Menino de 6 anos, atropelado, tem fratura transepifisária do fêmur proximal com a epífise luxada para fora do acetábulo. A evolução esperada para essa lesão é
- necrose avascular e fechamento fisário prematuro em praticamente todos os casos
- bom prognóstico, porque a criança pequena raramente evolui com necrose
- necrose em cerca de 5%, como nas fraturas intertrocantéricas
- pseudartrose como complicação principal, sem risco vascular
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Conceito-chave
Um menino de 6 anos é atropelado. A radiografia mostra a epífise femoral fora do acetábulo, separada do colo pela fise. É a fratura do tipo I de DELBET com luxação da cabeça, a mais grave de todas.
A classificação de DELBET. É descritiva e prognóstica (Rockwood crianças, 10ª ed., cap. 24, Fig. 24-4):
| Tipo | Lesão | Frequência | Necrose |
|---|---|---|---|
| IA | Transepifisária sem luxação | Tipo I = 8% | 38% a 100% no tipo I |
| IB | Transepifisária com luxação | praticamente 100% | |
| II | Transcervical | 45% a 50%, a mais comum | 28% a 60% |
| III | Cervicotrocantérica (basocervical) | cerca de 34% | 18% a 27% |
| IV | Intertrocantérica | cerca de 12% | cerca de 5% |
Na metanálise de MOON e MEHLMAN, a necrose foi de 38%, 28%, 18% e 5% nos tipos I a IV. Os tipos III e IV, em compensação, têm mais consolidação viciosa em varo se mal tratados.
O tipo I. É raro, cerca de 8% das fraturas do quadril da criança; metade se associa a luxação da epífise. Ocorre em crianças pequenas após alta energia, diferente da epifisiólise instável, que vem após trauma mínimo sobre uma fise enfraquecida, com pródromos. Sem luxação, o prognóstico é melhor, e as crianças mais novas vão melhor que as mais velhas; a necrose é pouco provável nas pequenas, mas coxa vara, coxa breva e fechamento prematuro podem gerar discrepância. Com luxação da cabeça, o resultado é ruim, com necrose e fechamento fisário prematuro em praticamente 100%.
A conduta. No IB, tentar redução fechada, mas, se uma tentativa falhar, redução aberta imediata, com via escolhida pela direção da luxação (em geral posterolateral), e fixação interna. A família deve ser avisada do risco grande de necrose.
Por que esta questão foi criada. É gêmea da ENARE 2024 (`pediatria-0515`), que pede a classificação da transfisária com luxação (IB), e do TEOT 2025 (`pediatria-0920`), sobre o tipo com mais necrose (I). Depois, faça as oficiais.
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