Na biomecânica do pé e do tornozelo durante a marcha normal, a fase de médio apoio é caracterizada por:
- relaxamento do músculo tibial posterior e eversão da subtalar.
- relaxamento do músculo tibial posterior e inversão da subtalar.
- contração excêntrica do músculo tibial posterior e eversão da subtalar.
- contração excêntrica do músculo tibial posterior e inversão da subtalar.
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Conceito-chave
O pé na marcha. Durante o apoio, o pé muda de papel: no início precisa ser flexível, para absorver o impacto e se adaptar ao chão; no fim precisa ser rígido, para servir de alavanca e impulsionar o corpo. Essa troca acontece pela articulação subtalar (inversão e eversão do calcâneo), acoplada à rotação da tíbia.
O acoplamento subtalar e tibial.
| Fase | Calcâneo e tíbia | Pé |
|---|---|---|
| Contato inicial | Calcâneo em leve inversão | Toca o chão pelo calcanhar |
| Resposta à carga | Calcâneo everte; tíbia roda internamente | Mediotársica destravada: pé flexível (amortecedor) |
| Apoio médio e terminal | Calcâneo inverte; tíbia roda externamente | Mediotársica travada: pé rígido (alavanca) |
| Pré-balanço | A carga passa ao outro membro, e a rotação externa diminui | O pé se prepara para sair do chão |
| Balanço | Sem carga | Tornozelo em dorsiflexão para não arrastar os dedos |
A mediotársica (Chopart). Quando o calcâneo está evertido, os eixos das articulações talonavicular e calcaneocuboide ficam paralelos, e o médio-pé se move livremente. Quando o calcâneo inverte, os eixos se cruzam, e o médio-pé trava. Somado ao mecanismo de molinete da fáscia plantar (a extensão dos dedos no desprendimento tensiona a fáscia e eleva o arco), o pé vira uma alavanca rígida.
O ângulo de progressão do pé. Na marcha normal, o pé aponta cerca de 10° para fora (rotação externa) em relação à linha de progressão, com variação de cerca de -3° a +20°. Valores negativos indicam marcha em rotação interna (anteversão femoral, torção tibial interna, metatarso aduto).
A importância clínica. No pé plano rígido (coalizão tarsal) e no pé cavo, essa sequência se perde: o pé plano rígido não se torna alavanca eficiente, e o pé cavo não amortece o impacto.
O tibial posterior no apoio. Na resposta à carga, o calcâneo everte (o pé "prona" para absorver o impacto); o tibial posterior trabalha em contração excêntrica, freando essa eversão e sustentando o arco. No apoio médio, o tibial posterior continua ativo e o calcâneo passa a inverter, com a tíbia rodando externamente, o que trava a mediotársica e prepara o pé para ser alavanca. A insuficiência do tibial posterior quebra essa sequência: o pé não sai da eversão, o arco cai e o retropé fica em valgo (o pé plano adquirido do adulto).
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