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Questão de Epifisiólise proximal do fêmur (ENARE R4 Ortopedia 2024)

Ortopedia pediátricaEpifisiólise proximal do fêmurENARE R4 Ortopedia 2024

Paciente do sexo masculino, 13 anos de idade, relata dores na virilha direita e na parte interna da coxa. A dor vem aumentando com o tempo, e cada vez há mais dificuldade para os movimentos do quadril. No momento, ele está deambulando apoiando o membro inferior direito ao solo, porém com auxílio de duas muletas para aliviar o quadro álgico. O exame clinico confirmou a suspeita de epifisiólise unilateral do quadril direito. Ao RX, apresenta, no quadril direito, ângulo cabeça-diáfise femoral nas incidências AP e lateral 40 graus menor em relação ao lado contralateral. De acordo com a classificação de Loder e Southwick, esse paciente apresenta uma epifisiólise

  1. estável com deslizamento leve.
  2. instável com deslizamento leve.
  3. instável com deslizamento grave.
  4. estável com dislizamento moderado.
  5. instável com deslizamento moderado.
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Gabarito: D · estável com dislizamento moderado.

Conceito-chave

A epifisiólise proximal do fêmur (EPF). É o escorregamento da epífise femoral proximal em relação ao colo, através da fise, no adolescente (meninos de 12 a 15 anos, meninas de 10 a 13), frequentemente obeso. O colo se desloca para cima, para a frente e em rotação externa, e a cabeça parece escorregar para trás e para baixo. A dor pode ser no quadril, na virilha, na coxa ou no joelho.

As duas classificações mais usadas.

1. Loder (funcional, a mais importante para o prognóstico). Baseia-se na capacidade de apoiar o membro.

  • Estável: o paciente consegue andar, com ou sem muletas.
  • Instável: o paciente não consegue andar, nem com muletas, pela dor intensa (como numa fratura).

A diferença é crucial: na EPF instável, o risco de necrose avascular chega a cerca de 20 a 50%. Na estável, é praticamente nulo.

2. Southwick (gravidade do escorregamento). Mede o ângulo cabeça-diáfise (ângulo epifisário-diafisário) no perfil e compara com o lado normal (ou com o valor normal, de cerca de 10 a 12°, se a doença for bilateral).

Diferença em relação ao lado normalGravidade
Menos de 30°Leve
30 a 50°Moderado
Mais de 50°Grave

O caso da questão.

  • O paciente anda, ainda que com duas muletas: pela definição de Loder, a EPF é estável. O uso de muletas não a torna instável.
  • O ângulo cabeça-diáfise é 40° menor que o do lado normal: entre 30 e 50°, ou seja, escorregamento moderado.

O tratamento.

  • EPF estável: fixação in situ com um parafuso canulado central na epífise, sem tentar reduzir.
  • EPF instável: tratamento urgente. As opções incluem a fixação com redução suave do posicionamento, a descompressão da cápsula e, em centros especializados, a redução aberta pela luxação cirúrgica (Dunn modificado).
  • A fixação profilática do lado oposto é considerada em pacientes de alto risco (mais jovens, doenças endócrinas).
  • As deformidades residuais graves podem levar a impacto femoroacetabular (tipo CAME) e ser corrigidas depois, com osteotomias.

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