Na patologia do quadril em pacientes com mielomeningocele a
- reconstrução com redução do quadril é indicada em pacientes com potencial de marcha.
- contratura em flexão do quadril é frequente e deve ser tratada antes dos 2 anos de idade.
- redução concêntrica do quadril está diretamente ligada à melhora do padrão de marcha.
- luxação unilateral em pacientes com nível lombar baixo mantém o mesmo padrão de marcha de pacientes sem luxação.
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Conceito-chave
A mielomeningocele e o fechamento do tubo neural. A mielomeningocele é a forma mais grave e mais comum de espinha bífida aberta: a medula e as meninges saem por um defeito dos arcos posteriores e ficam expostas em uma bolsa nas costas, geralmente lombar ou lombossacra.
A embriologia. Na terceira semana, a placa neural se dobra e forma o sulco neural, cujas bordas se aproximam e se fundem, formando o tubo neural. O fechamento começa na região cervical e avança como um zíper nos dois sentidos. O neuróporo anterior (cranial) fecha por volta do 25º ao 26º dia, e o neuróporo posterior (caudal), por volta do 26º ao 28º dia. A falha do fechamento caudal produz a mielomeningocele; a falha do cranial produz a anencefalia. Por isso o defeito acontece antes que a gestante saiba que está grávida, e a prevenção precisa ser feita antes da concepção.
Os fatores de risco.
| Fator | Comentário |
|---|---|
| Deficiência de ácido fólico | O principal fator modificável; a suplementação periconcepcional reduz o risco em cerca de 70% |
| Genética | Risco de recorrência de 2% a 5% após um filho afetado; maior em algumas etnias |
| Fármacos | Ácido valproico e carbamazepina |
| Diabetes e obesidade maternos, hipertermia | Aumentam o risco |
O diagnóstico pré-natal. A alfafetoproteína elevada no soro materno e no líquido amniótico, e a ultrassonografia (sinais do "limão" e da "banana", pela malformação de Chiari II), permitem o diagnóstico precoce.
O nível neurológico e a marcha. O prognóstico de marcha depende dos músculos funcionantes:
| Nível | Músculos ativos | Marcha esperada |
|---|---|---|
| Torácico e lombar alto (L1 e L2) | Nenhum ou só flexores do quadril | Terapêutica ou domiciliar, com órteses longas; cadeira de rodas predomina |
| Lombar médio (L3) | Quadríceps | Domiciliar ou comunitária com órteses e muletas |
| Lombar baixo (L4 e L5) | Quadríceps, isquiotibiais mediais, tibial anterior | Comunitária, com órteses curtas (AFO) |
| Sacral | Também glúteos e flexores plantares | Quase normal |
O quadril na mielomeningocele. O quadril luxa por desequilíbrio muscular: os flexores e adutores (inervados pelas raízes lombares altas, L1 a L3) funcionam, enquanto os extensores e abdutores (L5 a S1) estão paralisados. A luxação é mais comum no nível L3-L4, e frequentemente é paralítica e teratológica já ao nascimento.
O que a experiência mostrou.
| Achado | Consequência |
|---|---|
| Reduzir não melhora a marcha | A reconstrução tem muitas complicações (reluxação, rigidez, fratura, necrose) e, em geral, não muda a capacidade de andar |
| O que importa para a marcha | A ausência de contraturas, a simetria entre os lados e o nível neurológico (quadríceps) |
| Luxação unilateral no nível lombar baixo | O paciente anda com o mesmo padrão de marcha dos que não têm luxação, desde que não haja contratura (estudos de análise de marcha, como o de Gabrieli e colaboradores) |
A contratura em flexão. É frequente e prejudica a marcha (aumenta a lordose e o gasto de energia) e a posição sentada. É tratada quando atrapalha a função, com liberação de partes moles (flexores do quadril), e não por uma idade fixa.
Quando se considera reduzir. Em casos selecionados de nível sacral ou lombar muito baixo, com bom potencial de marcha comunitária, pesando sempre o risco de complicações. Na maioria, a meta é um quadril móvel e sem contraturas, e não necessariamente reduzido.
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