Adolescente de 12 anos, acordado e colaborativo, após queda de bicicleta, sem dor na linha média cervical, sem déficit neurológico, sem intoxicação e sem outra lesão dolorosa. Segundo o algoritmo citado no capítulo, a coluna cervical
- exige tomografia de rotina, pelo risco de lesão oculta
- pode ser liberada clinicamente pelos critérios NEXUS, sem radiografia
- exige radiografias dinâmicas em flexão e extensão no pronto-socorro
- exige ressonância para afastar lesão ligamentar
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Conceito-chave
Toda criança que cai de bicicleta precisa de radiografia do pescoço? Não. O capítulo traz o consenso atual, que tenta não deixar passar lesões e, ao mesmo tempo, poupar radiação.
O consenso. O Pediatric Cervical Spine Clearance Working Group, por método Delphi modificado, montou um algoritmo para liberar a coluna cervical da criança. No centro dele estão os critérios NEXUS para liberar sem radiografia. No paciente gravemente traumatizado, a tomografia entra na avaliação inicial: o risco de deixar passar uma lesão supera o risco da radiação. A ressonância tem papel de apoio (Rockwood crianças, 10ª ed., cap. 21).
Os cinco critérios NEXUS. (1) dor à palpação na linha média; (2) déficit neurológico focal; (3) alteração do nível de consciência; (4) intoxicação; (5) lesão que distrai (dolorosa em outro lugar). Sem nenhum dos cinco, a coluna pode ser liberada com 99% de sensibilidade num estudo de validação.
As radiografias dinâmicas. Flexão e extensão ajudam a detectar subluxação por lesão ligamentar, mas no trauma agudo a dor e o espasmo impedem o movimento. Nesse caso, colar rígido e retorno em 1 a 2 semanas para as dinâmicas. A adesão ao colar e ao retorno é baixa, segundo um estudo citado.
Quem não se libera clinicamente. Trauma de cabeça e pescoço, lesões por distração e nível de consciência alterado têm alta probabilidade de lesão cervical; no paciente obnubilado ou não colaborativo, pensar em lesão oculta.
Por que esta questão foi criada. É uma questão de projeção. O NEXUS e o papel da tomografia no grave são a base da liberação cervical, e a criança acordada sem nenhum critério é o caso típico de liberação clínica.
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