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Questão de Deficiências longitudinais dos membros (TEPOP 2024)

Ortopedia pediátricaDeficiências longitudinais dos membrosTEPOP 2024

Na deficiência congênita longitudinal da fíbula

  1. membros superiores não funcionais contraindicam a amputação em casos bilaterais.
  2. amputação de SYME é preferível em relação à técnica de BOYD pois mantém o coxim do calcâneo, facilitando a protetização.
  3. casos com menos de 10 cm de discrepância final prevista devem ser manejados com epifisiodese femoral e tibial contralateral.
  4. a curvatura posteromedial da tíbia deve ser corrigida no momento da amputação, por meio de osteotomia tibial em cunha de subtração.
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Gabarito: A · membros superiores não funcionais contraindicam a amputação em casos bilaterais.

Conceito-chave

As deficiências congênitas dos membros. São falhas da formação do membro durante a embriogênese (da 4ª à 8ª semana). A classificação de Frantz e O'Rahilly (1961), ainda usada nas provas, combina dois critérios:

1. A direção da falha.

  • Transversal: falta toda a largura do membro a partir de um nível (como uma "amputação congênita"); por exemplo, a ausência do antebraço e da mão.
  • Longitudinal (paraxial): falta só um lado do membro, ao longo do eixo; por exemplo, a hemimelia fibular, tibial, radial ou ulnar.

2. A extensão distal.

  • Terminal: a falta se estende até a ponta do membro; nada distal ao defeito está presente.
  • Intercalar: falta um segmento intermediário, mas as partes distais estão presentes (como na focomelia, em que a mão sai do ombro).

Combinando os critérios.

ExemploClassificação
Ausência da fíbula com pé normal (todos os raios)Longitudinal intercalar
Ausência da fíbula com ausência dos raios laterais do péLongitudinal terminal
FocomeliaTransversal intercalar
Ausência da mão e do antebraço (coto)Transversal terminal

A hemimelia fibular: um defeito de todo o membro. Não é só a fíbula que falta. É a deficiência longitudinal pós-axial do membro inferior, e acomete vários segmentos:

SegmentoAlterações
FêmurEncurtamento discreto, hipoplasia do côndilo lateral (joelho valgo)
JoelhoAusência ou hipoplasia dos cruzados: instabilidade anteroposterior; patela pequena e alta, com tendência a luxação lateral
TíbiaEncurtamento, arqueamento anteromedial, tornozelo em valgo
PéEquinovalgo, coalizão tarsal (talocalcaneana), ausência dos raios laterais, tornozelo em "bola e soquete"

Por que instabilidade anteroposterior. Os ligamentos cruzados se formam junto com as estruturas pós-axiais; na hemimelia fibular eles estão ausentes ou hipoplásicos, e a espinha tibial é achatada. O joelho tem gaveta anterior e posterior, mas costuma ser bem tolerado na infância. Os colaterais costumam estar presentes, por isso a instabilidade em varo e valgo não é a característica.

O tratamento. Depende da discrepância prevista e da função do pé (classificações de Achterman-Kalamchi, Birch e Paley): alongamento com reconstrução do tornozelo (técnica SUPERankle de Paley) e correção do valgo do joelho por hemiepifisiodese medial, ou amputação de Syme (ou Boyd) com prótese nas formas graves com pé não funcional.

As decisões de tratamento.

SituaçãoConduta
Discrepância prevista pequena (até cerca de 5 cm) e pé funcionalEpifisiodese contralateral no momento certo ou palmilha
Discrepância moderada (5 a 15 cm) e pé funcionalAlongamentos (um ou mais) com reconstrução do tornozelo
Discrepância grande e pé não funcionalAmputação de Syme ou de Boyd com prótese, por volta de 1 ano

Syme ou Boyd. A amputação de Boyd preserva o calcâneo, fundindo-o à tíbia: mantém melhor o coxim do calcanhar, que não migra, e acrescenta comprimento. A de Syme remove todo o pé e o coxim pode migrar. Por isso, a afirmação de que a Syme mantém melhor o coxim está errada.

A deficiência bilateral e os membros superiores. Em crianças com deficiência bilateral e membros superiores não funcionais (por exemplo, com deficiências associadas), os pés, mesmo deformados, podem ser usados para funções manuais (comer, escrever, higiene). Nesses casos, a amputação é contraindicada.

O arqueamento da tíbia. Na hemimelia fibular, o arqueamento é anteromedial, e não posteromedial; quando necessário, corrige-se com osteotomia no momento da amputação ou do alongamento.

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