Orto Questões

Questão de Osteogênese imperfeita (TARO 2015)

Ortopedia pediátricaOsteogênese imperfeitaTARO 2015

Na osteogênese imperfeita classificada segundo SILLENCE, a fragilidade óssea é mais grave no tipo

  1. I
  2. II
  3. III
  4. IV
Responder no Orto Questões
Ver gabarito e conceito-chave

Gabarito: B · II

Conceito-chave

O colágeno tipo I. É a principal proteína do osso, da pele, dos tendões, da esclera e da dentina. Cada molécula é uma tripla hélice formada por três cadeias: duas alfa-1 (gene COL1A1) e uma alfa-2 (gene COL1A2).

Por que a glicina é tão importante. Na hélice, a sequência de aminoácidos se repete no padrão Gly-X-Y: a cada três posições, há uma glicina. Muitas vezes, X é prolina e Y é hidroxiprolina. A glicina é o menor aminoácido, e só ela cabe no centro apertado da tripla hélice, onde as três cadeias se encontram.

Os dois tipos de defeito.

DefeitoMecanismoGravidade
QuantitativoUm alelo não produz cadeia (alelo nulo): metade do colágeno, mas normalLeve (tipo I de Sillence)
QualitativoSubstituição de uma glicina por um aminoácido maior: colágeno anormalModerado a letal (tipos II, III e IV)

O efeito dominante negativo. Quando a glicina é substituída, a cadeia defeituosa entra na hélice e estraga a molécula inteira. É pior ter colágeno anormal que pouco colágeno.

A posição da mutação importa. A hélice se dobra da extremidade C-terminal para a N-terminal. Substituições mais próximas da extremidade C-terminal tendem a ser mais graves, porque perturbam a montagem desde o início.

Formas recessivas e outras. Existem formas de OI por defeitos em proteínas que processam o colágeno, como CRTAP, P3H1 (LEPRE1) e PPIB, ou por outros mecanismos ósseos (IFITM5 no tipo V e SERPINF1 no tipo VI).

Os achados radiográficos.

  • Osteopenia difusa.
  • Corticais finas e ossos longos gráceis (finos), com trabéculas finas e esparsas.
  • Fraturas múltiplas em diferentes fases de consolidação, e encurvamentos.
  • Vértebras bicôncavas (em "boca de peixe") e achatadas, por microfraturas.
  • Ossos wormianos no crânio.
  • Calcificações em pipoca nas metáfises nas formas graves.
  • Protrusão acetabular e invaginação basilar.
  • No tipo V: calo hiperplásico e calcificação da membrana interóssea do antebraço.

A ossificação em si acontece no tempo normal. O problema é a qualidade da matriz, e não o momento em que ela se forma.

O tratamento.

  • Bisfosfonatos (pamidronato, zoledronato) aumentam a densidade e reduzem as fraturas.
  • Hastes telescópicas (Fassier-Duval) corrigem e previnem as deformidades dos ossos longos.
  • Reabilitação para manter a força e a mobilidade.

A gravidade pelos tipos de Sillence.

TipoFragilidadeEvolução
ILevePoucas fraturas, que diminuem após a puberdade; esclera azul
IIExtremaLetal no período perinatal: fraturas intrauterinas múltiplas, costelas "em rosário", ossos longos amassados
IIIGrave, progressivaSobrevive, com deformidades acentuadas e baixa estatura grave
IVModeradaDeformidades variáveis; esclera normal

O tipo II é a forma em que a fragilidade é máxima. O bebê nasce com dezenas de fraturas, e a morte ocorre geralmente por insuficiência respiratória, pelo tórax pequeno e pelas costelas fraturadas. O tipo III é a forma mais grave entre os sobreviventes.

Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.

Ver o comentário completo