Nas fraturas da fise distal do fêmur, o que se espera quanto ao distúrbio do crescimento após os tipos I e II de SALTER-HARRIS?
- São de baixo risco, como nas outras fises, e dispensam seguimento após a consolidação
- O risco só é relevante quando há fragmento metafisário de THURSTON HOLLAND
- O risco é alto, com distúrbio do crescimento em cerca de um terço a mais da metade dos casos
- O distúrbio ocorre quase só nos menores de 2 anos, pela fise plana
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Conceito-chave
Pense numa menina de 9 anos atropelada de bicicleta, com uma fratura SALTER-HARRIS II do fêmur distal bem reduzida e fixada. Em muitas outras fises, um tipo II bem reduzido costuma deixar a família tranquila quanto ao crescimento. No fêmur distal, essa tranquilidade é um erro, e entender por que é o centro do capítulo.
O formato da fise muda tudo. Ao nascer, a fise distal do fêmur é plana. Por volta dos 2 a 3 anos, ela ganha uma crista central e sulcos que a dividem em quatro quadrantes, encaixados nas saliências da metáfise como um carimbo no papel (Rockwood crianças, 10ª ed., cap. 26, seção Physeal Anatomy). Essa ondulação dá estabilidade contra cisalhamento e torção, mas cobra um preço: quando a fratura acontece, o traço não corre limpo pela zona hipertrófica. Ele sobe e desce entre as ondas, invade a camada germinativa e, na redução, as cristas da epífise ainda raspam nas projeções da metáfise. É por isso que mesmo os tipos I e II lesam as células que fazem o osso crescer.
Os números. Numa metanálise de 564 fraturas citada no capítulo, 52% evoluíram com distúrbio do crescimento. Por tipo: cerca de 36% no tipo I, 58% no tipo II, 49% no tipo III e 64% no tipo IV. As fraturas desviadas têm quatro vezes mais chance de parada do crescimento que as sem desvio (cap. 26, seção Growth Disturbance). A classificação de SALTER-HARRIS continua útil para descrever e planejar, mas aqui ela não prevê o risco do jeito que prevê em outras fises.
| Tipo (cap. 26) | Distúrbio do crescimento |
|---|---|
| I | cerca de 36% |
| II | cerca de 58% |
| III | cerca de 49% |
| IV | cerca de 64% |
O que isso muda. Todo paciente com fratura da fise distal do fêmur precisa de seguimento até o fim do crescimento, com radiografias de membros inferiores inteiros. O autor revê aos 3, 6, 12 e às vezes 24 meses, e o capítulo recomenda controle a cada 6 meses após a consolidação até a maturidade.
Por que esta questão foi criada. O TARO 2006 cobrou que o tipo II do fêmur distal "raramente causa sequelas" (`pediatria-0825`, sem gabarito oficial no acervo); pelo capítulo, a afirmação é falsa. O TARO 2022 também cobrou a parada após os tipos III e IV no fêmur distal (`pediatria-0570`). Esta questão junta as duas ideias com os números da 10ª edição.
Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.
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