Sobre o pé talo vertical
- surge após alguns meses do parto.
- não tem associação com outras patologias.
- apresenta contratura do tendão tibial anterior.
- pé torto congênito é o principal diagnóstico diferencial.
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Conceito-chave
O tálus vertical congênito. É uma deformidade rígida rara em que o navicular está luxado dorsalmente sobre o colo do tálus, que fica vertical (quase paralelo à tíbia). O pé tem aspecto de "mata-borrão" ou de sola em cadeira de balanço (rocker-bottom): a planta é convexa, com a cabeça do tálus palpável na face plantar medial. Em cerca de metade dos casos está associado a doenças neuromusculares ou síndromes (artrogripose, mielomeningocele, trissomias).
As deformidades por segmento.
| Segmento | Deformidade |
|---|---|
| Retropé | Equino (o calcâneo em flexão plantar, pelo tendão calcâneo curto) e valgo |
| Mediopé e antepé | Dorsiflexão e abdução, pela luxação dorsal da talonavicular e pela contratura dos extensores e do tibial anterior |
| Arco | Convexo (rocker-bottom) |
O diagnóstico radiográfico. A radiografia em perfil com flexão plantar máxima: no tálus vertical, o eixo do tálus não se alinha com o eixo do 1º metatarso (a luxação talonavicular não reduz). No tálus oblíquo (variante mais branda), a luxação reduz em flexão plantar. A radiografia em dorsiflexão máxima mostra o equino fixo do calcâneo. Como o navicular só ossifica entre 2 e 5 anos, a sua posição é deduzida pelo 1º metatarso.
O diferencial com o pé calcaneovalgo. O calcaneovalgo (posicional, comum) é flexível, com o dorso do pé encostando na tíbia e dorsiflexão do retropé, sem equino; corrige com alongamentos.
O tratamento. O método de gessos reversos de Dobbs (manipulação inversa à de Ponseti: flexão plantar e inversão do antepé, empurrando a cabeça do tálus para cima), seguido de redução percutânea da talonavicular com fio e tenotomia percutânea do tendão calcâneo, tem bons resultados e substituiu boa parte das liberações extensas. Os casos resistentes exigem liberação dorsolateral e posterior em um tempo.
As contraturas do tálus vertical. O retropé fica em equino pela contratura do tríceps sural (tendão calcâneo), e o mediopé e o antepé ficam em dorsiflexão e abdução pela contratura das estruturas dorsais e laterais: o tibial anterior, os extensores longos dos dedos e do hálux, o fibular terceiro e a cápsula talonavicular dorsal. No tratamento de Dobbs, o tibial anterior às vezes precisa ser alongado. O tálus vertical está presente ao nascimento e em cerca de metade dos casos se associa a doenças neuromusculares ou síndromes.
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