Na osteogênese imperfeita, o tipo IV de SILLENCE se caracteriza por apresentar colágeno do tipo I com defeito
- somente quantitativo e esclera normal.
- tanto quantitativo quanto qualitativo e esclera normal.
- somente quantitativo e esclera azulada.
- tanto quantitativo quanto qualitativo e esclera azulada.
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Conceito-chave
O colágeno tipo I. É a principal proteína do osso, da pele, dos tendões, da esclera e da dentina. Cada molécula é uma tripla hélice formada por três cadeias: duas alfa-1 (gene COL1A1) e uma alfa-2 (gene COL1A2).
Por que a glicina é tão importante. Na hélice, a sequência de aminoácidos se repete no padrão Gly-X-Y: a cada três posições, há uma glicina. Muitas vezes, X é prolina e Y é hidroxiprolina. A glicina é o menor aminoácido, e só ela cabe no centro apertado da tripla hélice, onde as três cadeias se encontram.
Os dois tipos de defeito.
| Defeito | Mecanismo | Gravidade |
|---|---|---|
| Quantitativo | Um alelo não produz cadeia (alelo nulo): metade do colágeno, mas normal | Leve (tipo I de Sillence) |
| Qualitativo | Substituição de uma glicina por um aminoácido maior: colágeno anormal | Moderado a letal (tipos II, III e IV) |
O efeito dominante negativo. Quando a glicina é substituída, a cadeia defeituosa entra na hélice e estraga a molécula inteira. É pior ter colágeno anormal que pouco colágeno.
A posição da mutação importa. A hélice se dobra da extremidade C-terminal para a N-terminal. Substituições mais próximas da extremidade C-terminal tendem a ser mais graves, porque perturbam a montagem desde o início.
Formas recessivas e outras. Existem formas de OI por defeitos em proteínas que processam o colágeno, como CRTAP, P3H1 (LEPRE1) e PPIB, ou por outros mecanismos ósseos (IFITM5 no tipo V e SERPINF1 no tipo VI).
Os achados radiográficos.
- Osteopenia difusa.
- Corticais finas e ossos longos gráceis (finos), com trabéculas finas e esparsas.
- Fraturas múltiplas em diferentes fases de consolidação, e encurvamentos.
- Vértebras bicôncavas (em "boca de peixe") e achatadas, por microfraturas.
- Ossos wormianos no crânio.
- Calcificações em pipoca nas metáfises nas formas graves.
- Protrusão acetabular e invaginação basilar.
- No tipo V: calo hiperplásico e calcificação da membrana interóssea do antebraço.
A ossificação em si acontece no tempo normal. O problema é a qualidade da matriz, e não o momento em que ela se forma.
O tratamento.
- Bisfosfonatos (pamidronato, zoledronato) aumentam a densidade e reduzem as fraturas.
- Hastes telescópicas (Fassier-Duval) corrigem e previnem as deformidades dos ossos longos.
- Reabilitação para manter a força e a mobilidade.
A esclera e os tipos de Sillence.
- Tipo I: esclera azulada característica, pela transparência da esclera fina, que deixa ver a coroide.
- Tipo II: esclera azul-escura.
- Tipo III: esclera azulada ao nascer, que clareia com a idade.
- Tipo IV: esclera normal ou levemente acinzentada.
O defeito no tipo IV. É um colágeno estruturalmente anormal (defeito qualitativo, geralmente substituição de glicina). Como as moléculas defeituosas são em parte degradadas dentro da célula, a quantidade total de colágeno normal também cai. Por isso, o tipo IV é descrito como tendo defeito quantitativo e qualitativo, diferente do tipo I, apenas quantitativo.
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