Criança de 4 anos, em cadeirinha voltada para a frente, sofre colisão frontal e tem fratura do odontoide. Sobre essa lesão na criança pequena, segundo o capítulo, é correto:
- ocorre na ponta do dente, na inserção do ligamento alar, como o tipo I do adulto
- ocorre no corpo de C2 e exige parafuso anterior
- ocorre pela sincondrose dentocentral, que fecha por volta dos 7 a 9 anos, e equivale a uma lesão fisária SALTER-HARRIS I
- é rara antes dos 10 anos e tem alta taxa de pseudartrose
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Conceito-chave
Uma criança de 4 anos, presa na cadeirinha voltada para a frente, sofre uma freada brusca. O corpo fica, a cabeça vai. A fratura do odontoide nessa idade não passa onde passa no adulto: passa pela cartilagem de crescimento na base do dente.
A epidemiologia. A fratura do odontoide é relativamente comum na coluna cervical da criança, com idade média de 4 anos, e responde por cerca de 10% das fraturas e luxações cervicais pediátricas. ODENT relatou 8 de 15 fraturas em acidentes de carro com a criança em cadeirinha voltada para a frente. Mecanismo: hiperflexão ou hiperextensão da cervical alta, favorecidas pela cabeça grande (Rockwood crianças, 10ª ed., cap. 21).
A sincondrose. A sincondrose dentocentral, linha de cartilagem na base do odontoide, ossifica por volta dos 7 a 9 anos. Antes disso, a fratura costuma passar pela própria sincondrose, numa lesão análoga a uma lesão fisária SALTER-HARRIS tipo I. A sincondrose se distingue de fratura pela idade e por ficar bem abaixo das facetas.
As classificações. No adulto, pela localização: tipo I na ponta (menos de 5%, inserção do alar), tipo II na base do dente (mais de 60%), tipo III no corpo de C2 (30%), útil nos mais velhos após a fusão da sincondrose. Na criança, HOSALKAR (Tabela 21-1): tipo I pela sincondrose, com IA (desvio menor que 10%), IB (10% a 100%) e IC (mais de 100%); tipo II acima da sincondrose.
O tratamento. A consolidação na criança é melhor que no adulto. Tipos I e III costumam ir bem com órtese rígida (afastando luxação atlanto-occipital associada no tipo I); o tipo II é mais controverso pela irrigação pior, mas consolida melhor que no adulto. Desvio grande: redução fechada, em geral em extensão ou leve hiperextensão, e imobilização (halo, órtese, Minerva, SOMI), com controle em cerca de 8 semanas. Instável: posterior C1-C2 é mais usado que o parafuso anterior na criança.
Por que esta questão foi criada. É gêmea do TARO 2016 (`pediatria-0605`), que perguntou o tipo de SALTER-HARRIS da fratura do odontoide na criança (tipo I). Depois, faça a oficial.
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