Na biomecânica do quadril normal, a força realizada pelos abdutores deve ser aproximadamente
- 1,5 vez o peso corporal e a carga sobre a cabeça femoral na elevação da perna estendida é similar à carga na fase de apoio da marcha.
- 2,5 vezes o peso corporal e a carga sobre a cabeça femoral na elevação da perna estendida é similar à carga na fase de apoio da marcha.
- 1,5 vez o peso corporal e a carga sobre a cabeça femoral na elevação da perna estendida é aproximadamente 50% da carga na fase de apoio da marcha.
- 2,5 vezes o peso corporal e a carga sobre a cabeça femoral na elevação da perna estendida é aproximadamente 50% da carga na fase de apoio da marcha.
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Conceito-chave
O quadril como uma gangorra. No apoio sobre um pé só, a cabeça femoral é o ponto de apoio de uma alavanca de primeira classe. De um lado está o peso do corpo (menos o membro de apoio), aplicado no centro de gravidade, que fica perto da linha média. Do outro lado estão os abdutores (glúteo médio, glúteo mínimo e tensor da fáscia lata), que puxam o trocânter maior para baixo e impedem a pelve de cair para o lado oposto.
A conta que explica o número 2,5. Para a gangorra ficar parada, os momentos dos dois lados precisam ser iguais: força dos abdutores × braço dos abdutores = peso × braço do peso. O braço do peso (do centro de gravidade ao centro da cabeça femoral) mede cerca de 2,5 a 3 vezes o braço dos abdutores (do trocânter ao centro da cabeça). Por isso os abdutores precisam gerar cerca de 2,5 vezes o peso corporal. A cabeça femoral recebe a soma das duas forças, o que dá cerca de 3 vezes o peso no apoio simples da marcha lenta, e mais na corrida.
| Situação | Carga aproximada na cabeça femoral |
|---|---|
| Apoio bipodal parado | Cerca de 1/3 do peso em cada quadril |
| Apoio simples na marcha | Cerca de 2,5 a 3 vezes o peso |
| Elevação da perna estendida em decúbito | Semelhante ao apoio da marcha |
| Corrida e escadas | Bem acima de 3 vezes o peso |
Por que a elevação da perna estendida carrega tanto. Parece um exercício "sem carga", porque a pessoa está deitada. Mas o membro inferior estendido é uma alavanca longa, com o peso da perna longe do quadril, e quem o levanta são o iliopsoas e o reto femoral, que se inserem muito perto do centro de rotação. Braço curto contra braço longo exige força muscular grande, e essa força comprime a cabeça contra o acetábulo. Medidas com próteses instrumentadas mostram cargas da mesma ordem das do apoio na marcha. Na prática, isso explica por que esse exercício não é "proteção" no pós-operatório de fratura do colo ou de osteotomia.
Como a biomecânica orienta o tratamento.
- Bengala na mão oposta ao quadril doente: cria uma força com braço de alavanca muito longo do outro lado e reduz bastante a força exigida dos abdutores, e portanto a carga na cabeça.
- Lateralizar o trocânter ou medializar o centro da cabeça (osteotomias, acetábulo medializado na artroplastia) aumenta o braço dos abdutores e diminui a carga.
- Coxa vara encurta o braço efetivo dos abdutores e eleva o trocânter: aparecem fadiga dos abdutores e sinal de Trendelenburg.
- Carregar peso na mão do mesmo lado do quadril doente também reduz a carga; do lado oposto, aumenta.
Na prova: abdutores cerca de 2,5 vezes o peso; cabeça femoral cerca de 3 vezes; elevação da perna estendida com carga semelhante à do apoio.
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