A respeito da osteomielite, julgue os itens a seguir. Julgue o item: O sistema de estadiamento para osteomielite crônica de Cierny e Mader caracteriza o tipo III como superficial, sendo limitada a superfície do osso e infecção secundária a um defeito de cobertura.
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Conceito-chave
Classificação de Cierny e Mader da osteomielite crônica. Combina o tipo anatômico (de I a IV) com a classe fisiológica do hospedeiro (A, B ou C), gerando 12 estágios clínicos. Orienta a extensão do desbridamento e a reconstrução.
Tipos anatômicos.
| Tipo | Nome | Descrição |
|---|---|---|
| I | Medular | Infecção restrita ao canal (por exemplo, após haste intramedular) |
| II | Superficial | Limitada à superfície do osso, secundária a um defeito de cobertura de partes moles |
| III | Localizado | Envolve a espessura do córtex com sequestro, mas o osso permanece estável após o desbridamento |
| IV | Difuso | Acometimento de toda a circunferência; instável antes ou após o desbridamento |
Classes do hospedeiro.
- A: hospedeiro normal.
- B: comprometido localmente (Bl), sistemicamente (Bs) ou ambos (Bls). Exemplos: diabetes, tabagismo, desnutrição, insuficiência vascular, linfedema, cicatrizes extensas.
- C: o tratamento seria pior que a doença; indica-se tratamento paliativo.
Aplicação. O tipo IV exige desbridamento com estabilização e reconstrução óssea (transporte ósseo, enxertos, técnica de Masquelet). O tipo II requer desbridamento superficial e cobertura com retalho.
Como lembrar a lógica da classificação. Os tipos crescem com a quantidade de osso envolvida e com o impacto na estabilidade:
- I, medular: a infecção está dentro do canal, como após uma haste; trata-se com fresagem do canal e retirada do implante.
- II, superficial: só a superfície cortical exposta, sob uma ferida ou úlcera; o problema central é a cobertura.
- III, localizada: sequestro cortical de espessura total, mas o osso continua estável depois de ressecado.
- IV, difusa: acometimento circunferencial ou segmentar, com instabilidade antes ou depois do desbridamento; exige estabilização e reconstrução.
Em crianças. A classificação foi criada para adultos, mas é usada na osteomielite crônica pediátrica para planejar a ressecção. Na criança, o periósteo espesso costuma formar um invólucro (involucrum) ao redor do sequestro, o que ajuda a manter a estabilidade depois da sequestrectomia.
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