Na epifisiólise proximal do fêmur, a fixação profilática contralateral é indicada principalmente em pacientes com alteração endócrina ou metabólica.
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Conceito-chave
A epifisiólise proximal do fêmur (EPF). É o escorregamento da metáfise femoral em relação à epífise através da fise enfraquecida, com a epífise ficando para trás e para baixo em relação ao colo. Ocorre no adolescente durante o estirão de crescimento (meninos de 12 a 15 anos, meninas de 10 a 13), com fortes associações à obesidade. As forças de cisalhamento sobre uma fise mais vertical e enfraquecida pelo crescimento e pelos hormônios causam o escorregamento.
O problema do outro lado. A EPF é bilateral em cerca de 20 a 40% dos casos (até 60% em séries com seguimento longo), e o escorregamento contralateral costuma ocorrer nos 18 meses seguintes ao primeiro. Um escorregamento contralateral que surge sem vigilância pode ser grave e instável.
A fixação profilática contralateral. Consiste em fixar com um parafuso o quadril normal junto com o quadril escorregado. É controversa: traz o risco das complicações do parafuso, mas evita o escorregamento do outro lado. É indicada principalmente quando o risco de escorregamento contralateral é alto:
| Fator de alto risco | Por quê |
|---|---|
| Doenças endócrinas ou metabólicas | Hipotireoidismo, deficiência de hormônio de crescimento (inclusive em uso de GH), hipogonadismo, osteodistrofia renal, radioterapia prévia: a fise fica muito vulnerável e o risco bilateral é muito alto |
| Idade jovem (menos de 10 anos em meninas, 12 em meninos) | Muito crescimento restante, fise aberta por mais tempo |
| Fise muito aberta, Oxford baixo (idade óssea imatura) | Mais tempo de risco |
| Ângulo de inclinação posterior aumentado no lado normal | Geometria desfavorável |
| Dificuldade de acompanhamento | Risco de não perceber o escorregamento |
A doença endócrina ou metabólica é a indicação clássica. Em pacientes com EPF associada a distúrbio endócrino (sobretudo hipotireoidismo e uso de hormônio de crescimento) ou à osteodistrofia renal, o acometimento bilateral é muito frequente, e a fixação profilática é praticamente consensual. Em crianças com EPF "atípica" (abaixo de 10 anos ou com peso baixo), deve-se investigar uma causa endócrina.
O tratamento do lado escorregado. Fixação in situ com um parafuso canulado central na epífise, sem tentar reduzir (a redução aumenta o risco de necrose), nos escorregamentos estáveis.
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