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Questão de Tíbia vara (Blount) (TARO 2010)

Ortopedia pediátricaTíbia vara (Blount)TARO 2010

Na tíbia vara de BLOUNT do tipo infantil, a incidência radiográfica ântero-posterior mostra

  1. subluxação medial da tíbia.
  2. irregularidade lateral da placa fisária.
  3. “bico” ósseo na epífise medial da tíbia.
  4. ossificação assimétrica da epífise proximal da tíbia.
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Gabarito: D · ossificação assimétrica da epífise proximal da tíbia.

Conceito-chave

A doença de Blount (tíbia vara). É um distúrbio de crescimento da porção posteromedial da fise proximal da tíbia. O varo é progressivo e associado a torção tibial interna. O mecanismo aceito é mecânico, pela lei de Hueter-Volkmann: a compressão excessiva no lado medial da fise, num joelho em varo que suporta muito peso, inibe o crescimento daquele lado, e o varo se agrava num ciclo vicioso.

As duas formas.

FormaInícioPerfil
InfantilAntes dos 4 anos (geralmente aos 2 a 3)Frequentemente bilateral; criança obesa que andou cedo
Tardia (juvenil ou do adolescente)Após os 4 anosUnilateral com frequência; adolescente obeso; varo menos acentuado

Fatores de risco e de pior prognóstico na forma infantil.

  • Obesidade: o principal fator, pela carga sobre a fise medial.
  • Marcha precoce, antes de cerca de 1 ano.
  • Ascendência negra e sexo feminino: nas séries clássicas, as meninas negras evoluem para os estágios mais graves de Langenskiöld com mais frequência.
  • Doença bilateral.

A classificação de Langenskiöld. Tem seis estágios radiográficos de piora do bico medial da metáfise e da epífise. O estágio VI corresponde a uma barra óssea fisária medial. Até o estágio III ou IV, a doença pode regredir com tratamento. Nos estágios V e VI, a lesão da fise é definitiva.

O ângulo metáfise-diáfise de Levine e Drennan (MDA). É o ângulo entre uma linha que passa pelos bicos da metáfise proximal da tíbia e a perpendicular ao eixo longo da diáfise. Ele ajuda a separar o varo fisiológico do Blount:

MDAInterpretação (Feldman e Schoenecker)
10° ou menosBaixo risco: provável varo fisiológico
Entre 10 e 16°Zona cinzenta: acompanhar
16° ou maisAlto risco de Blount

As limitações do MDA.

  • O ângulo muda com a rotação do membro na radiografia: a rotação interna aumenta o valor medido.
  • Há variação entre observadores e com o posicionamento.
  • O valor de corte original (11°) teve muitos falsos-positivos em estudos posteriores.

Por isso, o MDA é pouco confiável quando usado isoladamente. Deve ser interpretado com a idade, a evolução clínica, a simetria e as radiografias seriadas.

O tratamento.

  • Até cerca de 3 anos, nos estágios iniciais: órtese KAFO, com resultados variáveis.
  • Depois disso, ou se houver falha: osteotomia valgizante e derrotatória da tíbia proximal, de preferência antes dos 4 anos, com hipercorreção leve.
  • Nos casos avançados: ressecção de barra, elevação do platô medial ou hemiepifisiodese lateral com placa em 8, conforme a idade.

A radiografia AP no Blount infantil. Os achados se concentram na região medial da tíbia proximal:

  • Depressão e bico na metáfise medial: o "bico" é metafisário, e não epifisário.
  • Epífise medial menor, em cunha, com ossificação atrasada e irregular: a epífise se ossifica de forma assimétrica.
  • Fise medial alargada, irregular e inclinada.
  • Subluxação lateral da tíbia (o "lateral thrust" visto na marcha).
  • Varo localizado no nível da metáfise, com angulação abrupta.

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