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Questão de Doença de Legg-Calvé-Perthes (TARO 2024)

Ortopedia pediátricaDoença de Legg-Calvé-PerthesTARO 2024

Paciente do sexo feminino, oito anos, com dor e claudicação no quadril direito há dois meses, com piora na última semana. O exame a seguir é mais compatível com o diagnóstico de

Fonte: HERRING, J. A. Tachdjian’s pediatric orthopaedics. 6. ed. Philadelphia: Elsevier, 2022.
Fonte: HERRING, J. A. Tachdjian’s pediatric orthopaedics. 6. ed. Philadelphia: Elsevier, 2022.
  1. LEGG- CALVÉ-PERTHES.
  2. displasia epifisária múltipla.
  3. epifisiólise femoral proximal.
  4. osteomielite de fêmur proximal.
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Gabarito: A · LEGG- CALVÉ-PERTHES.

Conceito-chave

A doença de Legg-Calvé-Perthes. É a necrose avascular idiopática da epífise femoral proximal em crescimento. Acomete crianças de 4 a 8 anos, meninos (4 a 5 para cada menina), com idade óssea atrasada; é bilateral em cerca de 10% a 15%, mas nunca simultânea nem simétrica. A causa exata é desconhecida; trombofilias, tabagismo passivo e baixo nível socioeconômico estão associados.

As fases da doença e a histologia. A evolução da doença segue uma sequência previsível, que tem correspondência clínica, radiográfica e histológica:

FaseAchados
Necrose (inicial)Morte das células ósseas: lacunas vazias (ausência de osteócitos) ou osteócitos com núcleo picnótico; medula necrótica. Na radiografia: epífise menor, mais densa (esclerose), alargamento do espaço articular
FragmentaçãoRevascularização com reabsorção do osso morto por osteoclastos: a epífise se divide em fragmentos; colapso; sinal do crescente (fratura subcondral)
Reossificação (reparação)Osso novo preenche a epífise, de forma organizada
Residual (sequela)Forma final da cabeça, que pode ser esférica ou achatada (Stulberg)

A necrose em detalhe. Os osteócitos ficam em pequenas cavidades da matriz óssea (lacunas). Quando o suprimento sanguíneo é interrompido, eles morrem: primeiro o núcleo se condensa (picnose), depois a célula desaparece e a lacuna fica vazia. A matriz óssea, porém, não muda de forma imediatamente; por isso a radiografia demora para mostrar alterações, e a epífise parece mais densa (o osso morto não é reabsorvido e o osso vivo ao redor fica osteopênico). A cartilagem articular continua viva, nutrida pelo líquido sinovial, e até espessa.

A ressonância mostra a necrose antes da radiografia, e a cintilografia mostra a falta de captação na epífise.

A ordem das fases (Waldenström) ajuda a resolver questões: necrose (inicial), fragmentação, reossificação e residual.

A ressonância no Perthes. Detecta a doença antes da radiografia, na fase inicial: a epífise mostra baixo sinal em T1 (medula necrótica), com perda do sinal normal de gordura, às vezes com sinal heterogêneo e achatamento; há derrame articular e sinovite. Com contraste (perfusão), mostra as áreas sem fluxo, o que ajuda a estimar a extensão e o prognóstico precoce.

A imagem. O corte coronal mostra o quadril direito com a epífise femoral de sinal alterado (escura, sem o sinal de gordura normal) e achatada, com derrame, enquanto o lado esquerdo tem epífise de sinal normal. Somado ao quadro (menina de 8 anos com dor e claudicação há dois meses), é compatível com Legg-Calvé-Perthes.

Os diferenciais da alternativa.

DiagnósticoPor que não
Displasia epifisária múltiplaBilateral e simétrica, com outras epífises acometidas e baixa estatura
EpifisióliseAdolescente; deslizamento na fise, sem necrose da epífise
OsteomieliteFebre, marcadores elevados, edema na metáfise e partes moles

Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.

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