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Questão de Epifisiólise proximal do fêmur (TARO 2013)

Ortopedia pediátricaEpifisiólise proximal do fêmurTARO 2013

Na epifisiólise proximal do fêmur, são endocrinopatias associadas o

  1. hipotireoidismo e o aumento do GH.
  2. hipotireoidismo e a deficiência do GH.
  3. hipertireoidismo e o aumento do GH.
  4. hipertireoidismo e a deficiência do GH.
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Gabarito: B · hipotireoidismo e a deficiência do GH.

Conceito-chave

A epifisiólise proximal do fêmur (EPF) e a mecânica. A EPF ocorre quando a força de cisalhamento sobre a fise proximal do fêmur supera a resistência da fise. Os fatores se dividem em dois grupos:

GrupoFatores
Mecânicos (aumentam o cisalhamento)Obesidade, retroversão femoral (diminuição da anteversão), fise mais vertical (inclinação aumentada), colo em varo relativo, acetábulo profundo
Biológicos (enfraquecem a fise)Estirão do crescimento, hormônios (hipotireoidismo, deficiência de GH, hipogonadismo), insuficiência renal, radioterapia

A retroversão. O colo femoral normal tem anteversão de cerca de 10° a 15° no adolescente. Na EPF, o colo costuma ter menos anteversão (ou retroversão). Com isso, durante a marcha e a corrida, a força sobre a fise passa a ser mais de cisalhamento posterior, e a epífise tende a escorregar para trás. A obesidade agrava a retroversão e aumenta a carga.

A inclinação da fise e o ângulo cervicodiafisário. Na adolescência, a fise proximal do fêmur fica naturalmente mais oblíqua (vertical). Nos pacientes com EPF, essa obliquidade é ainda maior, e o ângulo cervicodiafisário é relativamente menor: quanto mais vertical a fise, mais a força do peso corporal se transforma em cisalhamento, em vez de compressão.

A fise no estirão. Durante o pico de crescimento, a zona hipertrófica da fise fica mais alta e mais fraca, e o pericôndrio (anel de Ranvier) afina. O deslizamento ocorre justamente pela zona hipertrófica.

A consequência clínica. O conhecimento da mecânica explica:

  • por que a EPF é tão associada à obesidade (dois terços dos pacientes estão acima do percentil 95 de peso);
  • por que o lado contralateral está em risco (até 20% a 40% de bilateralidade);
  • por que a fixação in situ estabiliza a fise e acelera o seu fechamento, interrompendo o processo.

As endocrinopatias associadas. Devem ser pensadas na EPF em criança atípica: menor de 10 anos, magra, abaixo do percentil 10 de altura, ou com acometimento bilateral precoce.

DoençaMecanismo
HipotireoidismoFise alargada e fraca, crescimento lento e prolongado; a mais comum
Deficiência de GH (e o tratamento com GH)A reposição acelera o crescimento sobre uma fise imatura
Hipogonadismo, panhipopituitarismoFise aberta por mais tempo
Osteodistrofia renalHiperparatireoidismo secundário com fise alargada

O hipotireoidismo e a deficiência de GH (sobretudo durante a reposição) são as associações clássicas. Nessas crianças, o risco de bilateralidade é alto, e a fixação profilática do lado contralateral é recomendada.

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