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Questão de Osteogênese imperfeita (TARO 2010)

Ortopedia pediátricaOsteogênese imperfeitaTARO 2010

Na osteogênese imperfeita, o tipo IV de SILLENCE se caracteriza por apresentar colágeno do tipo I com defeito

  1. somente quantitativo e esclera normal.
  2. tanto quantitativo quanto qualitativo e esclera normal.
  3. somente quantitativo e esclera azulada.
  4. tanto quantitativo quanto qualitativo e esclera azulada.
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Gabarito: B · tanto quantitativo quanto qualitativo e esclera normal.

Conceito-chave

O colágeno tipo I. É a principal proteína do osso, da pele, dos tendões, da esclera e da dentina. Cada molécula é uma tripla hélice formada por três cadeias: duas alfa-1 (gene COL1A1) e uma alfa-2 (gene COL1A2).

Por que a glicina é tão importante. Na hélice, a sequência de aminoácidos se repete no padrão Gly-X-Y: a cada três posições, há uma glicina. Muitas vezes, X é prolina e Y é hidroxiprolina. A glicina é o menor aminoácido, e só ela cabe no centro apertado da tripla hélice, onde as três cadeias se encontram.

Os dois tipos de defeito.

DefeitoMecanismoGravidade
QuantitativoUm alelo não produz cadeia (alelo nulo): metade do colágeno, mas normalLeve (tipo I de Sillence)
QualitativoSubstituição de uma glicina por um aminoácido maior: colágeno anormalModerado a letal (tipos II, III e IV)

O efeito dominante negativo. Quando a glicina é substituída, a cadeia defeituosa entra na hélice e estraga a molécula inteira. É pior ter colágeno anormal que pouco colágeno.

A posição da mutação importa. A hélice se dobra da extremidade C-terminal para a N-terminal. Substituições mais próximas da extremidade C-terminal tendem a ser mais graves, porque perturbam a montagem desde o início.

Formas recessivas e outras. Existem formas de OI por defeitos em proteínas que processam o colágeno, como CRTAP, P3H1 (LEPRE1) e PPIB, ou por outros mecanismos ósseos (IFITM5 no tipo V e SERPINF1 no tipo VI).

Os achados radiográficos.

  • Osteopenia difusa.
  • Corticais finas e ossos longos gráceis (finos), com trabéculas finas e esparsas.
  • Fraturas múltiplas em diferentes fases de consolidação, e encurvamentos.
  • Vértebras bicôncavas (em "boca de peixe") e achatadas, por microfraturas.
  • Ossos wormianos no crânio.
  • Calcificações em pipoca nas metáfises nas formas graves.
  • Protrusão acetabular e invaginação basilar.
  • No tipo V: calo hiperplásico e calcificação da membrana interóssea do antebraço.

A ossificação em si acontece no tempo normal. O problema é a qualidade da matriz, e não o momento em que ela se forma.

O tratamento.

  • Bisfosfonatos (pamidronato, zoledronato) aumentam a densidade e reduzem as fraturas.
  • Hastes telescópicas (Fassier-Duval) corrigem e previnem as deformidades dos ossos longos.
  • Reabilitação para manter a força e a mobilidade.

A esclera e os tipos de Sillence.

  • Tipo I: esclera azulada característica, pela transparência da esclera fina, que deixa ver a coroide.
  • Tipo II: esclera azul-escura.
  • Tipo III: esclera azulada ao nascer, que clareia com a idade.
  • Tipo IV: esclera normal ou levemente acinzentada.

O defeito no tipo IV. É um colágeno estruturalmente anormal (defeito qualitativo, geralmente substituição de glicina). Como as moléculas defeituosas são em parte degradadas dentro da célula, a quantidade total de colágeno normal também cai. Por isso, o tipo IV é descrito como tendo defeito quantitativo e qualitativo, diferente do tipo I, apenas quantitativo.

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