoce (qualquer componente, sobretudo em criança pequena): repetir o método de Ponseti, com novos gessos seriados, e voltar à órtese. Às vezes, é preciso repetir a tenotomia do tendão calcâneo se o equino persistir.
- Supinação dinâmica (o pé corrigido em repouso, mas que supina ao andar, pelo tibial anterior mais forte que os fibulares), em criança acima de cerca de 2 anos e meio a 3 anos, com o cuneiforme lateral ossificado: transferência do tibial anterior para o cuneiforme lateral, depois de corrigir com gessos.
- Deformidades rígidas e recidivas múltiplas em crianças maiores: liberações de partes moles e, mais tarde, osteotomias.
A regra é sempre começar pelo menos invasivo: os gessos resolvem a maioria das recidivas precoces.
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