Menina de 12 anos tem episódios de luxação do ombro sem trauma, pouco dolorosos, com redução espontânea; tem hiperextensão de cotovelos e joelhos e sinal do sulco positivo. O tratamento inicial é
- estabilização artroscópica de BANKART
- fisioterapia com fortalecimento, propriocepção e reeducação neuromuscular da cintura escapular
- LATARJET
- imobilização em rotação externa por 6 semanas
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Conceito-chave
Uma menina de 12 anos consegue "soltar" o ombro e colocá-lo de volta, sem dor importante. Ela tem cotovelos e joelhos hiperestendidos, a pele um pouco elástica, e o exame mostra uma depressão abaixo do acrômio quando se puxa o braço para baixo. É a instabilidade atraumática, e ela é diferente da traumática em quase tudo.
O quadro. A instabilidade atraumática é comum na criança e no adolescente: luxações inicialmente indolores, sem trauma causador, mais frequentes com frouxidão ligamentar generalizada e instabilidade multidirecional. Muitas vezes há instabilidade em outras articulações (patela, tornozelo, quadril) e, às vezes, doença do colágeno (EHLERS-DANLOS, MARFAN) ainda não diagnosticada. Pode ser voluntária ou involuntária, pela ativação seletiva de músculos da cintura escapular com inibição dos antagonistas. A redução espontânea é comum (Rockwood crianças, 10ª ed., cap. 19).
O exame. Sinal do sulco (depressão abaixo do acrômio com tração longitudinal do braço aduzido), aumento da translação anterior e posterior (mais de 5 mm sugere instabilidade multidirecional) e sinais de frouxidão generalizada. O padrão mais comum é posteroinferior. Lembrar que a frouxidão pode ser normal: sinais de instabilidade aparecem em até 50% dos adolescentes assintomáticos. A radiografia costuma ser normal; a artrorressonância mostra a cápsula redundante.
O tratamento. Fisioterapia, com força, propriocepção, biofeedback e reeducação neuromuscular de toda a cintura escapular. Só em casos selecionados, com instabilidade dolorosa ou limitante que não melhora ou impede a fisioterapia, considera-se a capsulorrafia artroscópica, guiada pela artrorressonância; contraindicações relativas incluem doença neuromuscular mal controlada e dificuldade de entender o pós-operatório. A recidiva após a cirurgia pode vir de doença do colágeno não reconhecida ou de má seleção.
Por que esta questão foi criada. É uma questão de projeção. A diferença entre instabilidade traumática (BANKART, cirurgia nos de alto risco) e atraumática (fisioterapia) é a base da conduta.
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