Paciente do sexo masculino, 13 anos de idade, relata dores na virilha direita e na parte interna da coxa. A dor vem aumentando com o tempo, e cada vez há mais dificuldade para os movimentos do quadril. No momento, ele está deambulando apoiando o membro inferior direito ao solo, porém com auxílio de duas muletas para aliviar o quadro álgico. O exame clinico confirmou a suspeita de epifisiólise unilateral do quadril direito. Ao RX, apresenta, no quadril direito, ângulo cabeça-diáfise femoral nas incidências AP e lateral 40 graus menor em relação ao lado contralateral. De acordo com a classificação de Loder e Southwick, esse paciente apresenta uma epifisiólise
- estável com deslizamento leve.
- instável com deslizamento leve.
- instável com deslizamento grave.
- estável com dislizamento moderado.
- instável com deslizamento moderado.
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Conceito-chave
A epifisiólise proximal do fêmur (EPF). É o escorregamento da epífise femoral proximal em relação ao colo, através da fise, no adolescente (meninos de 12 a 15 anos, meninas de 10 a 13), frequentemente obeso. O colo se desloca para cima, para a frente e em rotação externa, e a cabeça parece escorregar para trás e para baixo. A dor pode ser no quadril, na virilha, na coxa ou no joelho.
As duas classificações mais usadas.
1. Loder (funcional, a mais importante para o prognóstico). Baseia-se na capacidade de apoiar o membro.
- Estável: o paciente consegue andar, com ou sem muletas.
- Instável: o paciente não consegue andar, nem com muletas, pela dor intensa (como numa fratura).
A diferença é crucial: na EPF instável, o risco de necrose avascular chega a cerca de 20 a 50%. Na estável, é praticamente nulo.
2. Southwick (gravidade do escorregamento). Mede o ângulo cabeça-diáfise (ângulo epifisário-diafisário) no perfil e compara com o lado normal (ou com o valor normal, de cerca de 10 a 12°, se a doença for bilateral).
| Diferença em relação ao lado normal | Gravidade |
|---|---|
| Menos de 30° | Leve |
| 30 a 50° | Moderado |
| Mais de 50° | Grave |
O caso da questão.
- O paciente anda, ainda que com duas muletas: pela definição de Loder, a EPF é estável. O uso de muletas não a torna instável.
- O ângulo cabeça-diáfise é 40° menor que o do lado normal: entre 30 e 50°, ou seja, escorregamento moderado.
O tratamento.
- EPF estável: fixação in situ com um parafuso canulado central na epífise, sem tentar reduzir.
- EPF instável: tratamento urgente. As opções incluem a fixação com redução suave do posicionamento, a descompressão da cápsula e, em centros especializados, a redução aberta pela luxação cirúrgica (Dunn modificado).
- A fixação profilática do lado oposto é considerada em pacientes de alto risco (mais jovens, doenças endócrinas).
- As deformidades residuais graves podem levar a impacto femoroacetabular (tipo CAME) e ser corrigidas depois, com osteotomias.
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