Paciente de 5 anos de idade, com o diagnóstico de doença de Blount, apresenta, ao exame radiográfico, imagem de depressão da metáfise medial formando um degrau e a presença de cartilagem preenchendo o “bico”. Segundo a classificação de Langenskiöd, essa criança encontra-se no estágio:
- I;
- II;
- III;
- IV;
- V.
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Conceito-chave
Classificação de Langenskiöld da doença de Blount. Descreve seis estágios radiográficos de alterações na porção medial da metáfise e da epífise tibiais proximais, que se correlacionam com a idade e com o prognóstico.
| Estágio | Idade aproximada | Achado radiográfico |
|---|---|---|
| I | 2 a 3 anos | Irregularidade da zona de ossificação metafisária medial, com bico projetado medial e distalmente |
| II | 2,5 a 4 anos | Depressão em sela do bico |
| III | 4 a 6 anos | Depressão mais profunda, formando um degrau; a área do bico é preenchida por cartilagem (radiotransparente) |
| IV | 5 a 10 anos | Degrau acentuado; a epífise aumenta e desce, preenchendo a depressão |
| V | 9 a 11 anos | Fenda na epífise medial (aspecto de "dupla epífise") |
| VI | 10 a 13 anos | Ponte óssea (barra) entre a epífise e a metáfise medial |
Importância. Nos estágios I e II, as alterações podem regredir com o tratamento (órtese ou osteotomia). A partir do estágio III, a lesão se torna progressivamente mais estrutural, e nos estágios V e VI há lesão fisária definitiva, que exige procedimentos sobre a fise.
O caso. Criança de 5 anos com depressão da metáfise medial formando um degrau e cartilagem preenchendo o bico: estágio III.
O que está acontecendo na tíbia. A doença de Blount é um distúrbio do crescimento da parte medial da fise tibial proximal. Em crianças que andam cedo e são pesadas, a carga excessiva no compartimento medial do joelho em varo comprime essa parte da fise, que cresce menos que a lateral. O varo aumenta, a compressão aumenta, e forma-se um ciclo vicioso. Os estágios de Langenskiöld mostram essa progressão: primeiro a metáfise se deforma (bico), depois a epífise desce para dentro da depressão, e por fim surge uma ponte óssea que fecha a fise medial.
Como os estágios mudam a conduta. Nos estágios iniciais em crianças pequenas pode-se tentar órtese. Na criança com estágio III ou mais, ou acima de 4 anos com deformidade progressiva, a conduta é a osteotomia valgizante da tíbia proximal, de preferência antes dos 4 a 5 anos, porque a recidiva aumenta com a idade e com o estágio. Nos estágios V e VI, a barra fisária exige ressecção ou epifisiodese, às vezes com elevação do platô medial.
Como não errar a questão. O detalhe que define o estágio III é o degrau na metáfise medial com a área do bico ainda radiotransparente, preenchida por cartilagem. No estágio IV, a epífise já ossificou e desceu para ocupar esse degrau.
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