Na tíbia vara unilateral de uma criança de 2 anos e meio de idade no estágio II de LANGENSKIÖLD, está indicada
- observação.
- ortetização.
- osteotomia na tíbia.
- osteotomia no fêmur.
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Conceito-chave
A doença de Blount (tíbia vara). É um distúrbio de crescimento da porção posteromedial da fise proximal da tíbia. O varo é progressivo e associado a torção tibial interna. O mecanismo aceito é mecânico, pela lei de Hueter-Volkmann: a compressão excessiva no lado medial da fise, num joelho em varo que suporta muito peso, inibe o crescimento daquele lado, e o varo se agrava num ciclo vicioso.
As duas formas.
| Forma | Início | Perfil |
|---|---|---|
| Infantil | Antes dos 4 anos (geralmente aos 2 a 3) | Frequentemente bilateral; criança obesa que andou cedo |
| Tardia (juvenil ou do adolescente) | Após os 4 anos | Unilateral com frequência; adolescente obeso; varo menos acentuado |
Fatores de risco e de pior prognóstico na forma infantil.
- Obesidade: o principal fator, pela carga sobre a fise medial.
- Marcha precoce, antes de cerca de 1 ano.
- Ascendência negra e sexo feminino: nas séries clássicas, as meninas negras evoluem para os estágios mais graves de Langenskiöld com mais frequência.
- Doença bilateral.
A classificação de Langenskiöld. Tem seis estágios radiográficos de piora do bico medial da metáfise e da epífise. O estágio VI corresponde a uma barra óssea fisária medial. Até o estágio III ou IV, a doença pode regredir com tratamento. Nos estágios V e VI, a lesão da fise é definitiva.
O ângulo metáfise-diáfise de Levine e Drennan (MDA). É o ângulo entre uma linha que passa pelos bicos da metáfise proximal da tíbia e a perpendicular ao eixo longo da diáfise. Ele ajuda a separar o varo fisiológico do Blount:
| MDA | Interpretação (Feldman e Schoenecker) |
|---|---|
| 10° ou menos | Baixo risco: provável varo fisiológico |
| Entre 10 e 16° | Zona cinzenta: acompanhar |
| 16° ou mais | Alto risco de Blount |
As limitações do MDA.
- O ângulo muda com a rotação do membro na radiografia: a rotação interna aumenta o valor medido.
- Há variação entre observadores e com o posicionamento.
- O valor de corte original (11°) teve muitos falsos-positivos em estudos posteriores.
Por isso, o MDA é pouco confiável quando usado isoladamente. Deve ser interpretado com a idade, a evolução clínica, a simetria e as radiografias seriadas.
O tratamento.
- Até cerca de 3 anos, nos estágios iniciais: órtese KAFO, com resultados variáveis.
- Depois disso, ou se houver falha: osteotomia valgizante e derrotatória da tíbia proximal, de preferência antes dos 4 anos, com hipercorreção leve.
- Nos casos avançados: ressecção de barra, elevação do platô medial ou hemiepifisiodese lateral com placa em 8, conforme a idade.
A escolha no caso da questão. Criança de 2 anos e meio, doença unilateral e estágio II de Langenskiöld: está na janela em que a órtese pode funcionar. A órtese do tipo KAFO (joelho-tornozelo-pé), com força em valgo, é usada principalmente durante a carga (de dia) e tira a compressão da fise medial. Os resultados são melhores:
- antes dos 3 anos;
- nos estágios I e II;
- na doença unilateral;
- em crianças não muito obesas.
Se houver progressão depois de alguns meses de órtese, ou se a criança passar dos 3 a 4 anos com deformidade importante, indica-se a osteotomia valgizante da tíbia proximal.
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