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Questão de Tíbia vara (Blount) (TEOT 2024)

Ortopedia pediátricaTíbia vara (Blount)TEOT 2024

Sobre a tíbia vara de Blount, assinale a alternativa que coloca uma característica incorreta da patologia:

  1. Ocorre uma subluxação lateral da tíbia.
  2. Ocorre a formação de um bico ósseo medial na tíbia.
  3. Existe relação com o sobrepeso e a deficiência de vitamina D.
  4. Existe um pior prognóstico quando acomete meninos negros.
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Gabarito: D · Existe um pior prognóstico quando acomete meninos negros.

Conceito-chave

A doença de Blount (tíbia vara). É um distúrbio do crescimento da parte posteromedial da fise proximal da tíbia, que produz varo progressivo, rotação interna da tíbia e recurvato. A causa é mecânica: a sobrecarga em compressão sobre a fise medial (Lei de Hueter-Volkmann) inibe seu crescimento.

As formas.

FormaPerfil
Infantil (antes de 4 anos)Crianças que andaram cedo (antes de 1 ano), obesas; frequentemente bilateral
Juvenil e do adolescente (após 4 a 10 anos)Adolescentes muito obesos; geralmente unilateral, varo menor

O diagnóstico. O joelho varo fisiológico melhora até os 2 anos; o varo que persiste ou piora após os 2 anos sugere Blount. O ângulo metafisodiafisário de Drennan (ou de Levine e Drennan) maior que 16° sugere fortemente Blount; menor que 10°, varo fisiológico. A classificação de Langenskiöld (estágios I a VI) gradua a lesão radiográfica, do bico metafisário à barra óssea fisária (estágio VI).

Os fatores de pior prognóstico. A Blount infantil é mais grave, progride mais e recidiva mais após a osteotomia em:

FatorPor quê
Sexo femininoDoença mais frequente e mais grave em meninas na forma infantil
Raça negraMaior prevalência e formas mais graves nas séries clássicas
ObesidadeMaior carga sobre a fise medial
Início precoce e diagnóstico tardioMais tempo de carga sobre a fise doente
Estágio avançado de Langenskiöld (acima de III)Maior chance de barra e recidiva
Cirurgia após os 4 anosMaior recidiva

As meninas negras e obesas formam o grupo de maior risco de progressão e recidiva.

O tratamento. Até cerca de 3 anos, nos estágios iniciais (Langenskiöld I e II), órtese valgizante, reavaliada em um ano. Depois disso, ou sem resposta, osteotomia valgizante da tíbia proximal com hipercorreção, de preferência antes dos 4 anos. Nas formas tardias ou com barra: ressecção da barra, hemiepifisiodese lateral (crescimento guiado), elevação do platô medial e correção gradual com fixador externo.

Os achados da Blount. A radiografia mostra o bico metafisário medial (a metáfise medial da tíbia proximal forma uma proeminência em bico, com depressão em degrau nos estágios avançados). Na marcha, há subluxação lateral da tíbia (o "lateral thrust"), por frouxidão do compartimento lateral. A obesidade e a deficiência de vitamina D são associações conhecidas.

Por que cada alternativa está certa ou errada? O comentário completo, alternativa por alternativa, está no site, junto com revisão espaçada e desempenho por tema.

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