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Questão de Genuvaro, genuvalgo e torções (TARO 2023)

Ortopedia pediátricaGenuvaro, genuvalgo e torçõesTARO 2023

Em relação à epidemiologia da coxa vara do desenvolvimento, é correto afirmar que acomete

  1. mais frequentemente meninos caucasianos.
  2. mais frequentemente meninos, sem predileção por raça.
  3. igualmente meninos e meninas caucasianos.
  4. igualmente meninos e meninas, sem predileção por raça.
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Gabarito: D · igualmente meninos e meninas, sem predileção por raça.

Conceito-chave

A coxa vara do desenvolvimento. É a diminuição progressiva do ângulo cervicodiafisário (normal de cerca de 135° a 150° na criança) por um defeito de ossificação na parte inferomedial do colo. É rara, uni ou bilateral, e aparece quando a criança começa a andar.

O sinal radiográfico. Um triângulo ósseo isolado na parte inferior do colo, junto à fise (o fragmento triangular de Fairbank), com a fise verticalizada.

O ângulo de Hilgenreiner-epifisário (HE). Ângulo entre a linha de Hilgenreiner e a linha da fise proximal do fêmur:

Ângulo HEConduta
Menor que 45°Resolve sozinho: observação
45° a 60°Zona cinzenta: acompanhar
Maior que 60°Progride: osteotomia valgizante

O exame físico e o porquê dos movimentos. O colo em varo faz o trocânter maior subir, encostando no ilíaco. Isso tem duas consequências:

  • abdução limitada: o trocânter bate na asa do ilíaco antes do fim do movimento;
  • rotação medial (interna) limitada: o colo em varo costuma estar também retrovertido, o que reduz a rotação interna.

Além disso, o glúteo médio fica encurtado e ineficiente (sua alavanca diminui), causando marcha de Trendelenburg (bamboleante, se bilateral), encurtamento do membro e hiperlordose lombar.

O tratamento. A osteotomia valgizante subtrocantérica ou intertrocantérica (Pauwels, Borden) corrige o ângulo para cerca de 40° de HE ou menos e transforma o cisalhamento em compressão na fise; o defeito do colo então ossifica. A recidiva é comum quando a correção é insuficiente.

A epidemiologia. A coxa vara do desenvolvimento é rara (cerca de 1 em 25.000 nascidos vivos). Acomete igualmente meninos e meninas, sem predileção racial, e é bilateral em cerca de 30% a 50% dos casos. Há casos familiares, sugerindo herança autossômica dominante com penetrância variável. Aparece quando a criança começa a andar, com marcha indolor de Trendelenburg (bamboleante se bilateral).

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