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Questão de Joelho da criança (TARO 2012)

Ortopedia pediátricaJoelho da criançaTARO 2012

No joelho da criança, o menisco discoide de WRISBERG relaciona-se com a osteocondrite dissecante do

  1. planalto tibial medial
  2. planalto tibial lateral
  3. côndilo femoral medial
  4. côndilo femoral lateral
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Gabarito: D · côndilo femoral lateral

Conceito-chave

O menisco discoide. É uma variação anatômica em que o menisco, em vez de ter forma de "C" ou de meia-lua, é largo e em disco, cobrindo boa parte do platô tibial. Quase sempre é o menisco lateral (prevalência de 1% a 5%, maior em asiáticos, até 15%), e é bilateral em cerca de 20%.

A classificação de Watanabe.

TipoDescrição
I (completo)Cobre todo o platô; inserções periféricas normais
II (incompleto)Cobre parte do platô; inserções normais
III (Wrisberg)Forma variável, sem a inserção posterior (coronário): só preso pelo ligamento meniscofemoral de Wrisberg: instável

A classificação de Ahn (pela ressonância) descreve o sentido do deslocamento do menisco instável (anterocentral, posterocentral, central), o que orienta o reparo.

A apresentação por idade.

  • Criança pequena: o menisco discoide instável (sobretudo o tipo Wrisberg) se desloca durante o movimento: é a "síndrome do joelho que estala" (snapping knee). O menisco salta com um ressalto audível e visível, em geral perto da extensão, e a criança tem limitação da extensão final. Costuma haver pouca dor.
  • Criança maior e adolescente: o menisco discoide, mais espesso e com fibras desorganizadas, tende a romper: dor, derrame, bloqueio e falseio, como na lesão meniscal do adulto.

O diagnóstico. A radiografia pode mostrar o espaço articular lateral alargado, o côndilo femoral lateral achatado e a cabeça da fíbula alta. A ressonância confirma: o corpo do menisco aparece em três ou mais cortes sagitais consecutivos de 5 mm (sinal da "gravata-borboleta" contínua).

O tratamento. O menisco discoide assintomático é observado. O sintomático é tratado por artroscopia com saucerização (remodelação para a forma em C, deixando uma borda de 6 a 8 mm) e reparo da periferia instável. A meniscectomia total, usada no passado, leva a artrose precoce do compartimento lateral e foi abandonada.

A relação com a osteocondrite dissecante. O menisco discoide lateral, sobretudo o instável (tipo Wrisberg), altera a mecânica do compartimento lateral: a sua espessura e o seu movimento anormal concentram carga e atrito sobre o côndilo femoral lateral. Por isso, a OCD do côndilo lateral (bem menos comum que a do medial na população geral) aparece associada ao menisco discoide, e pode surgir também depois da meniscectomia lateral extensa. Diante de uma OCD do côndilo lateral, deve-se procurar o menisco discoide na ressonância.

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