Neonato do sexo feminino nasceu de parto pélvico e mãe primípara. Ao examinar os quadris da criança, o neonatologista observou sinal de Ortolani positivo à esquerda. A criança foi encaminhada ao ortopedista que decidiu utilizar o suspensório de Pavlik para tratamento. Em relação a esse tratamento, é correto afirmar que
- a flexão do quadril deve ser regulada para 120 a 130 graus de flexão e essas tiras devem ficar na linha axilar anterior.
- o suporte de Pavlik apresenta bom resultado quando utilizado em crianças com excessiva frouxidão ligamentar, como observado na síndrome de Ehler-Danos.
- em casos de flexão excessiva prolongada associada a abdução forçada do suspensório, podem ocorrer luxação anterior e lesão da placa fisária do fêmur proximal.
- ao manter o quadril positivo para um sinal de Ortolani em suporte de Pavlik em regime de full-time durante quatro meses, a instabilidade do quadril desaparece em 85% dos casos.
- quando aplicado corretamente, o suspensório de Pavlik impede a extensão e a adução que podem causar nova luxação, mas permite maior amplitude de flexão e abdução, promovendo redução e estabilidade.
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Conceito-chave
O caso. Recém-nascida, menina, primogênita e de parto pélvico: três dos principais fatores de risco da displasia do desenvolvimento do quadril. O Ortolani positivo significa que o quadril está luxado e é redutível: a manobra de abdução com o quadril fletido faz a cabeça entrar no acetábulo com um ressalto.
Por que o Pavlik funciona. O quadril luxado reduz em flexão e abdução, e reluxa em extensão e adução. O suspensório de Pavlik é uma órtese dinâmica que:
- impede a extensão, com as tiras anteriores;
- impede a adução, com as tiras posteriores;
- deixa livres a flexão e a abdução, de modo que o bebê se movimenta dentro de um arco seguro e o peso das próprias pernas leva os quadris à abdução.
Com a cabeça mantida dentro do acetábulo, o estímulo mecânico faz o acetábulo crescer e aprofundar. É o tratamento de escolha do nascimento até cerca de 6 meses.
A regulagem e o que acontece quando ela erra.
| Ajuste | Correto | Erro e consequência |
|---|---|---|
| Tiras anteriores | Flexão de 90 a 110°, na linha axilar anterior | Flexão excessiva: neuropraxia do femoral e luxação inferior (obturatória) |
| Tiras posteriores | Frouxas, só limitando a adução | Abdução forçada: necrose avascular da cabeça |
| Flexão insuficiente | Evitar | Cabeça não se mantém reduzida |
Quando parar. O quadril deve ser reavaliado (clinicamente e com ultrassom) em 1 a 3 semanas. Se não estiver reduzido em 3 a 4 semanas, o Pavlik é suspenso: mantê-lo com a cabeça apoiada na borda posterior do acetábulo produz erosão dessa parede, a chamada doença do Pavlik, e piora o prognóstico do tratamento seguinte (redução fechada e gesso).
Contraindicações. Frouxidão ligamentar extrema (Ehlers-Danlos), rigidez (artrogripose), desequilíbrio muscular (mielomeningocele), luxação teratológica e idade acima de 6 a 9 meses, quando a criança já é forte e pesada demais.
Resultados. Nos quadris luxados redutíveis, o sucesso fica em torno de 85 a 95% quando a redução é obtida nas primeiras semanas. A necrose avascular, a complicação mais temida, é rara com o ajuste correto.
Na prova: o Pavlik impede extensão e adução e permite flexão e abdução; sem redução em 3 a 4 semanas, suspender.
Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.
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